22.01.2009 - 09:16
Paulo Paiva e seu Cabanga Club

Durante encontro do Itaú Cultural em 2007, em São Paulo, vi um debate entre José Castello e Raimundo Carrero. Ambos são escritores e mantém oficinas literárias, responsáveis por treinar interessados na arte de escrever. Esse assunto sempre levanta alguma polêmica sobre se é possível formar escritores com base em aulas, mesmo que os professores sejam grandes romancistas ou críticos.
Castello relatou o caso de um advogado, que dominava a língua portuguesa e as estruturas narrativas. Faltava apenas uma coisa, porém, essencial: a imaginação. Sem imaginação, não se faz literatura saborosa.
Lembrei disso ao ler o livro de contos “Cabanga club”, de Paulo Afonso Paiva. São 30 contos, alguns ocupando apenas duas páginas. A qualidade não é linear. Mas a queda se sente não do mediano ao fraco, mas do muito bom ao ligeiramente agradável. Ou seja: ao incluir pérolas ao lado de uma produção mais experimental e menor, percebe-se um autor ainda em construção. Mas que, quando lapidado, pode trazer um diamante de notável brilho.
Esse é o caso do conto que dá nome ao livro, uma simpática passagem de memórias de um velho soldado pernambucano e os bailes que dançava antes de ir para a guerra. Ou o “Ibiúna, 1968″, que utiliza o pano de fundo político para contar, essencialmente, a história de conterrâneos que se encontram em circunstâncias bem diferentes. Paiva tem imaginação na sua escrita e não tropeça nas técnicas narrativas. É um escritor que merece ser acompanhado.
(Renato Lima)
Em um curso de desenho e pintura que fiz ha alguns anos atrás, na espaço cultural Benfica, (recomendo), o professor e artista plástico, Marcelo Bezerra, no primeiro dia de aula, antes de mais nada, disse ” se alguem está aqui esperando se tornar artista plástico, pode pegar o dinheiro de volta, esse curso é técnico, serve apenas para quem quer se valer de artificios, de tecnicas, para um projetar seja lá o que for numa tela, de forma aceitável”….acho que esses cursos, como o de Carrero ou de Marcelo, são válidos para os amantes das artes plásticas ou da literatura, como forma até mesmo de ampliar a sensibilidade perceptiva…enfim, independente de se revelarem grandes artistas ou não, no fim, certamente,serão melhores leitores e expectadores..
[...] breve farei um comentário mais detalhado sobre a nova obra de Paulo, que também é autor do bom Cabanga Club e que já esteve no Café Colombo falando sobre “O Avestruz Voador”. (Renato Lima) Deixe [...]