01.05.2010 - 15:20
The passion of Ayn Rand (filme)
The passion of Ayn Rand (filme)
Por Renato Lima
Entre muitos adeptos da filosofia da liberdade e da defesa da iniciativa individual, o nome de Ayn Rand é um dos que mais despertam sentimentos contraditórios. Sem dúvida ela é lembrada pela sua importância na divulgação de ideias anti-totalitarismo coletivista através dos seus romances como The Fountainhead (A Nascente, na edição brasileira) ou Atlas Shrugged (Quem é John Galt?). Entretanto, sua personalidade difícil ajudou a afastar até mesmo pessoas próximas.
No Brasil, pouco se conhece de Ayn Rand, mas ela é leitura obrigatória em círculos de debate liberais, como na formação dos líderes do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) do Rio Grande do Sul, promotores do Fórum da Liberdade. Uma das poucas obras locais é de autoria do economista Rodrigo Constantino que sumarizou as ideias de Rand com o título “Egóismo racional – o individualismo de Ayn Rand.” Nos EUA, onde ela fez sua carreira após conseguir sair da Rússia comunista em 1926, há várias obras sobre Rand e uma delas é o filme “The passion of Ayn Rand” (1999), baseado no livro de mesmo nome da autora Barbara Brenden. A direção é de Christopher Menaul e Helen Mirren interpreta Ayn Rand.
Barbara era casada Nathaniel Branden e os dois se aproximaram de Ayn Rand por admiração a suas ideias. Mas Rand se aproximou tanto de Nathaniel que se tornaram amantes, apesar da diferença de 25 anos entre os dois. Rand e Branden abrem o jogo para os seu companheiros (Ayn era casada com o ator Frank O’Connor, apresentado como um simpático idiota sem iniciativa no filme) e pedem permissão para viver essa vida dupla abertamente entre eles. Faz lembrar Sartre e Beauvoir, e essa ideia (utopia?) de que é possível separar perfeitamente vida amorosa, sexo e casamento.
Nem Frank nem Barbara gostam da ideia, mas acabam aceitando – Rand exerce um poder quase hipnótico às pessoas que a cercam. Nathaniel colabora na divulgação das ideias do objetivismo de Rand, que é a filosofia da razão, individualismo e do capitalismo. Chega a soar ingênua a ênfase num racionalismo exacerbado como único fator de conhecimento e tomada de decisão. Afinal, existe o inconsciente e as tomadas de decisão por impulso e por razões que nós mesmos desconhecemos – “A interpretação dos sonhos” de Freud é de 1900 e marca o começo de uma virada intelectual em busca do inconsciente.
A Ayn Rand que sai do filme é aquela figura de personalidade atrativa, que conseguiu reunir seguidores a seu lado, bem sucedida na divulgação de suas ideias, mas um péssimo ser humano para conviver. Isso porque ela usava seu poder de atração de forma quase despótica, utilizando as pessoas e descartando quando não mais lhe interessam. Assim foi com o seu jovem amante Nathaniel. Em um momento ela o nomeou como herdeiro intelectual mas, ao se ver trocada por uma jovem e bonita mulher, rejeitou-o a ponto de mandar tirar o nome de Nathaniel na dedicatória das edições de Atlas Shrugged. Para quem gosta do assunto, é interessante olhar esse lado pessoal da vida de Ayn Rand descrito no filme, mas sempre é bom ser cauteloso pelo fato de ser uma história contada sob a perspectiva de um dos lados, no caso, a mulher traída (Barbara).

Posso contar uma curiosidade? As ideias dela embasaram a criação do universo ficcional de um jogo de videogame chamado Bioshock, que fez muito sucesso nos anos recentes. Abraços!
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