Café Colombo

29.07.2007 - 22:03

Eça de Queiroz no Café Colombo

No primeiro domingo de junho – depois de um almoço a “Duas Quintas” com o chanceler Vieira e Belo e as nossas “Anas”, já à hora do sorvete, na Santo Doce, ao lado Flavinha e da surrealista estátua de Salvador Dali, de Badida -, telefonou-me o jornalista Renato Lima, convidando para entrevista no programa “Café Colombo”. Ouvinte assíduo da Universitária FM – do “Bom dia”, de José Mário Austregésilo, à música erudita de Silas da Costa e Silva, passando pela fidelidade telúrica de Hugo Martins ao frevo – e, mais recentemente, do próprio “Café”, lá estive, no sábado seguinte, para descontraída conversa que até pareceu de velhos amigos, com Marcelo Correia e Eduardo Maia (para lembrar o personagem central do eciano clássico), sobre meu tema preferido.

Antes e durante a entrevista muito se falou sobre Eça. Retrospectiva histórica da Sociedade, a partir dos fundadores Paulo Cavalcanti e Silvino Lopes. Os “Jantares Ecianos”. A apresentação (orelhas) de Eça de Queiroz – Retratos de memória, pelo engenheiro PelópidasSilveira, à época, presidente; hoje, presidente emérito do grêmio. A recepção literária de Eça no Brasil, por Pernambuco, através de Goiana, com “As Farpas”, em 1872. Meu ensaio sobre o tema publicado como prefácio a Uma Campanha Alegre, na Obra Completa, coordenada por Beatriz Berrini, para a editora Nova Aguilar. O mesmo ensaio no Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, com direito a separata. Os verbetes que escrevi para o Dicionário de Eça de Queiroz, do arquiteto Alfredo Campos Matos. Os dois últimos, de Portugal.

Outro assunto foi o lançamento da segunda edição de A Cidadela do Espírito – Considerações sobre a arte sacra na obra de Eça de Queiroz, que aconteceu em 10 de julho, no Centro de Estudos Paulino Romeira de Sá Ferreira (biblioteca), do Real Hospital Português. A Cidadela merecera, pouco antes, erudito e generoso artigo do jornalista e escritor Homero Fonseca – que não conhecia pessoalmente – editor da conceituada revista.

Já que o assunto vem sendo mídia – rádio e revista – e a epistolografia é, talvez, o mais antigo meio de comunicação, sirvo-me do jornal para agradecer recente carta de conhecida e premiada escritora de Garanhuns, leitora dos meus despretensiosos escritos, em que comenta o roteiro histórico e sentimental da antiga capital do Piauí. “A pesquisa – escreveu ela – é, realmente, um Passeio a Oeiras. A gente percorre com a mente o que o autor percorre na ternura, na saudade e, por isso, torna-se poesia. Como é bom saber que há quem ame “son pays” como os franceses amam à terra natal, o recanto onde se nasce. Perdoe-me a demora em dizer-lhe obrigada. Na verdade não encontrava as palavras justas, para falar do seu livro. Será que porventura serão encontradas? Na alegria de um Passeio a Oeiras, Luzinette”. Sim, você as encontrou, professora Luzinette Laporte. Muito obrigado.

O outro registro que esta página se propõe é o do aparecimento, no livro coletivo Pimenta rosa, de contos e poemas (Edições Bagaço, 2006), da confreira – da Sociedade Eça de Queiroz – Ina Melo, com os bons textos “A iniciação” e “A visita”. Há um toque de neo-realismo – possível e justificável em leitores e admiradores de Eça – nesses escritos. Há, nas entrelinhas, memória também. Ina Melo que se diz “apaixonada por vinho, amor e Paris”, é sócia da União Brasileira de Escritores – secção de Pernambuco e pertence à Academia Internacional de Literatura e Artes. Tem sólida formação humanística e boa cultura geral. Publicou os livros: Simone de Beauvoir – Mulher lúcida e livre, e Sonhos em dueto. Participou das coletâneas: Contos e crônicas inesquecíveis, Contistas do terceiro milênio, e Poetas do século XXI. No prelo, Passageiros do tempo (contos).

A elas, o reconhecimento eciano do cronista.

Diário de Pernambuco – 27/07/2007

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