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11.04.2008 - 23:08

Liberdade de imprensa e a prisão em idéias equivocadas

Estive esta semana em Porto Alegre, acompanhando o sempre instigante Fórum da Liberdade, que já está na sua 21ª edição, sob a liderança do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).

Na abertura, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg foi agraciado com um prêmio, pela organização do Fórum, em defesa da liberdade de imprensa. Liberdade essa que não é preciso estar numa ditadura para ela ser atacada. Por vezes de forma sutil, por vezes de forma orquestrada, como faz o governo dentro dessa TV estatal (que não tem nem um ano e já criou trabalho para a futura corregedoria interna, por manipulação política) ou a Igreja Universal contra a Folha de São Paulo.

Mas essas são divagações minhas. Dizia Sardenberg: “Tem uma imprensa que é livre e outra que não é. Tem uma que inclusive não quer ser livre, quer receber do governo. A primeira condição para um jornal ser livre é ganhar dinheiro, não ser dependente das verbas do governo.”

“Depois temos uma imprensa que é pura picaretagem, que é a favor do governo, de qual governo for. Quem quiser trabalhar para a liberdade de imprensa tem que controlar as verbas de governo”, sugeriu.

Sardenberg lembrou ainda que a América Latina é prisioneira de idéias equivocadas, que morrem no resto do mundo mas ganham sobrevida aqui. “O único lugar do mundo que o povo quer ir do capitalismo para o socialismo é a América Latina. Não por acaso é a região que cresce menos”, arrematou.

O jornalista ainda lembrou grandes entraves ao comércio dentro do Brasil e que, se não fosse a coincidência do fundador da Jet Blue ter nascido no Brasil, não poderia aqui criar uma nova empresa aérea, que vai até mesmo comprar um grande lote de aviões da brasileira Embraer. E por que não poderia? Porque a aviação é considerada um setor estratégico e o governo limita em 30% o percentual que um estrangeiro pode deter do capital de uma empresa no Brasil. “De onde é que tiraram que estratégico quer dizer que é do governo? O resto do mundo entende que estratégico significa que tem que funcionar. E quando está nas mãos do governo não funciona”, disse. “Ta todo mundo indo para a iniciativa privada. Vamos também”, convocou.

(Renato Lima)

2 Comentários

  1. Luís Domingues Comentou em 12.04.2008 às 01:38

    Prezado Renato Lima

    Prezado Renato Lima

    Não acredito que você foi até Porto Alegre para se aconselhar com o Carlos Sardenberg. Ouvir as perolas dele. Tenha dó! O cara é um zero a esquerda, sem nenhuma insinuação a esquerda, em economia e nem o dono do fiteiro da esquina o contraria como gerente e muito menos como consultor para tramites econômicos. Ele é a pré-história da Escola de Chicago. Nem o Milton Friedman lhe daria algum crédito ante o primitivismo retórico dele. E o cara ainda teve a cara de pau de falar em liberdade de impressa. Fala sério! A liberdade dele está restrita a liberdade de quem pode oferecer o maior jabuculê para ele fazer aquele comentário que soa como música aos mecenas do mercado.
    É melhor você procurar outros mentores para a sua constituição política e ideológica.
    Abraços.

    Luís Domingues (De novo!)

  2. Carlos Augusto Comentou em 12.04.2008 às 07:20

    Sardenberg é um dos mais lúcidos jornalistas do País. Parabéns e ele, pelo prêmio, e pelo discurso.

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