24.08.2010 - 10:56
Vocação, por Reinaldo Azevedo
O jornalista Reinaldo Azevedo acaba de receber o título de cidadão emérito de Dois Córregos, a sua cidade natal em São Paulo. No final do texto em que ele relata o evento, há esse trecho que revela desde cedo a disposição para o trabalho de jornalista e crítico cultural e político:
“Há muitos tempo, eu tinha uns 13, 14 anos, ao lado de um fogão de lenha, com o fogo já apagado, mas o carvão ainda em brasa, meu avô materno — Terenciano — interrompeu a minha leitura e perguntou o que eu iria fazer da vida: “Vou escrever”. Ele se preparava para ir para a cama. Desfez o nó da corrente do relógio de bolso, caminhou para a sala de jantar e pendurou-o num ganchinho que havia na parede, como fez a vida inteira. E de lá me disse:
— Escrever é bom! Até amanhã!
— A benção, vô!
— Deus te abençoe!
Aquele relógio segue na parede da minha memória. E talvez eu só seja, lembrando de novo Drummond, um “menino antigo”.
Minha grantidão a quantos me proporcionaram uma noite tão feliz!
“Escrever é bom!”
Por Reinaldo Azevedo”