11.03.2010 - 22:16
Cotas universitárias na literatura de Ricardo Feirnstein
Em breve o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a constitucionalidade das cotas raciais no Brasil. No País em que essa experiência foi maior, os EUA, a Suprema Corte já julgou contrariamente à discriminação por raça, embora esteja aberta a discriminações positivas de outra forma. Nos EUA as opiniões ainda são bastante divididas sobre o assunto, mas mesmo dentro da comunidade negra há quem defenda que cotas prejudicaram o desenvolvimento dos estudantes. Sobre o assunto um livro recomendado é o Afirmative Action Around the World: An Empirical Study do economista doutor pela Universidade de Chicago Thomas Sowell. Por sinal, negro e conhecido pela sua independência intelectual.
Mas cotas não são uma coisa nova. O livro Mestizo, do judeu argentino Ricardo Feierstein, em uma passagem, relata o caso das cotas universitárias na atual Polônia, ainda antes da primeira guerra mundial. A universidade substituía o sistema de mérito pelo de proporção de pessoas na região, além de outras determinações políticas. Então, para 100 estudantes, 94 tinham que ser poloneses, quatro ucranianos e apenas dois judeus. O Mestizo de Feierstein não é uma mistura de raças, mas uma mescla cultural, que faz com que o protagonista se sinta um pouco argentino e um pouco herdeiro das várias terras pelos quais a sua família percorreu. Um livro que fala de perseguição e da busca de identidade, memória, e os sentidos de ser nacional e estrangeiro num País. E, como a ciência ja desacreditou toda a ideia de raças humanas diferentes, o que sobra, de fato, é o caráter cultural.
(Renato Lima)
Racismos
Critiquei o sistema de cotas raciais antes mesmo que fosse adotado no país. Sempre me pareceu que a questão era conduzida com autoritarismo e mistificações, por parte de defensores e adversários. Políticas compensatórias deveriam objetivar a diminuição das desigualdades, nada mais. Inserir um diferencial étnico destrói esse espírito, principalmente onde os afro-descendentes representam a maioria da população.
É perigoso abraçar o revanchismo histórico: todo radical possui algo de justiceiro. Basta lembrar, por exemplo, como os nazistas usaram a derrota na I Guerra e como o expansionismo israelense usa o Holocausto para justificar seus respectivos abusos. Podemos obrigar as gerações atuais a corrigir os erros de seus antepassados? Devemos cobrar o mesmo de Portugal, e nossos vizinhos da Espanha? Como satisfazer, daqui a séculos, quem responsabilizar as empresas transnacionais pelos males do mundo?
As cotas serão endossadas pelo STF. Claro, será melhor assim, seus benefícios suplantam qualquer obstáculo teórico. Mas os protagonistas deste importante momento de reconstrução democrática poderiam deixar um legado menos maniqueísta e, enfim, “racial” para as sociedades futuras.
Se o STF endossar as cotas raciais estará derrubando a Constituição: o Art. 5 diz: “todos são iguais…”. Cota racial é de uma burrice homérica num país em que todos somos mulatos. Devia haver é cota social. Esse negócio de afrodecendente é de jumentice atroz. Tenho um amigo que diz: “eu sou negro. Não sou é crioulo, que é uma racça de cavalo e nem sou afrodescendente, que é criação dos babacas politicamente corretos.