02.07.2009 - 11:41
Marcus Accioly e os bastidores da Academia Pernambucana de Letras (APL)
A pretexto de fazer uma homenagem ao jurista Pinto Ferreira, recentemente falecido, o poeta Marcus Accioly aproveita artigo ao JC de hoje para contar os bastidores de uma concorrida eleição para a Academia Pernambucana de Letras (APL). Segundo ele, apesar da pressão por parte de Silvio Neves Baptista, quem deve ocupar a vaga é o escritor Cyl Gallindo (foto).

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Pinto Ferreira e a APL
Publicado em 02.07.2009
Marcus Accioly
marcusaccioly@terra.com.br
Pernambuco não deu, enquanto vivo, nem sei se vai dar, depois de morto, o devido valor a Luiz Pinto Ferreira. Aliás, não dar valor aos seus valores, tem sido da província o desvalor. Se os de formação em direito e letras (como é o meu caso) reconhecem o nome de Pinto Ferreira, talvez não aconteça o mesmo nas demais profissões. Infelizmente, distante do Recife quando ele partiu, deixei de levar o meu abraço à sua esposa, Ozita (minha parenta) e aos seus filhos. Em nosso último encontro, há algum tempo, Pinto Ferreira estava tão bem disposto que, durante a visita, fez até exercícios para que eu o soubesse em forma. Assim é que ele vai permanecer na minha memória. E, para quem quiser melhor sabê-lo, existe o livro Pinto Ferreira – vida e obra de Manoel Neto Teixeira que, na Academia Pernambucana de Letras (APL), a convite do presidente Waldênio Pôrto, fez a oração da saudade ao professor, jurista, ambientalista, sociólogo, filósofo, senador e, principalmente, escritor Pinto Ferreira. Deixou-nos o mestre inúmeras obras, sobre múltiplos assuntos, publicadas em português, francês, inglês, espanhol e russo.
A morte de Pinto Ferreira é impreenchível em nossa vida: seu vácuo aumentará nosso vazio e seu espaço ficará no tempo. Contudo, pelo menos em um canto, ele terá alguém no seu lugar: na cadeira que ocupou durante 35 anos na Academia Pernambucana de Letras. Portanto, era presumível que muitos escritores quisessem se candidatar à honrosa sucessão. Aberta oficialmente a sua vaga acadêmica, em 13 abril último, Cyl Gallindo, poeta e prosador da minha geração, autor de 17 livros publicados, antologista, representante internacional da revista Francachela, aconselhado por vários acadêmicos (inclusive por mim) fez a sua inscrição. A vaga permaneceu aberta por dois meses, como de praxe. Nomes, como o do meu professor Roque de Brito Alves, foram cogitados. Em 28 de maio, saiu publicada no DP, na coluna do jornalista João Alberto, uma notícia acadêmica com QP de quiproquó: “QPP na academia – sobre nota desta coluna, o advogado e professor Silvio Neves Baptista diz que vai aguardar que a Academia Pernambucana de Letras estabeleça critérios objetivos para decidir se vai concorrer à vaga deixada pelo professor Pinto Ferreira. Para ele, por ora existem apenas especulações na base do QPP – quem pede primeiro”. Ora, a APL, com uma tradição de 100 anos, só agora iria estabelecer “critérios objetivos” para uma candidatura? Por acaso, Gilberto Freyre e João Cabral de Melo Neto, para citar um prosador e um poeta, não passaram pelos mesmos critérios? O fato é que o poeta Cyl Gallindo, com humilde obstinação, já tinha 20 cartas (leiam-se votos) quando o professor Silvio Neves Baptista, em 1º de junho de 2009, inscreveu-se na APL. O tempo era hábil, pois ainda faltavam 12 dias para findar o prazo de inscrição, embora soubesse o professor que, pela palavra e assinatura dos acadêmicos, a escolha já estaria definida, pois com 20 votos se entra na APL.
De repente, começaram os pedidos importantes, cartas, telegramas, artigos e até um abaixo-assinado em favor do professor Silvio Neves Baptista, o que não é de se estranhar em uma concorrência acadêmica. O estranhável (que não partiu do professor e jurista) foi a absurda novidade de que a vaga deixada por Pinto Ferreira era uma “cadeira jurídica” e, como tal, deveria ser ocupada por um jurista. Segundo os Estatutos da APL (exceto se já vigem novos critérios) não há cadeiras específicas para juristas, médicos, professores, datilógrafos, mas, para escritores. Logo, a cadeira de nº 6, cujo patrono é o monge beneditino, político e jornalista, Miguel do Sacramento Lopes Gama – o Carapuceiro – não é uma exceção. Admiro o professor Silvio Neves Baptista e admito que, em outra circunstância, votaria no seu nome, por se tratar de um intelectual.
Não obstante, face à reviravolta dos pedidos, o processo eleitoral da APL passou de QPP – quem pede primeiro – para QPPU: quem pede por último. Crendo que os últimos serão os primeiros no reino dos céus e que, no reino da terra, um poeta não desmereça um jurista e vice-versa, com todo respeito ao jurista, continuo com o poeta Cyl Gallindo, a quem dei o meu voto desde o início, não porque ele pediu primeiro, mas (em se tratando de uma disputa para uma Academia de Letras) por outro QPP: Quero o Poeta e o Prosador – Quero Prosa e Poesia.
» Marcus Accioly é poeta
Então quer dizer que a candidatura do outro foi para a pqp, é isso?
Grande bosta essa APL. Bota todo mundo pra dentro logo!
Cyl, você vai ficar lindo no fardão! Um beijo!!
Com pressão que causa até má impressão; com imprecação ao Senhor ou a “outro poder”, não adianta:
SÓ VAI DAR GIL GALLINDO.
Abaixo nosso humilde grito de guerra, inspirada em vc Marcus!
QPP: QUEM PODE, PODE!
QPP:QUEREMOS O POETA E POESIA!
Só lembrando , tá tudo ligado não….Segunda 29, foi-se também um pouco de nós, o advogado e professor …. Godoffredo da Silva Telles Jr.”ESCRITOR” ,VALE CONFERIR … http://www.goffredotellesjr.adv.br
Membro honorário de muitas academias inclusive a de letras e de letras jurídicas.
Um Marco contra a Ditadura em carne e verbo!
Em sua homenagem eu escrevo aqui o meu Adeus!
E que na Cadeira de seu colega Luiz Pinto Ferreira o” Verbo” se faça carne e habite entre nós!
Estava pensando com meus botões….chamar de bosta o lugar onde concentra o maior número de grisalhos brilhantes e interessantíssimos por metro quadrado, sem falar no charme e elegância singular de cada um, com todo respeito as senhoras da casa, eu acho um insulto!Brincadeirinha com todo respeito!
Se pudéssemos colocar todo mundo pra dentro logo (POETA E PROSADOR) seria ótimo, mas o perigo é que nem todos que se dizem poetas e prosadores o são de verdade , acho que ia dar confusão…Mas como somos um, quando um verdadeiro poeta se senta lá ,saiba que todos se sentam com ele também, espero que os candidatos tenham consciência disso !
viva a poesia! Ela é amor e nada pode vencer o amor!Nem a morte!Salomão não se sentou em nenhuma cadeira mas a sua poesia inspirada está aqui e agora!
Beijão
Ana