18.01.2009 - 15:06
Psicanálise da crise e do governo
Artigo deste domingo (publicado no Jornal do Commercio deste domingo) com uma análise da crise econômica e das reações do governo. Torço para que o peso da realidade seja enfrentado e a gente possa sair dessa muito melhor do que entrou, com uma legislação mais adaptada à realidade, que possa gerar mais empregos e oportunidades para todos. Mas insistindo em negar a realidade e ficar nesse discurso de negação ou transferência, nada disso vai acontecer.
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Psicanálise da crise e do governo Lula
Publicado em 18.01.2009
Diz-se, na psicanálise, que uma das primeiras reações quando alguém se depara com algo grave é a negação. Reluta-se a acreditar que tal coisa seja verdade. É um mecanismo de conforto sempre que alguém se recusa a enfrentar uma situação difícil.
A negação não dura para sempre e o paciente acaba tendo que reagir de outra forma. Pode enfrentar a realidade ou utilizar um mecanismo de transferência. Isso consiste em atribuir uma característica ou responsabilidade própria dele a algum outro.
O presidente Lula primeiro disse que no Brasil não teria crise econômica (“É um problema do Bush”) e que, se chegasse aqui, seria uma marolinha. O discurso da negação já foi mudado pelo governo. Depois de ter que editar medidas provisórias liberando recursos das reservas internacionais para intervir no câmbio e emprestar para empresas, reduzir o IPI de veículos novos, possibilitar que bancos públicos comprem sem licitação bancos privados, entre outras medidas, não dá para negar que existe crise e que ela chegou em Pindorama.
Mas mesmo com esses pacotes, o IBGE mostrou que em novembro o comércio teve uma queda de 0,7% nas vendas e o emprego na indústria recuou 0,6%. A produção industrial teve queda ainda maior, de 5,2% em comparação com outubro ou 6,2% em relação a novembro de 2007. Ou seja: a produção teve uma queda bem maior do que o emprego na indústria, mostrando que o industrial segurou o pessoal mesmo com produção em queda. Mas para dezembro já se sabe que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) virão fortemente negativos. O que fez o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, dizer que o governo deveria “punir” os empresários que demitiram e que a crise acaba em dois meses, pois, como segue a filosofia de vida carioca, ele sabe que isso é apenas espuma (quem não acredita confira o Estado de São Paulo de 15 de janeiro).
Num típico processo de transferência, a culpa do desemprego deixa de ser a crise real para a “maldade” dos empresários, que deveriam ser punidos pelo governo. Vale lembrar para Lupi que o problema da inflação no Brasil só foi resolvido quando o discurso fácil e inconsequente que dizia que o problema era originado pela “ganância dos empresários” foi substituído por um plano inteligente, que combinou restrição de gastos do governo, âncora cambial e desindexação.
Hoje, o País precisa de reformas que aumentem a nossa competitividade, como a tributária e trabalhista, o que ajudaria a combater a crise. Na tributária, a que se discute no Congresso inclui a diminuição dos impostos cobrados na folha salarial, o que daria automaticamente um impulso a contratações. Em vez disso, a reforma empreendida foi a ortográfica. É preciso acabar com o recalque desse governo e fazer reformas de verdade, em vez de negar ou transferir problemas.
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(Renato Lima)
Esse é um governo de doido.
Lula é um tremendo enganador ! Tem um discurso para cada lugar em que está. Junto ao MST esculhamba a zelite e diz que o culpado é o agro-negócio. Com os usineiros, diz que o “Brasil muito deve aos usineiros”, e assim por diante. Ele, Lulina e os cumpanhêros estão ricos ! Aliás, Lula, não, Comendadore Luiggi Ignaci (ou você não sabe que ele agora tem nacionalidade italiana, também ? )