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10.06.2008 - 13:11

A formação do leitor do futuro (Editorial do Jornal do Brasil)

EDITORIAL

Jornal do Brasil

9/6/200

É uma boa, aliás ótima, notícia. A pesquisa Retratos da leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, com apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), revelou que o brasileiro lê, em média, 4, 7 livros por ano. O dado demonstra um salto quantitativo, se comparado a pesquisas realizadas anteriormente, nas quais essa média se mantinha em torno de um livro per capita – número que era vergonhoso para o país.

O estudo constatou que só a leitura de livros indicados pela escola, o que inclui os didáticos, mas não apenas, chega a 3,4 per capita. A leitura feita por pessoas que não estão mais na escola ficou em 1,3 livro por ano. Este último é um indicador preocupante, porque não comprova um avanço e demonstra o quão importante é o ensino na formação do leitor. Não se pode esquecer de que o governo é o maior comprador de livros didáticos, repassando-os às escolas.

Em algumas regiões, a média é ainda mais alta. É o caso do Sul, onde foram apurados 5,5 livros por habitante/ano. Não é de espantar que o mercado de livros na região, principalmente no Rio Grande do Sul, mantenha autonomia em relação ao eixo Rio-São Paulo, onde estão concentradas as principais e maiores editoras.

Em seguida, na média de obras lidas por ano, aparece o Sudeste (4,9), o Centro-Oeste (4,5), o Nordeste (4,2) e o Norte (3,9), como era esperado. Também não causa surpresa que os leitores lêem mais nas grandes cidades (5,2 livro por habitante ano) que nas pequenas localidades do interior (4,3 em municípios com menos de 10 mil habitantes). Claro está que este resultado traduz diferenças sociais, culturais e sobretudo econômicas, que separam e dividem o país. Outro fator a se levar em conta está na deficiente distribuição de livrarias e postos de venda.

A pesquisa – objeto de reportagem publicada no fim de semana no Caderno B, a qual destaca o surpreendente interesse pela poesia – confirma que as mulheres lêem mais que os homens – 5,3 contra 4,1 livros por ano. Mais uma excelente notícia é que os jovens ganham destaque no levantamento. O público entre 11 e 13 anos chega a ler 8,6 livros por ano. De 5 a 10 anos, lêem 6,9, e de 14 a 17, o volume é de 6,6 livros. Neste aspecto, há de se destacar o bom momento que desfruta as literaturas infantil e infanto-juvenil produzidas no Brasil. O alto nível da atuação de escritores, ilustradores e editores neste setor garante a formação do nosso leitor do futuro.

O estudo levantou outros indicadores: 95,6 milhões de pessoas se declararam leitores (o que não quer dizer que efetivamente leiam). O número corresponde a 55% da população. O percentual de não-leitores é de 77,1 milhões, ou seja, os restantes 45% da população. A proporção aponta para o quanto devemos ainda avançar, em busca de uma melhor saúde para a leitura. E o quanto de mercado ainda existe a ser conquistado. Não é de graça que poderosos grupos da Espanha – Planeta, que montou um braço no Brasil, inclusive no setor de didáticos, e Santillana, que adquiriu a carioca Objetiva – e de Portugal – de olho no acordo que unifica a ortografia da língua portuguesa, o gigante Leya fez uma proposta de compra da paulista Companhia das Letras, que foi recusada – estão aportando no país.

A pesquisa é só um diagnóstico. Os dados precisam ser avaliados com calma e perspicácia, para que se possa construir uma agenda de trabalho. Mas o louvável avanço deve ser saudado.

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