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05.08.2010 - 09:18

Raimundo Carrero e o celular

Do JC de hoje, sobre o nosso premiado (e desligado, heheheh) Raimundo Carrero:

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» LITERATURA
Carrero anuncia nova trilogia
Publicado em 05.08.2010

Contrato para publicação de Seria uma sombria noite secreta já está assinado. Escritor negocia tradução de suas obras

Por um motivo prosaico, o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2010 ficou mudo quase todo o dia de ontem. O escritor Raimundo Carrero foi procurado por dezenas de amigos para felicitá-lo pela conquista obtida com Minha alma é irmã de Deus e por jornalistas ansiosos por entrevistá-lo. Mas o telefone celular dele estava fora de área e sem bateria. Por não ser muito ligado em costas triviais do dia a dia, ele simplesmente esqueceu de carregá-lo. Depois de receber o troféu e o cheque simbólico no valor R$ 200 mil pelo maior prêmio literário em valor pago no Brasil, Carrero participou de um jantar de confraternização a convite de sua editora, Luciana Vilas Boas, da Record, juntamente com o companheiro de casa editorial Edney Silvestre, vencedor como autor estreante por Se eu fechar os olhos agora. Carrero dormiu tarde e só acordou a tempo de pegar o voo para o Recife. Exausto, chegou em casa no início da noite de anteontem e foi descansar. Para o mundo, literalmente, ele e o celular só entraram no ar ontem pela manhã. E ele deu logo uma boa notícia: já assinou contrato para a publicação do romance Seria uma sombria noite secreta, o primeiro livro de sua nova trilogia e negocia a tradução de sua obra.

Ontem, Carrero ainda curtia a ressaca da premiação. “A cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo foi bela e rápida”, diz Carrero. Começou com o escritor, compositor e jornalista Cadão Volpato apresentando os concorrentes. Depois falou, não mais do que cinco minutos, o secretário da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo. Em seguida, foi exibido um filme com um minuto de cada concorrente e feita a entrega dos troféus e cheques simbólicos. “Nesses cinco minutos foi uma maluquice. Fiquei muito nervoso, emocionado, e pensei que podia me controlar. Fiz um esforço imenso para não chorar. Não ia passar por velho ridículo…”

Carrero, no íntimo, sentia que seria vencedor. “Durante muito tempo, acreditei nisso. Mas a surpresa do anúncio do nome não foi menor…” O Prêmio São Paulo de Literatura deve abrir muitas portas para o escritor. “Acho que além de trabalhar mais intensamente a minha obra para no País. Os brasileiros não conhece bem a minha obra”, diz o escritor, que já havia vencido o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional com Minha alma é irmã de Deus, que encerra a tetralogia Quarteto áspero. O livro também ganhará divulgação durante o Festival de Gramado, graças à adaptação feita pela cineasta Luci Alcântara, que foi selecionada para a mostra de curtas.

TRADUÇÃO

Outro mercado no qual Carrero está de olho é o internacional. O agente literário francês Stephane Chao vem conversando com Carrero sobre a publicação de suas obras no exterior. “Espero algum avanço no mercado internacional, o que deve acontecer. Por enquanto não posso fazer revelações porque estamos negociando… As coisas estão indo bem… Os contatos são proveitosos. Vamos avançar, sim”, diz o escritor, otimista.

Com tantos títulos e prêmios publicados, Carrero há décadas aguarda a tradução de sua obra para outra língua. Uma frustração que espera ter fim. Afinal, a primeira experiência de ter romance lançado no exterior não se concretizou. “A dupla face do baralho foi traduzido para o inglês, por Arthur Brakel, mas houve problemas com as editoras e terminou não saindo”, lamenta.

ESTÍMULO

O Prêmio São Paulo de Literatura vem aplacar um pouco a ansiedade com a qual Carrero se vê obrigado conviver por temperamento. Saber que tem uma boa quantia de dinheiro na conta o deixa mais aliviado no seu dia a dia. Ao mesmo tempo, a responsabilidade e o reconhecimento pelo prêmio lhe servem de combustível para continuar produzindo todo dia. O novo romance já está pronto. E tem um título à Carrero: Seria uma sombria noite secreta. “É uma frase do romance Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce. É meu segundo romance pela Record. Já assinei o contrato. Sai no primeiro semestre do próximo ano…”, adianta.

“Trata da relação de amizade – ou de amor ? – entre o humilde Alvarenga e a arrogante Raquel”, explica o escritor. Alvarenga e Raquel são personagens de romances anteriores e aparecem em Somos pedras que se consomem. “Na verdade, resolvi fazer um encontro de contas com alguns personagens que esperavam por um aprofundamento psicológico. Será uma trilogia, que começa com este romance e segue com outro que já estou escrevendo: Breviário da paixões deste mundo, com Leonardo e Ísis, e segue com um terceiro ainda sem título. Aliás, o título da trilogia é Comigo a natureza enlouqueceu”.

Na entrega do Prêmio São Paulo Literatura, Raimundo Carrero ainda recebeu os elogios pelo lançamento de A fragmentação do humano, fotobiografia coordenada pelo jornalista Marcelo Pereira, que o apresenta de corpo inteiro para o leitor e serve de cartão de visita para conhecer a sua obra. “Foi uma coincidência muito feliz. Todos gostaram”, comemora o escritor.

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