03.11.2006 - 22:54
Os segredos do Google em A Busca
Renato Lima comenta o livro A Busca, de John Battelle. A obra desvenda segredos do Google, sua história de sucesso e os perigos da concentração de poder em apenas uma empresa. O livro conta como surgiu o Google, qual o impacto do seu mecanismo de busca na Internet e como dois jovens acadêmicos conseguiram rapidamente se transformarem em bilionários.


Buscou sucesso? Achou o Google
História de uma das empresas com mais êxito no ramo da tecnologia inspirou o lançamento da obra A busca
RENATO LIMA
A empresa de crescimento mais rápido da história possui 150 mil computadores, uma das maiores larguras de bandas do planeta e a missão de organizar as informações do mundo e torná-las universalmente acessíveis. Se você tiver alguma dúvida sobre que empresa é essa, talvez surja a idéia de digitar Google.com e fazer uma busca.
Entre os resultados, vai encontrar o livro A busca – como o Google e seus competidores reinventaram os negócios e estão transformando nossas vidas (Editora Campus – Elsevier, R$ 59), do repórter de tecnologia John Battelle. O lançamento é um bom livro-reportagem sobre a história da busca na Internet e as implicações desse tipo de tecnologia para os negócios.
O Google surgiu de uma inventiva idéia do então doutorando em computação pela universidade de Stanford, Larry Page. Ele percebeu que era fácil acompanhar as conexões entre as páginas para frente, mas era impossível saber quais páginas se ligavam para trás. Ele, por exemplo, não sabia quais eram as páginas que ligavam para o seu site pessoal.
Estudante universitário, lembrou que no sistema acadêmico as citações e comentários de trabalhos conferem credibilidade. E Page raciocionou de forma parecida, usando a web. Afinal, um link pode ser encarado como uma citação, e se uma página recebe várias citações isso mostra que aquele documento é importante. Assim, com a ajuda do colega Sergey Brin, estava criado o algorítmo do Google que indexava toda a web e calculava sua importância a partir do número de links que as conectava. E as páginas mais importantes vão para o topo dos resultados de busca.
Talvez seja impressionante saber que os inventores do Google não queriam exatamente abrir uma empresa para consumidores, mas sim licenciar a sua tecnologia de busca para outros sites. E assim passaram 18 meses apresentando a tecnologia Google para diversos sites, como Excite, Infoseek e Yahoo. Mas, como ninguém na época queria uma tecnologia refinada de busca (era a fase dos grandes portais), o Google continuou sozinho. “Mas eles tinham horóscopos”, lembra Larry Page.
Segundo a consultoria Deloitte, o Google é a empresa de mais rápido crescimento de todos os tempos. As receitas subiram 400.000% em apenas cinco anos. E, a partir de uma tecnologia que ninguém dava valor, surgiu uma gigante que hoje se expandiu para buscas pessoais (Orkut), busca dentro de livros (Google Print), e-mail de mais de dois gigabytes (Gmail), voz sobre IP (Google Talk), notícias (Google News), venda de vídeos (Google Video) mapas locais (Google Map) e até a exploração da terra em imagens de satélites (Google Earth).
Qual seria a fronteira para o Google? Num mundo de digitalização de informações é quase impossível defini-la. Afinal, o Google possui a ambiciosa meta de organizar as informações do mundo. Isso pode incluir rastrear malas perdidas (através de dispositivos de identificação por rádio freqüência, RFID), digitalizar e gerenciar suas fitas de vídeos mofadas e ser o arquivo digital da Internet, com uma imagem salva do que foi a web em cada ano.
Para um vislumbre sobre as possibilidades futuras, uma visita ao laboratório de experiências do Google (http://labs.google.com/) e a leitura de A busca é certamente um bom começo.