Café Colombo

11.10.2005 - 20:08

Bienal promete bons debates

Carolina Leão

Jornalista e apresentador cobiçado pelo público feminino, em sua maioria, Pedro Bial é o destaque desta terça na V Bienal Internacional do livro de Pernambuco, que acontece até o próximo domingo, a partir das 16h, no pavilhão do Centro de Convenções.

Bial esteve recentemente na cidade por ocasião da homenagem aos 80 anos do poema Evocação do Recife, de Manuel Bandeira. Hoje, ele fala sobre dois dos seus lançamentos literários em 2005: a biografia do empresário Roberto Marinho e a coletânea de
textos sobre soníferos e outros aditivos usados em prol de uma vida menos ansiosa, intitulada Tarja Preta.

A presença do Global é, sem dúvida, a grande atração do evento, que ainda recebe a designer Moema Cavalcanti numa palestra sobre o processo de composição visual de um livro.

O quinto dia da mostra reserva também palestras que prometem discussões interessantes. No auditório Manuel Bandeira, um encontro no mínimo instigante: “o feio na literatura brasileira”. Quem participa da mesa, a partir das 15h, são os professores Cristine Rufino Dabat (UFPE) e Janilto Andrade (Unicap). No Café Continente, o projeto Bem dita poesia traz, às 19h, os poetas Lau Siqueira e Jussara Salazar; além da presença de Marcelino Freire que às 10h ministra sua oficina sobre narrativas breves.

Às 20h, o autor conversa com o público da Bienal no Café Colombo.

Ontem, destacando a participação francesa, celebrada na feira, o auditório Manuel Bandeira recebeu escritores e filósofos como Monique Marie Lelis, Anne Sauvagnarques, Christine Buci-Gluksmann, Pierre Héber-Suffrin e Lourival Holanda. Estes últimos abordaram a obra O Homem Revoltado de Albert Camus. A palestra foi confusa. Primeiro, a localização do espaço não facilita a compreensão sonora do palestrante. O grande número de estudantes e o barulho causado pelo tumulto das escolas prejudica a fluência da discussão. Corta a espontaneidade e diminui a concentração.

Outro problema foi a demora na chegada dos rádios que transmitem a tradução simultânea do francês para o português. Por outrolado, o tema foi mau aproveitado. Ao final, tinha-se a angustiante sensação de se querer debater um grande número de elementos (estéticos, políticos e filosóficos) da literatura de Camus, em menos de uma hora de palestra. Impossível. O foco é um dos pré-requisitos de qualquer retórica.

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