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19.11.2008 - 10:58

Balanço da Feira do Livro de Porto Alegre

A 54ª Feira do Livro de Porto Alegre fez uma homenagem aos escritores pernambucanos e o Café Colombo contou com um correspondente na capital do Rio Grande do Sul cobrindo o evento. Fábio Gomes enviou boletins para o programa de rádio, matérias para o blog e ainda uma longa entrevista com o jornalista e romancista Homero Fonseca, que em breve será publicada neste espaço. Agora, ele faz um balanço do evento encerrado neste domingo. Ao que parece, a crise também já se refletiu nas vendas de livro este ano:

FIM DE FEIRA
 
Por Fabio Gomes
 
Em entrevista coletiva realizada na manhã da terça, 18 de novembro, a Câmara Riograndense do Livro (CRL) divulgou os números finais da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. O volume de vendas atingiu 424.046 livros, o que representa uma queda de 8% em relação a 2007. Em função do corte nas verbas solicitadas à Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do estado, este ano não se realizou a pesquisa dos livros mais vendidos. O presidente da CRL, João Carneiro, acredita que este fato contribuiu para uma menor concentração das vendas em poucos títulos, aumentando o fenômeno que denominou como “bibliodiversidade”.
 
Já a freqüência de público aos eventos aumentou muito: a programação artística foi prestigiada por 10.355 pessoas, o que inclui os encontros com escritores e shows realizados na Tenda de Pasárgada, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e no Espaço Pernambuco Nação Cultural. A coordenadora de programação para o público adulto da Feira, Jussara Rodrigues, destacou a participação do estado homenageado:
 
- Pernambuco veio alegrar a Feira, deixá-la mais leve de forma muito gostosa. A aula-espetáculo de Ariano Suassuana foi uma abertura de luxo.
 
A grande atração musical pernambucana do último final de semana da Feira foi justamente o grupo batizado de Fim de Feira. Com um repertório que privilegia o forró, o coco e o baião, intercalados com poemas ao estilo cordel, a banda fez rápidas apresentações nas tardes de sexta e sábado, contando com a participação do cantor Josildo Sá, e sendo antecedida por breve recital do poeta Chico Pedrosa, paraibano radicado em Pernambuco. Pedrosa disse vários poemas e contou causos, como o que narrava os apuros de motorista bêbado parado numa blitz. No domingo, como não havia sessões de autógrafos, todos tiveram mais tempo à disposição na Tenda de Autógrafos: tanto Chico Pedrosa quanto Fim de Feira (com Josildo Sá) se apresentaram durante uma hora. O grupo Fim de Feira privilegiou o repertório de seu CD A Revolução dos Pebas, tocando “Sina de Passarinho” (Bruno Lins – Manoel Filó – Tonzinho) e “Dona Jurema” (Bruno Lins -  Tonzinho). Já Josildo, além de interpretar “O Canto da Ema” (D. Ayres Viana – Alventino Cavalcante – João do Vale), homenageou os gaúchos cantando o samba “Se Acaso Você Chegasse” (Lupicínio Rodrigues – Felisberto Martins). Josildo Sá e Bruno Lins, vocalista do Fim de Feira, participaram também do grande espetáculo da noite do sábado, o da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, regida pelo maestro Forró.
 
Inicialmente programado para o Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o show da Bomba do Hemetério foi transferido para o Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto, um espaço bem mais amplo – o mesmo em que se realizou a aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna. As cadeiras da frente do palco foram removidas, para que o público pudesse dançar à vontade ao som de frevos tradicionais como “Evocação” (Nelson Ferreira) e “Vassourinhas”, tocados de modo nada tradicional – os arranjos do maestro Forró agregam influências do jazz; além disso, tanto o maestro quanto os músicos não apenas tocam, realizam verdadeiras performances no palco. Basta citar o arranjo de “Cabelo de Fogo” (Maestro Nunes), onde os instrumentistas formaram um círculo no palco, sentando-se e parando de tocar, prosseguindo a música através de vocalises (enquanto uns cantavam, outros pulavam e voltavam a se agachar).
 
Os escritores pernambucanos também foram bastante prestigiados pelo público no final da Feira. Assim como Jessier Quirino quinta e sexta, o poeta Marcus Accioly teve grande platéia em seus recitais na sexta e no sábado, tanto que foi convidado a tomar parte na I Maratona de Leitura de Contos, que foi das 10 às 20h do domingo. Como o nome indica, a maratona privilegiou a leitura, por escritores, de contos de autores gaúchos, de modo que a participação de Accioly, lendo seus próprios poemas, pode ser considerada uma honrosa exceção no evento.

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