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10.11.2009 - 09:37

20 anos do muro

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Há 20 anos caía o muro que a Alemanha Oriental, socialista, construiu para evitar que sua população fugisse do paraíso para a exploração capitalista. Aquele muro caiu, levando consigo quase todas as ditaduras do Leste Soviético. Mas ainda hoje o direito de ir e vir é proibido para milhões de pessoas, como no caso da blogueira cubana Yoani Sanchez, que foi proibida de lançar o seu livro no Brasil. Ou para a população da Coréia do Norte, que não pode ter nem acesso a informações sobre o que acontece no resto do mundo.

Em 2006 estive no que sobrou do Muro de Berlim em um programa do Goethe Institute, que além de incluir a capital alemã continuou por Potsdam, Leipzig, Magdeburgo, Weimar e a hoje esquecida Bonn, que já foi a capital da Alemanha Ocidental. As diferenças estão ainda vivas, embora a reconstrução e a disparidade de renda tenham diminuído. Entretanto, por exemplo, a segunda língua da população mais velha no lado oriental é o russo. E mesmo em Berlim há nítidas diferenças entre casas do lado ocidental e do lado oriental. Com o tempo essas diferenças vão se apagando e é importante saber que parte do Berliner Mauer foi preservada pela população justamente para ser sempre lembrado que ali estava um muro que separava um mesmo povo por motivos políticos.

Dos vários sites que destacaram os 20 anos do evento, o da revista Dicta & Contradicta está realmente especial. São quatro relatos e cinco textos de análise, como este de Nelson Ascher:

“… Toda uma geração cresceu e chegou à idade adulta desde 1989, e tanto os acontecimentos daquele ano quanto as esperanças que despertaram parecem extremamente remotas. Não é difícil, contudo, entender o que, naquele momento, provocou um otimismo até desmesurado. A Guerra Fria havia perdurado por quase meio século e fora travada, no mundo inteiro, entre os mais diversos países e mesmo no interior de muitos. Cada qual desses conflitos tinha raízes e motivos próprios, mas o fato de se desenrolarem no contexto de uma conflagração maior criou a ilusão de que, uma vez que esta terminasse, nada mais havia nem haveria de suficientemente grave para contrapor populações e desencadear guerras. Inspirada também na unificação de um continente –o europeu— cuja desunião deflagrara duas guerras mundiais, essa visão otimista acreditava na iminência da paz universal e depositava suas esperanças em instituições multilaterais e organismos transnacionais. Prevalecendo, à sua maneira, em parte substancial do mundo desenvolvido, sobretudo na Europa ocidental, tal otimismo impede seus adeptos de levarem a sério ameaças como a do jihadismo ou fundamentalismo islâmico e do neopopulismo autoritário de esquerda que se afirma na América Latina. O curioso é que, tendo se esquecido das origens de seu otimismo na derrota da tirania comunista, os otimistas fazem agora causa comum com os derrotados de 1989, aqueles que não tomaram o desmoronamento do bloco soviético como uma refutação de suas crenças. Talvez seja justamente por causa dessa estranha aliança que, embora até haja alguma celebração, fala-se tão pouco sobre/e se investiga menos ainda o sistema que ruiu junto com o Muro de Berlim.”

(Renato Lima)

Um comentário

  1. Carla Marino Comentou em 24.11.2009 às 00:03

    Novos ventos que vêem do sul…
    Olá, Renato e todos. Por um acaso, vocês tomaram conhecimento de que, no último dia 21/11, foi proclamada a vitória de uma chapa liberal para o DCE da UFRGS (pela primeira vez na história, dizem)? Será que outros muros começam finalmente a cair nessas plagas brasileiras? Mais notícias aqui: http://www.dcelivrechapa3.blogspot.com/; e aqui: http://andersondiz.blogspot.com/2009/11/direita-vence-no-dce-da-ufrgs. html. Abraços.

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