31.05.2010 - 00:19
No toca-fita do meu carro, uma cancão me faz lembrar você.
Após o circo, espero a roda gigante do parque de diversões. Na mosca! Antes, já tínha observado as estradas desertas com um cenário que quase não se transforma, o oásis na forma de posto de gasolina (com quartos que fazem valer o conceito beira-de-estrada e as meninas que vendem amor nas proximidades das bombas), o casal idoso e cristão (isolado nesse mundo de “meu Deus”), a casal rural ‘cheia de gente’ (ainda sem energia elétrica), as caravanas de romeiros, a agitação das feiras populares (com a catedral em Caruaru), os “bregas” (boite) animados a forró, o incansável trabalhador (que tanto faz sapato, colchão ou tapa buraco)…
Para os acostumados com o sertão e seus tipos, tudo parece familiar. Incluindo a monotonia da cidade vazia – especialmente num Domingo, junto com a promessa e os impactos do desenvolvimento (a água que chega, que desloca gente, que cobre lugares e faz surgir outros).
“Viagem Porque Preciso Volto Porque Te Amo” está próximo mesmo é do documentário, não do simples roteiro ficcional. Já que, para além da paisagem conhecida, quantos e quantos, perdidos em desertos geográficos e de sentimentos, não vivem o mesmo de José Renato e lidam diariamente com o vazio próprio e com o das pessoas que encontram.
(Marcelo Sandes)
PS: “No toca-fita do meu carro, uma cancão me faz lembrar você” faz parte da obra de Bartô Galeno.
Meu líder, quando você começou pensei que estava descrevendo uma viagem a Petrolândia, como a nossa. :)
Serviço: o filme “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, saiu de cartaz do cine da Fundaj por conta do festival Varilux de cinema francês, mas volta a ser exibido apartir do dia 11/06 neste mesmo cinema!!!*