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10.06.2008 - 18:37

Trecho de uma carta de Guimarães Rosa a seu tradutor italiano

Selecionei um trecho que acho muito interessante de uma carta enviada por Rosa a Edoardo Bizzarri, seu tradutor para o italiano.
Eu, quando escrevo um livro, vou fazendo como se o tivesse “traduzindo”, de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no “plano das idéias”, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando, nessa “tradução”. Assim, quando me “re”-traduzem para outro idioma, nunca sei, também, em casos de divergência, se não foi o tradutor quem, de fato, acertou, restabelecendo a verdade do “original ideal”, que eu desvituara… 

Nessa pequena passagem, toda uma concepção de literatura está subentendida: o escritor como “tradutor” de uma realidade preexistente, mas que não se oferece facilmente à reprodução (Platão e Plotino eram leituras freqüêntes de Rosa, como se sabe). Além disso, a humildade do escritor também fica patente.

(Eduardo Cesar Maia)

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