Café Colombo

Blog do Café

06.07.2009 - 10:06

Jornalismo perde Ronildo Maia Leite

Do Jornal do Commercio de hoje. Mais em instantes:

————–

Adeus a um mestre do jornalismo
Publicado em 06.07.2009

O jornalista Ronildo Maia Leite faleceu ontem, vítima de infecção respiratória. Deixou muita saudade, grandes histórias e um exemplo para as novas gerações

Um dos grandes nomes do jornalismo pernambucano, o escritor e jornalista Ronildo Maia Leite morreu ontem de manhã aos 78 anos, vítima de infecção respiratória. Ele estava internado havia 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Esperança, na Ilha do Leite, área central do Recife. Ganhador de quatro prêmios Esso, um dos mais importantes do País, Ronildo era apaixonado pelas letras e ajudou a formar várias gerações de jornalistas.

O enterro será hoje, às 11h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. Ontem à tarde, no velório, parentes e amigos foram se despedir do jornalista. A boina que o acompanhou há décadas, tão marcante em sua figura, não foi esquecida pela família.

“Era a marca do meu pai. Por isso decidimos enterrá-lo com ela”, explicou o filho mais novo e único a seguir a mesma profissão do pai, Augusto Leite, 23 anos, repórter de economia da Folha de Pernambuco. Casado três vezes, Ronildo teve oito filhos e 11 netos. Cinthya Leite, 28, a neta mais velha, é repórter de suplementos do JC.

A saúde do jornalista ficou fragilizada depois que ele sofreu um acidente vascular cerebral, em dezembro de 2006. Desde então, teve que ser internado três vezes. “Ronildo era muito inteligente, inquieto, notívago, antenado com as novidades. Foi um dos primeiros jornalistas a usar computador”, afirmou a viúva Isa Fernandes Maia Leite, com quem o escritor foi casado 28 anos.

Waldimir Maia Leite, 83, irmão de Ronildo e também jornalista, ficou muito abalado. Devido à idade, esteve pouco tempo no velório, mas deve ir ao enterro. “Papai está muito triste”, contou um dos filhos de Waldimir, Emanuel Leite, lembrando o espírito visionário do tio quando, já na década de 80, ele realizava videocrônicas.

Para o diretor de redação do JC, Ivanildo Sampaio, Pernambuco perde um dos seus grandes jornalistas. “Convidei Ronildo para trabalhar no JC, no final dos anos 80. Antes, ele havia sido meu chefe no Diário da Noite”, relembrou. “Ele se preocupava muito com o título.” Ivanildo cita a manchete que rendeu um prêmio ao colega: “Um branco fuzilou a paz”, publicada no Diário da Noite, sobre a morte de Martin Luther King, em 1968.

O jornalista Inaldo Sampaio considerava Ronildo um mestre. “Ele foi meu grande professor. Com três meses de formado, fui chamado por Ronildo para trabalhar na sucursal do Globo. Lá fiquei por 14 anos. Ética, responsabilidade com a notícia e apuração rigorosa foram coisas que aprendi com ele”, destacou Inaldo. “Ronildo era um dos melhores repórteres de nossa geração. Criava ótimas manchetes. Foi preso, como eu, na época do regime militar”, relembrou o jornalista Carlos Garcia.

Em sua própria definição, “um homem das letras”
Publicado em 06.07.2009

Nascido em Garanhuns, no Agreste, em outubro de 1930, Ronildo Maia Leite começou cedo no jornalismo, profissão que desempenhou por cinco décadas. Com 14 anos, já fazia o Garanhuns Diário, jornal semanal. Trabalhou em todos os jornais do Recife (Jornal Pequeno, Diário da Manhã, Folha do Povo, Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio). Na sucursal do Globo ficou 19 anos. No JC, escreveu, por mais de uma década, a coluna Bom Dia, Recife.

Teve 15 livros publicados. Ganhou quatro Prêmios Esso: com a as reportagens A Cidade Invicta e Exu, 200 anos de guerra, publicadas no Diário de Pernambuco. No JC, conquistou outras duas edições do Esso, com as reportagens 10 anos da Anistia e Pernambuco no centro do golpe. Recebeu ainda uma menção honrosa, do mesmo prêmio, com o texto Baleia dando sopa na costa, japonês fisga, publicado na Revista do Nordeste.

Em entrevista aos colegas Evaldo Costa, Rossini Barreira e Homero Fonseca, para o livro Palavra de Jornalista, lançado em 2006, Ronildo relatou histórias interessantes da sua carreira. “Um hábito que sempre tive: ficar no trabalho e só ir pra casa de madrugada, com o jornal debaixo do braço”, afirmou. “Fui o primeiro jornalista do Brasil a transmitir uma foto colorida pelo telefone, depois de um jogo do Santa Cruz e Flamengo”.

Em outro trecho, disse: “A minha vocação mesmo não é escrever. A minha formação é tipografia. Não sou um homem de letras, sou um homem das letras. O jornalismo para mim é um acidente topográfico e tipográfico.”

4 Comentários

  1. [...] Descanse em paz, Ronildo. Pernambuco tem muito a lhe agradecer por esse longo trabalho jornalístico e a vibração pela reportagem que você sempre demonstrou. [...]

  2. Léa Dolores Gomes Leite Comentou em 12.07.2009 às 16:23

    Meu pai gracioso,

    Deus já deve ter lhe concedido um belo lugar: cheio de energias positivas. Foi isso que o senhor nos transmitiu desde sempre: amor à vida e principalmente às pessoas, pois o seu maior prazer era arrancar, através de suas brincadeiras inteligentes, um sorriso ou gargalhada de cada um que encontrava no seu caminho… sorte destes, pois sua marca pessoal de verdade e espontaneidade ficará em nossos corações… TE AMO PARA SEMPRE. Sua filha Léa.

  3. ronildo camargos Comentou em 24.09.2009 às 13:16

    foi uma grande perda pra todos nos,sentimos muito,…

  4. Sydia guimarães Comentou em 09.12.2009 às 10:46

    Passei parte da minha infância na casa de Léa, filha de Ronildo , fomos e somos grandes amigas, tive o privilégio de conviver com o bom humor dele, que Deus o guarde sempre.
    Sydia Guimarães

Deixe um comentário


Anuncie no Café Colombo

Café Colombo - Seu programa de livros e idéias
Conteúdo publicado sob Licença Creative Commons

Wenetus