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13.03.2010 - 22:55

Umberto Eco e a permanência do livro

O Estado de São Paulo traz uma entrevista com Umberto Eco sobre a vida do livro. Em breve será publicada no Brasil a obra “Não contem com o fim do livro” em que ele defende a permanência dessa tecnologia tão bem resolvida que é o livro de papel. Essa resposta resume bem o espírito do seu pensamento sobre o tema: “O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.”

Ah, entre os veículos jornalísticos que anunciam o fim do livro a cada dez minutos eu incluiria o Digestivo Cultural. É um site muito bom, mas tem uma mania de torcer para o fim dos jornais e um entusiasmo pelos dispositivos eletrônicos de leitura que de tão repetido soa ingênuo. Especialmente em vista de uma pesquisa do economista-chefe do Google, Hal Varian, diagnosticar que as pessoas gastam mais tempo lendo jornais que notícias online. Em sua pesquisa, a média de atenção gasta por dia com notícias online foi de 70 segundos enquanto o jornal físico levou 25 minutos de atenção diária.

(Renato Lima)

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