25.03.2007 - 06:23
O Espelho da Sociedade
por Bruno Bezerra
Com a chegada de 2007, chega também ao fim a 52ª legislatura do Congresso Nacional, considerado por muitos – inclusive pelo próprio presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP) – como sendo o pior Congresso da história republicana do Brasil.
Contudo, quando o assunto é o Parlamento, a amnésia e a omissão política do povo brasileiro são fatores preocupantes. Da mesma forma que falta compromisso dos congressistas e do Congresso para com o Brasil, falta compromisso da sociedade brasileira para com o Congresso Nacional, ou melhor, falta-nos compromisso para com a democracia plena. Falta-nos, enquanto sociedade,
conceber a importância do bom funcionamento do Congresso Nacional. Falta-nos, enquanto cidadãos, conceber a verdadeira importância de uma sociedade soberana no gozo de seus direitos e deveres. Falta-nos uma sociedade que
compreenda o direito de votar e o dever de cobrar. Falta-nos uma sociedade que compreenda não apenas o direito, mas o dever de querer educar-se.
A perda parcial ou total da memória política é tão preocupante quanto a perda da capacidade de se indignar. A indignação é um sentimento fundamental para o ser humano. É um impulso forte que nos coloca contra aquilo que nos ofende ou fere. No tocante ao Parlamento brasileiro, a corrupção tem sido essa atrevida ofensa, essa sempre aberta e latejante ferida. A corrupção tem
sido um dos principais cânceres da sociedade brasileira, tem sido o terrorismo covarde que assola o Brasil, tem agredido até a nossa gramática, onde a palavra pizza virou sinônimo de impunidade, e mensalão passou a ser também propina.
A 52ª legislatura da Câmara dos Deputados (2003 a 2007), deve servir de efeito estufa para discussão do modelo de sociedade que desejamos. Pois, se o Parlamento é o espelho da sociedade, precisamos cuidar para que esse espelho reflita uma imagem melhor a cada dia. Mas para tanto, é necessário abolir a corrupção primeiro da sociedade, e assim, matarmos em nós a corrupção do espelho.
Todavia, nesse momento, devemos celebrar não apenas a passagem de ano, mas também, o fim de uma indigna legislatura, aprendendo as duras lições de um dos mais obscuros momentos da democracia brasileira, que ainda assim, é o caminho.
Por tudo, resolvi brindar à democracia, brindar escrevendo um livro que expressa boa parte do sentimento dos brasileiros e brasileiras de boa-fé para com a classe parlamentar verde e amarela, no início do século XXI. “Versos Sarcásticos – dedicado à diarréica memória da 52ª legislatura da Câmara dos Deputados” é pura reflexão em forma de sátira, é um livro recheado de
versos e charges, que seriam ainda mais cômicos, se não fossem frutos de uma história verdadeiramente trágica.
Bruno Bezerra é administrador de empresas e escritor, autor dos livros “Versos Sarcásticos” e “Caminhos do Desenvolvimento”
Vivemos numa corruptocrasia, parabens pelo livro e pelo artigo.
Bruno!
Parabéns pelo artigo e também pelo site.
Acho que nos cabe o papel de, mesmo remando contra a maré, incentivar as pessoas a pensarem; a exercitarem os neurônios como exercitam seus músculos. Um dia, isso, de alguma maneira, repercute positivamente.
Abraço
Parabéns pelo artigo!
Você manifesta aqui perfeitamente toda indignação e desejo de uma sociedade mais justa.