30.06.2008 - 08:58
A perspectiva hedonista
Da série “Causos filosóficos”

Aristipo de Cirene, pai do hedonismo grego, pregava que o prazer – sobretudo o prazer do momento presente – era o bem supremo, ainda que obtido de forma vergonhosa (obviamente, se o prazer é o maior bem, a dignidade estaria mais abaixo). Assim, Aristipo levava sua vida de vícios: mulheres, comida, vinhos e ouro, tudo em excesso, ainda que para isso tivesse que adular e suplicar aos ricos e tiranos para conseguir seus favores.
Certa vez, Aristipo encontrou Diógenes de Sínope – o cínico –, cujas crenças eram totalmente opostas: viver de forma frugal, pobremente, fugindo dos prazeres e das convenções e costumes sociais. Diógenes não tinha casa, vivia em um tonel, e estava cozinhando sua própria comida – uma simples sopa de legumes – quando se deparou com Aristipo que passava por perto, e o provocou:
- Vês, amigo, se você aprendesse a cozinhar, não teria que adular os ricos.
Ao que Aristipo replicou:
- E tu, Diógenes, se adulasses, não terias que cozinhar…
(Eduardo Cesar Maia)
E aí Eduardo? Já se decidiu pela vida de Aristipo ou de Sínope?
É, Renato, nesse relato quem se sai bem é Aristipo, mas Diógenes também tem uma historieta interessante que publicarei em breve no blog…
Nós jornalistas, você bem o sabe, optamos por uma vida modesta (como a do cínico Diógenes). E ainda temos que nos submeter aos interesses maiores (como Aristipo, de certa forma) por trás das empresas para as quais trabalhamos: temos um espaço bem restrito de liberdade de publicar nosso verdadeiro pensamento. Para isso serve o nosso Café Colombo, concorda?
Concordo. :) Mas, num sentido mais amplo, todos os homens pulsam entre esses dois extremos, o dos prazeres e das restrições.
Não gostaria de me colocar entre estas duas situações, aliás tenho buscado me colocar no meio delas rsrsrs pq. acredito que a sabedoria está no meio e não nos extremos.