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14.11.2008 - 15:57

A poesia matuta de Jessier Quirino em Porto Alegre

AS POESIAS MATUTAS DE JESSIER QUIRINO
 
Por Fabio Gomes
 
Pela primeira vez, nesta 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, um escritor do Nordeste teve grande público a assistir sua apresentação. A Tenda de Pasárgada lotou para acompanhar o bate-papo da jornalista Ivette Brandalise com o poeta paraibano Jessier Quirino, pela primeira vez no Rio Grande do Sul.
 
Jessier definiu-se como “arquiteto por formação, poeta por vocação e matuto por convicção”. Ivette cobrou-lhe não citar seu lado de ator, pois ela considerou a forma como Jessier diz o poema tão importante quanto o texto em si (Ivette sabe do que fala: já trabalhou como atriz, participando do histórico grupo gaúcho Teatro de Equipe, nos anos 1950-60). Jessier respondeu que não inclui o ator na lista, primeiro, por nunca ter estudado teatral formalmente; segundo, porque esse traço de sua personalidade até antecede os listados – ainda na escola, buscava uma forma de se destacar, por não ter, como seus colegas, nem o pai mais rico, nem o melhor carro, nem ser o mais conquistador. Ele passou a ser respeitado por ser o que melhor se expressava verbalmente.
 
Quanto ao lado matuto, ele esclarece que é mais uma homenagem a esse tipo humano, ao mesmo tempo econômico nas palavras e inteligente nas respostas. Também lhe agrada o vocabulário, principalmente a forma do matuto pronunciar as palavras – “moléstia vira mulésta”. O fato de ter construído sua obra poética a partir dessa figura humana e de sua visão de mundo por vezes gera algumas situações pitorescas. Jessier diz que algumas vezes o público espera um matuto típico; ao vê-lo, a expectativa se inverte (”desse aí não vai sair nada matuto”), sendo vencida pelo excelente domínio de palco e do universo temático que o poeta tão bem demonstrou nesse encontro com o público porto-alegrense. Por tudo isso, creio que deve ser levado à conta de brincadeira sua afirmação de que, após saber que sua obra passou a ser objeto de estudo nas Faculdades de Letras, tem procurado ser mais cuidadoso com o que escreve.
 
Na tarde da quinta, Jessier contou alguns causos e declamou poemas dos livros Bandeira Nordestina e Prosa Morena, que lançou nesta Feira, entre eles uma paráfrase ao clássico “Vou-me Embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira. O poema “Vou-me Embora pro Passado” propõe o passado como uma espécie de paraíso, longe da violência atual e povoado por Buck Jones, Doris Day, o herói do sertão Jerônimo (antigo seriado de TV) e outros ícones dos anos 1950-60. Na maior parte da apresentação, Jessier recitou seus poemas com temas matutos, como “Paisagem de Interior” e “Miss Feiúra Nenhuma”.
 
Ainda nesta sexta, à noite, Jessier faz um recital com entrada franca no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, a partir das 20h.

3 Comentários

  1. oseias de sousa oliveira Comentou em 13.01.2009 às 09:37

    quero comprar um livro do poeta mas não sei o preço

  2. Gildo Lima Comentou em 15.04.2010 às 18:52

    Eu tenho um programa na rádio 93,7 , de seg. a sexta de 16hs as 19hs . Sou radialista e tenho um pessonagem chamado zé Matutinho , gostaria que vc poder mandar causos e prosas , para eu falar durante a programação do forró , ao terminar o texto eu digo quem é o autor , agradeço e espero o retorno do amigo , no meu orkut dmatutocomercial@hotmail.com .

  3. CLÁUDIO CAETANO DE MOURA Comentou em 03.08.2010 às 13:33

    Conheci o Jessier em João pessoa quando ele ainda era estudante de arquitetura, naquela época já se destacava por seus projetos de arquitetura e piadas que contava no escritório, muito gente boa. E utilizando suas próprias palavras: “foi um prazer quase sexual” saber que ele está bem, e fazendo tanto sucesso pelo Brasil afora.

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