19.08.2010 - 13:11
Brasil caminhando em direção a uma ditadura
É o que dá a depreender deste texto do cientista político Bolivar Lamuonier:
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Sim, a eleição deste ano envolve certo risco autoritário
por Bolívar Lamounier
Quem examinar o quadro brasileiro neste momento poderá estranhar minha preocupação com efeitos possivelmente mexicanizantes e autoritários do presente processo eleitoral. Mas política, para invocar o mais gasto dos chavões, é como nuvem. As formas que ela está assumindo hoje poderão não se repetir daqui a seis meses, um ano ou dois anos.
“Mexicanização” não significa supressão pela força das liberdades e garantias constitucionais. Não é (nem requer necessariamente) um golpe de Estado.
É, isto sim, uma supressão da competição politica e eleitoral. A “mexicanização” pode conviver com certo grau de pluralismo político, desde que controlado ou consentido- como aliás ocorreu nas 6 décadas durante as quais o PRI exerceu incontrastado domínio sobre a vida mexicana.
Um país pode chegar (ou cair) em tal situação por diversos caminhos. Atentos à conjuntura latinoamericana – especialmente ao que se passa na Nicarágua, na Venezuela e na Bolívia -, alguns analistas temem a instauração entre nós de um “chavismo branco” . Fazendo ampla maioria no Congresso, o governo poderia, por exemplo, implementar uma adrede concebida reforma política, com o objetivo de assegurar por muito tempo a posição dominante da aliança partidária PT-PMDB, que o respalda.
Eu tenho ponderado que um processo desse tipo talvez nem seja necessário. O que uma estratégia “mexicanizante” ou “chavista” requer é a esterilização política da oposição. Isto é óbvio : o cerne da democracia é a possibilidade da alternância no poder. Onde não há uma oposição com chances reais de ascender ao comando do Estado, não há democracia.
Atualmente, no Brasil, a possibilidade de uma oposição eficaz passa necessariamente pelo PSDB. Um projeto de poder de longo prazo, hegemônico, requer o virtual aniquilamento politico-eleitoral dos tucanos.
Como já se notou, um país pode ser “levado” à uma situação mexicanizada, ou pode “cair” simplesmente nela. A esterilização da oposição pode resultar de uma estratégia do poder momentaneamente existente ou de uma conjunção de erros, acidentes de percurso, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas.
O ponto que eu mais tenho martelado diz respeito à estratégia eleitoral montada pelo presidente Lula, nem um pouco sutil em seu objetivo de alvejar em cheio a oposição tucana.
Tenho também ressaltado a maleabilidade clientelista que praticamente anula a vitalidade democrática porventura existente no PMDB, e certos traços ideológicos dos quais o PT parece longe de se livrar, e que emprestam a esse partido uma coloração indisfarçavelmente autoritária.
Na deslustrada e autoritária visão luliana, o que conta é a eliminação do adversário da hora, ou sua domesticação. Não caminhamos para uma ditadura “virtuosa” no estilo mexicano (PRI), mas para uma ditadura “malandra” que nos custará caro.
[...] Brasil caminhando em direção a uma ditadura [...]
Parabens pela sua propositura. Precisamos de maiores esclarecimentos a respeito do que está acontecendo no nosso país e porque não dizer na nossa américa. Se concretizada essa deslustrada e autoritária visão luliana (como disse Valder Palombo), já estou com pena das crianças, adolecentes e jovens de hoje e das futuras gerações. Teremos no nosso Brasil o que já temos na Venezuela de Chaves: mais torturas e mortes do que no Iraque.