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10.05.2009 - 09:05

A poupança e a queda nos juros

A rentabilidade da poupança deve cair, mas não por um mau motivo. Finalmente, em termos de juros, estamos nos igualando a países normais, com estabilidade (baixa inflação) e juros de um dígito, como escrevo no JC deste domingo. Na comparação com os demais países, “só” falta ter segurança pública igual, educação igual, sistema sanitário igual, incentivo ao empreendedorismo igual…

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A poupança e a queda nos juros

Publicado em 10.05.2009

Renato Lima
“Afinal, devo tirar ou não o meu dinheiro da poupança?” Essa pergunta já me foi feita diversas vezes, e reflete a desconfiança do brasileiro nas ações do governo, tão acostumado a rasgar contratos, mesmo com pequenos poupadores. É fato, o governo vai mexer nas regras da poupança e a rentabilidade vai cair. A mensagem é curta, mas o presidente Lula não quis dizer isso claramente, o que deu margem para desconfiança. Se fosse sincero, diria claramente que a renda da poupança vai mesmo cair, mas no fundo por um bom motivo: é um sintoma de um País com estabilidade.

Nos anos 80, o Brasil conseguiu manter a sua moeda própria ainda funcionando (e não dolarizada na prática) por causa do mecanismo da correção monetária. O dinheiro todo dia perdia valor, exceto para aqueles que tinham acesso ao sistema bancário e deixavam o dinheiro aplicado no overnight. Com a correção, também era possível fechar contratos, pois sobre o valor nominal existiam os inúmeros índices que corrigiam o que o papel moeda perdia todo dia.

Com o Plano Real, os mecanismos de indexação foram quase todos eliminados. Mas, para conter um excesso de consumo – que poderia provocar inflação de demanda – os juros altos foram usados para manter a estabilidade recém conquistada. Além disso, a remuneração elevada em títulos do governo ajudava na âncora cambial – a captação de dólares de fora para manter o real valorizado. Em 1999, quando aconteceu a maxidesvalorização, os juros chegaram a 45% ao ano, com o objetivo de evitar fuga de capitais e repasse da desvalorização aos preços.

Em nível menor, mas ainda calibrados de forma elevada, os juros seguiram dessa forma nos últimos dez anos. Mas, agora, a tendência é de queda acentuada e a última decisão do Copom determinou a taxa Selic em 10,25%, com previsão de encerrar o ano em 9%. Comparativamente, a poupança começou a ter rendimento elevado e se vai cair é porque o restante da economia está com juros em queda e inflação controlada.

Inflação baixa e juros civilizados implicarão em maior crescimento econômico. Poderia ter sido mais cedo? Muito provavelmente, principalmente se a parte fiscal, a dos gastos do governo, tivesse colaborado.

Juros altos não são um fim em si mesmo, mas um instrumento para perseguir outro objetivo, no caso, inflação baixa. Hoje, é possível dispensar essa muleta, mas não dá para esquecer que só se andou até aqui por causa dela. Disse o sir Isaac Newton: “Se vi mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes.” Mesmo um gênio (ou, por isso mesmo) reconhecia que o conhecimento é cumulativo, que para avançar é preciso se apoiar nas milhares de descobertas e instrumentos que o precederam. Os verdadeiramente grandes são sinceros. É um ganho para o país poder agora reduzir a rentabilidade da poupança se isso representar acesso a crédito mais barato, especialmente o imobiliário.

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2 Comentários

  1. Felipe Tavares Comentou em 10.05.2009 às 20:25

    Tenho lá minhas dúvidas. Primeiro a gente sabe que a renda da poupança vai cair. E a promessa é de que os outros juros também caiam. Será?

  2. Paulo Paiva Comentou em 13.05.2009 às 21:05

    Caro Renato:
    Há cerca de 20 anos Collor fez exatamente isso ! A história se repete (ontem, 12/5, ví Lula I “O Iluminado” dizer na TV que “nada vai acontecer com a poupança “.
    Um abraço,
    Paulo

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