05.03.2010 - 18:29
Samuel Costa e o mundo de Felisberto
O mundo de Felisberto
-Vamos ‘’na’’ praia mulher? A pergunta retórica e, em tom de desespero, não abalou a mulher sentada no sofá, a tricotar uma toalhinha branca.
- “Tas’’ doido homem, ir pra praia, com um tempo desses, vê senão amola! Eulália sequer levantou os olhos para encarar o marido ao proferir essas palavras. A ‘’espanhola’’, bem sabia que os rompantes do marido, não iam parar por ali.
-Vê se cria juízo homem! Foi só comprar essa ‘’lata velha’’, pra tu ficar todo assanhado…- e de fato, após se aposentar, Felisberto enfim tirou sua ‘’carta’’ de motorista, e comprou um Fusca 68. O ‘’Fusca’’ era um sonho a muito sonhado, e só agora realizado. E o mundo de Felisberto, outrora, tão pequeno em relação de tempo e espaço, agora ganhara limites nunca antes imaginados. E esse ‘’novo mundo’’, tão vasto de possibilidades, já não cabia a espanhola. E Felisberto, de repente, pensa nas coisas que ela teve que passar para casar com ele, um simples operário, pobre e negro. E uma olhada para a decoração da casa, Felisberto se sente estranho, só agora parece notar os ‘’excessos’’ da mesma. E diz de si para si mesmo: – Droga de casa, por mim botava tudo abaixo.
-To indo pra praia mulher, se ‘’que’’ ficar, então fica…não ‘’to’’ nem ai pra ti mulher! E assim se deram as coisas, um conforto que ‘’Lola’’, a espanhola, renunciara há décadas, seu marido descobrira na velhice. E após muitas idas e vindas com o Fusca 68, Felisberto enfim pede o divórcio.
Por Samuel Costa contista em Itajaí SC