02.07.2009 - 22:51
Pequena, mas charmosa.
Na carona do período de realização de mais uma Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), a revista EXAME desta quinzena (ed. 946) dedica seu painel Grande Números ao mercado editorial.
A revista aponta que, em número de visitantes, a maior feira de livros do Brasil é a FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE (RS), evento que recebeu 1,7 milhão de visitantes na edição mais recente. O segundo lugar é da Bienal de São Paulo (728 mil) e o terceiro da Bienal do Rio (645 mil). Pernambuco, com sua Bienal, fica em quarto lugar (550 mil).
Mesmo se realizando no mês de julho e sendo mais antiga, por exemplo, que a Bienal de Pernambuco, a edição anterior da FLIP recebeu apenas 20 mil visitantes. A diferença gigante é explicada pelo fato da FLIP não ser um evento de “pavilhão” como os quatro primeiros lugares. O conceito de “festa” a transforma em atrativo turístico para a cidade e em roteiro de charme, além de posicioná-la como uma celebração mais refinada do produto “literatura”.
Sandes, o G1 está com uma boa cobertura e também transmissões ao vivo, em http://g1.globo.com/Sites/Especiais/0,,15700,00.html
A propalada “bienal” de Pernambuco recebe muito confete oficial, mas é uma pobreza só! A última edição não passou de uma feira de livrarias (atenção: LIVRARIAS, QUASE TODAS LOCAIS), todas cobrando caro, e o volume de negócios tenho uma forte impressão alimentado principalmente pelo “bônus” da secretaria de educação do estado. Nada contra o bônus, até porque com a miséria que pagam ao professor, não fazem mais do que a obrigação. Mas falta transformar a “bienal” em um evento que realmente atenda aos vários perfis de leitores, aproxime autores e leitores, enfim.
Outra questão séria em relação a nossa (nossa quem, cara pálida?!) “bienal”. A presença de autores locais é extremamente necessária, óbvio. Mas o que acontece aqui é que isso é usado como cortina de fumaça para esconder a falta de investimento para trazer autores importantes nacionais. Por exemplo, na última, foi o aniversário de 70 anos de Ziraldo, homenagens e andanças pelo país inteiro, menos… Pernambuco!!! Ah, mas alegrem-se leitores!!! Nossa feira é repleta da prata da casa (é?!!!). Agora mesmo: aniversários do pasquim, de Maurício de Souza, o genial Ignacio de Loyola Brandão com o seu “O menino que vendia palavras”, Chico Buarque e seu “Leite derramado”, excelentes livros de pesquisa histórica (Mary del Priori, Ronaldo Vainfas), mas nós: somos bairristas, provincianos e nos orgulhamos do fechamento local!!! Que nada! Não se põe é uma graninha extra pra trazer os autores importantes. Ah, ainda tem o que se chama de “crítica” (lembram: aqueles caras que não sabem escrever e se especializam em falar mal de quem o faz?) que fazem pose de intelectual citando o nome de dois ou três autores semi-desconhecidos, trazidos de algum recôndito lugar do mundo. E aí acham que já está tudo feito. Bem, sou apaixonado por livros e leitura, mas infelizmente acho que quando entrar na bienal vou ver mais do mesmo: stands das livrarias locais, o stand do senado, a petrobrás distribuindo sacolinhas e informando que estão lutando para a preservação dos oceanos!!!, alguns brincantes de maracatu rural, a indefectível passista de frevo, e a imensidão de propagandas que me dizem do quanto eu sou feliz por poder estar na “bienal do livro de Pernambuco”.