09.10.2005 - 20:10
Poesia contemporânea tem espaço na Bienal
Difícil concorrência a da poesia com a literatura ficcional. Esta, bem ou mal, corre a toda no mercado e na vida com sua narrativa dinâmica; enquanto a primeira, um dos primeiros gêneros estéticos da civilização, exige, além de concentração, abstração.
No Brasil, a poesia já viveu momentos mais prolíficos. Perdeu espaço para o romance urbano, moda na virada da década de 80. Depois de um período de entressafra volta a ser destaque da crítica cultural e, por que não, nas livrarias. As configurações e os destaques do processo poético não poderiam, portanto, deixar de integrar a V edição da Bienal Internacional do Livro de pernambuco. Neste ano, a programação abre espaço para a discussão com professores, críticos, poetas e novas edições.
Um dos lançamentos mais aguardados do evento nessa área é o livro Ciao, cadáver, de Delmo Montenegro. Ele, que organizou as duas edições da coletânea Invenção Recife, integrou a edição comemorativa de 60 anos de nascimento do poeta Paulo Leminski com um instigante ensaio sobreCatatau, o romance-experimento do escritor curitibano. Ciao, Cadáver tem publicação pela editora Landy através da coleção Alguidar – dirigida pelo poeta Frederico Barbosa, pernambucano radicado em São Paulo que também consta na mostra com a oficina Poética da linguagem.
A Alguidar, aliás, editou a estréia de Micheliny Verunsch – poeta de Arcoverde e finalista do prêmio literário Portugal Telecom no ano passado. “O livro (Ciao Cadáver) é mais uma pequena vitória para a nova geração de escritores pernambucanos. Estamos conseguindo aos poucos cavar o nosso espaço”, afirma Delmo que se prepara para a maratona de divulgação do livro a ser realizada no último dia da Bienal (no próximo domingo, 16, às 17h).
O Café Colombo, que faz parte da programação do espaço Café Continente, articula debates sobre o tema no projeto Bem Dita poesia. Neste domingo, vão estar no local os pernambucanos César Leal, Angelo Monteiro, Débora Brennand, Esman Dias e o convidado especial Affonso Romano de Santana – acompanhado da esposa Marina Colasanti, que conversa com o público na quinta, 14.
Já Fábio Andrade e Jacineide Travassos, ambos professores universitários e ensaístas, que participaram da Invenção Recife, marcam presença com o curitibano Fabrício Carpinejar, no debate que ocorre, respectivamente, no Café Continente e no auditório Manuel Bandeira, no sábado, 15. Na Bienal, passarão ainda nomes expressivos da poesia contemporânea brasileira. O paraibano Antônio Mariano de Lima, promessa do gênero em 2005, lança o Guarda-chuva dos esquecidos pela Editora Lamparina.
A feira também recebe a artista plástica e poeta Jussara Salazar, pernambucana radicada em Curitiba, onde tem se destacado na edição da cultuada revista ET Cetera.