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17.10.2008 - 11:06

Sobre a legalização das drogas (todas)

Como nossos ouvintes e leitores já devem ter notado, o Café Colombo sempre tenta provocar o senso comum, as idéias e ideologias “consolidadas”… Acreditamos que o papel de um jornalismo crítico é provocar de forma franca o debate de idéias, por mais impopulares ou provocativas que elas possam parecer a princípio.
Reproduzo aqui um artigo retirado do ótimo site www.ordemlivre.org. Trata-se de um texto bastante polêmico de  John Stossel, âncora do programa 20/20 da rede de TV ABC News. Ele é autor do livro Myth, Lies, and Downright Stupidity.

O artigo:

Legalizem todas as drogas


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Por John Stossel

Recentemente, ao ler a popular seção de fofocas do New York Post, surpreendi-me com uma foto minha seguida das frases: “John Stossel, da ABC, quer que o governo pare de interferir no seu direito de ficar chapado. O auditório ficou em silêncio ao ouvir sua defesa da legalização das drogas pesadas”.

Eu participava de um evento do Marijuana Policy Project celebrando o fato de a assembléia legislativa de Nova York ter aprovado uma lei sobre maconha medicinal. Eu disse à audiência que considerava patético que apenas a aprovação parcial de uma lei que permitiria que pessoas doentes pudessem tentar adquirir um remédio merecesse tal celebração. É claro que a maconha medicinal deve ser legalizada. Para adultos, tudo deve ser legalizado. Fico impressionado que a política da saúde seja tão orgulhosa de sua posição.

Depois de anos investigando a guerra às drogas, estou convencido que essa “guerra” causa mais danos do que qualquer droga.

Independentemente do dano, os adultos devem ser os donos de seus próprios corpos, então não é intelectualmente honesto argumentar que “apenas a maconha” deve ser legalizada – e apenas para as pessoas doentes certificadas pelo Estado. Todas as drogas deveriam ser legalizadas.

“Como você pode dizer algo tão ridículo?”, perguntou-me minha assistente. “A heroína e a cocaína possuem efeitos permanentes. Se você usar crack apenas uma vez, estará automaticamente viciado. Legalizar drogas pesadas criaria muito mais viciados, o que levaria a mais violência, a mais mendigos, a mais filhos ilegítimos, etc.!”.

Sua crítica é um bom resumo dos argumentos dos combatentes das drogas. Provavelmente, a maioria dos americanos concorda com o que ela disse.

Mas o que a maioria dos americanos acredita está errado.

Mito No. 1: Heroína e cocaína produzem efeitos permanentes.

Verdade: Não existem provas disso.

Nos anos oitenta, a impressa anunciou que os “bebês do crack” ficavam “permanentemente prejudicados”. A Rolling Stone, citando um estudo feito com apenas 23 bebês, declarou que os “bebês do crack” eram “autômatos, alheios ao afeto”.

Isso simplesmente não é verdade. Não há prova alguma que os bebês do crack venham a ter uma vida pior do que qualquer outra pessoa.

Mito No.2: Se você usar crack uma única vez, ficará viciado.

Verdade: Olhe para os números: 3.8% dos jovens experimentaram crack, mas apenas 0.2% usaram no último mês. Se o crack é tão viciante, por que a maioria das pessoas que experimentaram não usa mais?

Já disseram que era quase impossível parar de usar heroína, mas, durante a guerra do Vietnã, milhares de soldados ficaram viciados e, quando voltaram para casa, 85% deixaram de sê-lo em um ano.

As pessoas têm livre-arbítrio. A maioria das pessoas que usam drogas termina por se ligar e as abandona.

E a maioria das pessoas que usam drogas leva uma vida perfeitamente responsável, como Jacob Sullum mostrou em Saying Yes [“Dizendo sim”].

Mito No. 3: As drogas aumentam a criminalidade.

Verdade: O combate às drogas aumenta a criminalidade.

Poucos usuários de drogas agridem ou roubam outras pessoas quando estão sob o efeito da substância. A maior parte dos crimes ocorre porque as drogas são ilegais e só estão disponíveis no mercado negro. Os traficantes se armam e formam quadrilhas porque têm que se defender da polícia.

Por sua vez, alguns compradores roubam para pagar os altos preços do mercado negro. O governo diz que a heroína, a cocaína e a nicotina são similarmente viciantes, e cerca da metade das pessoas que fumam tabaco e usam cocaína dizem que a necessidade urgente pelo cigarro é tão forte quanto a da cocaína. No entanto, ninguém assalta lojas de conveniência por um maço de Marlboro.

A proibição do álcool nos EUA criou a máfia e Al Capone. A proibição das drogas é pior. Corrompe países inteiros e financia o terrorismo.

O Washington Post publicou: “Stossel admitiu que sua filha de 22 anos não acha que [a legalização] é uma boa idéia.”

Mas não foi o que ela disse. Minha filha afirmou que se a cocaína fosse legal que isso provavelmente levaria a um maior consumo da droga. E portanto a um maior abuso.

Não tenho tanta certeza.

Proibir as drogas certamente não impede que os jovens tenham acesso a elas. Não conseguimos sequer impedir que as drogas entrem nas prisões. Como esperar que consigamos impedi-las de entrar no país?

Mas digamos que minha filha esteja certa, que a legalização levará mais pessoas a experimentar e ficar viciadas. Ainda assim eu diria: a legalização é melhor.

Enquanto as drogas fazem mal a muitos, o combate às drogas faz mal a muito mais gente.

E, o que é mais importante, em um país livre os adultos devem ter o direito de fazer mal a si próprios.

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