27.07.2009 - 18:16
Golpe ou destituição? Crise em Honduras vista por um intelectual espanhol
José Herrera, da Fundación para El Análises e Los Estudios Sociales (FAES), envia-me um texto recente com suas análises sobre a crise Hondurenha. Vale a pena se informar sobre o caso antes de tecer qualquer comentário, pois, como dizia Gilberto Freyre, é mais fácil ter opinião sobre as coisas do que fazer nó de gravata. Então, que a opinião seja refletida.
Zelaya foi eleito em 2005 por uma plataforma mas passou a governar por outra quando se aproximou de Hugo Chávez. E é o ditador venezuelano que está na raiz da crise Hondurenha. Ele acenou com um acordo de venda de petróleo com juros mais baratos para Zelaya, que em troca deveria entrar na Alba e apoiar o projeto chavista. Zelaya pôs em curso uma tentativa de mudança constitucional, inclusive com a proposta de reeleição, o que é proibido pela Constituição de Honduras. A Constituição chega a dizer, explicitamente, no artigo 42: “La calidad de ciudadano se pierde:
5. Por incitar, promover o apoyar el continuismo o la reelección del presidente de la República”. A Constituição daquele país prevê reformas (emendas), mas tem suas cláusulas pétreas, e uma delas (artigo 374) é justamente a de proibir modificar a duração do mandato presidencial. E José Herrera pergunta, corretamente, se o que Zelaya sofreu foi golpe ou destituição, diante do texto constitucional.
O autor aponta a contradição da política externa de vários países na questão de Honduras. Os mesmos países que condenam o bloqueio a Cuba (onde o poder se passa de um irmão para o outro e ainda se prende por crimes de opinião ou mesmo opção sexual) pedem por bloqueios econômicos a Honduras. Em suas palavras: “No falta razón a quienes denuncian, como los demócratas venezolanos o los disidentes cubanos, el doble rasero de estos mismos organismos. Los mismos que solicitan la asfixia económica para Honduras condenan el bloqueo de los Estados Unidos hacia Cuba; quienes hace tan solo unas semanas han abierto de par em par las puertas de la OEA a la dictadura más antigua del continente han propuesto sacar por la puerta de atrás de la misma institución a Honduras por cumplir su Constitución. Los abusos de la familia Castro o de Hugo Chávez quedan impunes y reciben El silencio cómplice de quienes ahora expresan enérgicos comunicados de condena en relación a Honduras.”
Herrera ainda comenta os dois erros de Hugo Chávez na questão de Honduras, que ele tratou como um país a mais no seu tabuleiro de War. Leia o texto completo no site da Faes.
(Renato Lima)