18.06.2008 - 09:00
Especial Harold Bloom – Parte 4: “O Bloom dos dias de hoje”
O Bloom dos dias de hoje: o egoísmo estético
(Este é o quarto de uma série de posts sobre o crítico norte-americano que irei publicar neste Blog)
A idade e as constantes querelas acadêmicas de Bloom parecem o ter tornado um pesquisador (e um leitor) cada vez mais ensimesmado, mais absorto em suas idéias e vivências do texto. Em suas obras mais recentes, o crítico transforma essa idéia de “leitor solitário” num arquétipo para explicar o que agora entende por função da leitura. No prólogo ao seu Como e por que ler?, Bloom responde à pergunta de forma simples e provocativa: cada pessoa deve ler somente se tiver prazer com tal ato – um prazer estético e egoísta.
Bloom abandona com o tempo a idéia de construir uma teoria da escritura e passa a buscar uma compreensão do fenômeno da leitura. Tudo isso parece recrudescer a partir da questão da ênfase na subjetividade – e a literatura, no seu entender, é o instrumento por excelência dessa subjetividade. A apreciação subjetiva da literatura, com o resgate e centralização do elemento estético, marca com mais força a oposição do crítico aos estudos literários. Ele permanece, na contramão da opinião daqueles que ele batizou de “Escola do Ressentimento”, endossando sua posição a-política e não-epistêmica em relação à abordagem teórica do texto literário.