14.06.2008 - 12:21
Especial Harold Bloom – Parte 2: “A Desconstrução Pragmatista”
(Este é o segundo de uma série de posts sobre o crítico norte-americano que irei publicar neste Blog)
“A Desconstrução Pragmatista”
Harold Bloom e o desconstrucionista Paul De Man estão de acordo no que concerne à descrença no “mito do significado literário”, mas eles se diferenciam frontalmente na atitude que assumem diante desta constatação. Para De Man, a ilusão de significado realizada pelo texto nos joga numa espécie de abismo intransponível. A única atitude legítima e possível que o crítico de literatura pode assumir é a de investigar ao máximo as “possibilidades vertiginosas de aberração referencial” que o texto enseje. Não haveria nada além disso, pois não existiria uma relação entre o literário e uma realidade extra-discursiva” independente.
Para Bloom, contudo, esta postura niilista é improdutiva. Ele enfatiza a necessidade de não permanecer absorto frente à perda da ilusão no significado. Para Bloom, apesar dessa perda, existem ainda razões objetivas para o cultivo do hábito da leitura: as de tipo pragmático e as de tipo estético. Essas duas dimensões — a pragmática e a estética — aparecem tomam proporções variadas nos textos de Bloom de acordo com o desenvolvimento teórico do crítico.
Bloom se reconhece como um pragmatista quando afirma que o importante da Literatura não é a busca de um significado nos textos, o que importa é o que fazemos a partir da leitura:
“Para que serve um poema? Essa é para mim a pergunta central, e com a pergunta quero dizer pragmaticamente: qual é o uso da poesia ou o uso da crítica? Minha resposta é completamente pragmática. Amo os poemas de Stevens, mas esse amor não difere pragmaticamente do tipo de amor que sinto pela casa em que vivo, ou por uma velha poltrona que tenho em meu escritório”.
O crítico norte-americano considera que muitos procedimentos realizados em seu tempo que eram considerados desconstrutivistas seriam, na realidade, melhor definidos como pragmatistas. Bloom então acaba por reconhecer suas afinidades teóricas com Richard Rorty, sobre o qual certa vez afirmou se tratar do “filósofo mais interessante do mundo hoje”. Como Bloom, Rorty tentava conciliar o desconstrutivismo, principalmente em sua proposta antiessencialista, com o pragmatismo norte-americano.
(Eduardo Cesar Maia)
P.S.: No próximo post continuarei destrinchando as diferenças e semelhanças entre Bloom e Rorty.