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31.10.2008 - 10:13

Cobertura independente

Voltei esta semana de uma cobertura jornalística lá em Brasília. Após uma entrevista com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fomos todos correndo passar matérias para os respectivos veículos. Ao meu lado, estava uma coleguinha da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada pelo governo Lula sob inspiração – no discurso – da BBC. Mantega acabava de falar em R$ 3 bilhões para a construção civil além de outras medidas de combate à crise. Ao passar a matéria, ao meu lado, a repórter lembrou a quem estava do outro lado da linha: “olha, mas não chama de pacote não, viu!”. Já que o presidente disse que não haveria pacote, não seria o jornalismo da EBC que iria desmentir.
 
Há um segundo precedente para isso. O jornalista Luiz Lobo, ex-editor da EBC, saiu da rede acusando de ter seus textos manipulados politicamente. Uma das regras era não poder chamar os dados que a Casa Civil tinha sobre gastos com cartão corporativo no governo anterior de dossiê. A imposição era usar “levantamento de informações”, como havia se referido a ministra Dilma Roussef.

(Renato Lima)

6 Comentários

  1. Eduardo Maia Comentou em 31.10.2008 às 10:39

    É, Renato, cada um tem sua noção parcial de imparcialidade (!)

    Segundo Lula, “jornalismo chapa-branca é muito chato”… É verdade, chato para nós contribuintes que pagamos por uma TV e um sistema de comunicação a serviço do governo e que ninguém assiste!

  2. Paulo Paiva Comentou em 01.11.2008 às 11:09

    Caro Renato

    O jornalismo petralha é isso aí: endeuzar Lula I, O Iluminado. Os moldes a ser seguido é o do “Gramma” de Cuba, onde o comissário Franlin Martins aprendeu.

  3. Paulo Paiva Comentou em 02.11.2008 às 08:39

    Aditamento: vôte, escrevi endeusar com z. Foi mal.
    Paulo

  4. Luís Manuel Domingues Comentou em 03.11.2008 às 11:30

    Impressões sobre a liberdade de impressa
    Jornalismo independente se resume a seguinte formula: o jornalista escreve a materia conforme a sua consciência e os fatos, mas o dono do jornal só publica aquilo que ele quer. Caso o jornalista venha a insistir em publicar o que ele quer e o dono do jornal não quer, ele é demitido. Como foi com o jornalista que noticiou que nas fazendas de Inocêncio Oliveira havia trabalho análogo ao escravo. Por ter publicado a matéria, o JCPM mandou demitir o jornalista. Mas, também, pode ser como faz o Ali Kamel nas redações da Globo: não importa a realidade e sim a versão mais adequada aos interesses do dono da empresa e de seus amigos. Os jornalistas contrários são demitidos.
    Quando o jornalista quer publicar o que ele escreve, monta um blog. É só perguntar para o Renato Lima.
    Atenciosamente,
    Luís Manuel Domingues

  5. Manoel Ferreira Comentou em 03.11.2008 às 18:23

    E ainda que isso aconteça, Luís Manuel, será sempre melhor do que se o patrão referido for o governo.

  6. Luís Manuel Domingues Comentou em 04.11.2008 às 00:56

    Prezado Manoel Ferreira,
    Para quem é subserviente (um daqueles que lambe as botas do patrão), para quem é serviçal (um daqueles que adora puxar aquilo do patrão), para quem é masoquista (um daqueles que adora ouvir reprimenda do patrão), para quem é Mané (um daqueles que ama ser o idiota a serviço da alegria do patrão) o teu consentimento é um estímulo.
    Vai enfrente Mané Ferreira.
    Atenciosamente,
    Luís Manuel Domingues

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