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Uma fração do todo é a sugestão de Carol Bensimon

Uma-fração-do-todoA escritora gaúcha Carol Bensimon sugeriu aos ouvintes do Café Colombo a leitura de Uma fração do todo, livro de estreia do australiano Steve Toltz e que foi lançado no Brasil em 2011. “A escrita tem um humor muito particular, explorando personagens bizarros que vão contando um pouco da história australiana”, adianta.

530 – Carol Bensimon e “Todos nós adorávamos caubóis” – 2 – Entrevista

carol_smallO Café Colombo em sua edição de número 530 conversou com a escritora gaúcha Carol Bensimon. Ela esteve no Recife durante a Bienal do Livro de Pernambuco de 2013, lançando o seu terceiro romance “Todos nós adorávamos caubóis” (Companhia das Letras). A obra é um road novel de personagens em busca de sua identidade. Carol também já foi incluída na lista dos melhores jovens escritores brasileiros da revista inglesa Granta, compilada em 2012. Confira a entrevista feita por Thiago Correa.

530 – Carol Bensimon e “Todos nós adorávamos caubóis” – 1

O Café Colombo em sua edição de número 530 conversou com a escritora gaúcha Carol Bensimon. Ela esteve no Recife durante a Bienal do Livro de Pernambuco de 2013, lançando o seu terceiro romance, “Todos nós adorávamos caubóis” (Companhia das Letras). Nesta primeira parte do programa, Thiago Correa traz destaques de lançamentos, incluindo a reedição do livro “Umbilina e a sua grande rival” do premiado escritor Cícero Belmar.

O tributarista e também poeta Ives Gandra Martins ganha edição nobre de suas poesias

A Livraria Resistência Cultural Editora, que também edita outros escritores de peso como Ângelo Monteiro, acaba de lançar uma edição das poesias completas do jurista Ives Gandra Martins. Bastante conhecido pelos seus trabalhos na área tributária, artigos em jornais e defesa da liberdade econômica, Gandra Martins é também poeta, com produção reconhecida por nomes como Arnaldo Niskier e Carlos Nejar. Abaixo, mais informações sobre esse lançamento:

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A Livraria Resistência Cultural Editora – www.resistenciacultural.com.br – tem a honra de entregar ao público a Poesia completa de Ives Gandra da Silva Martins. Com prefácio do Príncipe dos Poetas Brasileiros, Paulo Bomfim, e apresentação do pianista e maestro João Carlos Martins – irmão do Poeta –, esta Poesia completa traz na íntegra, divididos em doze títulos, todos os poemas publicados por Ives Gandra da Silva Martins, revistos minuciosamente pelo Autor, que considerou esta versão a definitiva, além de numerosos poemas inéditos, enfeixados no volume Cicatrizes do tempo.

Reconhecida por escritores do porte de um Geraldo Vidigal, de um Oscar Dias Corrêa, um Paulo Bomfim, um Arnaldo Niskier, um Cláudio Lembo e um Carlos Nejar – cujas apreciações estão reproduzidas nesta edição comemorativa – como uma das mais importantes da Geração de 45, a poesia de Ives Gandra Martins, refinada e elegante, ocupa-se dos temas que constituem a própria tradição literária do Ocidente: a Vida, a Morte, o Amor, a Fraternidade Universal, a verdade absoluta que é Deus. Ruth – a companheira de mais de meio século e, sobretudo, a amada – está presente em cada verso deste livro, simbolizando o farol a iluminar o caminho do Poeta, tal como Beatriz o fizera, nos albores da Idade Média, com o vate florentino.

Título: Poesia completa
Autor: Ives Gandra da Silva Martins
Formato: 16 x 23
Número de páginas: 754
Encadernação: Capa dura
ISBN: 978-85-66418-05-7
Edição e Organização: José Lorêdo Filho
Capa, projeto gráfico, ilustrações e diagramação: Caroline Rêgo

Pedidos – site do Expresso Liberdade: http://expressoliberdade.com.br/produto/poesia-completa-de-ives-gandra-martins/

Marguerite Duras: dez dias para comemorar seu centenário

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No ano em que o mundo celebra o centenário de nascimento da escritora, pensadora e cineasta Marguerite Duras (1914-1996), a Aliança Francesa Recife promove dez dias de eventos na unidade do Derby com apresentação de espetáculos, debates, performances e música, além da exibição de filmes. A celebração ainda conta com menu temático e um mercado de pulgas à la Paris. O encerramento, no dia 15, é com um mercado gastronômico para celebrar a primavera.

A programação começa nesta quinta-feira (06) com a peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”, novo monólogo da atriz Ceronha Pontes, escrita e dirigida por Cláudio Kovacic, idealizador do evento e apaixonado pela obra de Duras. O espetáculo terá nove apresentações em formato de anfiteatro e marca a segunda atuação da atriz para um ícone francês (a primeira foi Camille Claudel). Na quarta-feira, haverá uma pré estreia somente para convidados.

Outro destaque da programação cênica é a única apresentação do solo “OssoVao”, de Silvinha Góes, no dia 13, às 21h. Nele, a bailarina escritora provoca o público com palavras e poesia. Desta vez, ela usará trechos escritos de Marguerite Duras em sua preparação.

O cinema tem destaque com os filmes da obra de Duras, como “Hiroshima, meu amor” (1959), roteirizado por ela e dirigido por Alain Resnais, e “O amante” (1992), baseado no livro (1984) mais famoso da autora, vencedor do Goncourt, o mais prestigiado prêmio literário da França.

A entrada da peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras” custa R$ 15. O restante da programação é gratuita. Confira abaixo a grade completa:

Quarta, 5

12h – Estreia do menu temático “Claudius”, no Bistrot La Comedie, com cardápio elaborado a quatro mãos pelos chefs Cláudio Manoel e Cláudio Kovacic*
*Todos os dias do evento, o menu será oferecido no almoço e no jantar, com entrada, prato principal e sobremesa no valor de R$ 35. Também estão no cardápio quitutes para serem degustados durante todo o dia, a R$ 20 cada.

20h – Avant première da peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”
Com coquetel para convidados

Quinta, 6

18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Estreia para o público da peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Sexta, 7

16h45 – Falemos de Duras: envolvendo os alunos da Aliança Francesa na programação
do centenário de Marguerite Duras
18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Sábado, 8

15h às 19h – Simplesmente Gênero: Documentários
“The ballad of genesis and lady jayne”, “Mon cerveau a t-il un sexe ?”, “Françoise Héritier et les lois du genre”, “XXY” e “Pleure ma fille, tu pisseras moins”
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Domingo, 9

10h30 às 18h30 – Marche aux puces
Bazar com brechó (A Vaca Foi para o Brechó, Ateliê de Carol Monteiro e Wundabar), aquarelistas (Dan Cabral e Dani Pessoa), desenhos de Dani Acioli, livros do La Seboza Páginas Ambulantes, origamis de Eva Duarte, instrumentos artesanais do Castanho Instrumentos Percussivos, peças do Artes Artesanatos Reciclados, astrologia, dança, apresentação da banda de percussão Adamante e comidinhas de cozinheiros novos e divertidos da cidade
18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Segunda, 10

18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Terça, 11

18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”
21h15 – Simplesmente bissexualidade: “barbi-papo” entre Tatiana Ranzani Maurano (psicóloga social especialista em assuntos LGBT) e convidados

Quarta, 12

18h – Mostra de Artes Visuais – Fundaj
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”
21h15 – Simplesmente no limite: vinho e verbo com Beatriz Ivo (jornalista e consultora sênior especialista em marketing e comunicação) e convidados

Quinta, 13

18h – Exibição do filme “Hiroshima, mon amour”
20h – Peça “Pouco me importa se tu me amas. Eu sou Duras”
21h – Solo de dança “OsseVao”, de Silvinha Góes

Sexta, 14

17h – Exibição do filme “O amante” + bate-papo com Catarina Andrade (Cineclube da Aliança Francesa Recife)
19h – Apresentação ao ar livre de violino e violoncelo

Sábado, 15

11h às 17h – Alegoria da primavera: encerramento dos festejos com performance da artista visual Isabela Faria, performance musical de tango de Mayra Clara Vitorino, mercadinho de quitutes, música e dança. Participam do mercadinho: Kovacic A Arte de Cozinhar, Ana Claudia Frazão, Siwichi, Vegetariano, Sociedade Vegana Brasileira, Lucas Piubelli, A Comedie, Nathalia Mesquita Drink’s, Mrs. Peppers – Charcutiere, O Tapete Mágico e outros.

SERVIÇO:

Descobrindo Marguerite Duras
Quando: De 6 a 15 de novembro, com pré-abertura no dia 5 para convidados
Onde: Aliança Francesa do Derby (Rua Amaro Bezerra, 466)
Acesso gratuito, com entrada a R$ 15 para a peça “Não importa se tu me amas. Eu sou Duras”

Lançamento de livro sobre 64

Saindo pela nova Editora Resistência Cultural o mais novo livro de Aristóteles Drummond, “Um caldeirão chamado 1964”. A obra retrata a versão de Drummond sobre os acontecimentos que inauguraram o regime militar instaurado após a deposição de João Goulart, e atualmente alvo do escrutínio da Comissão da Verdade. Fartamente ilustrado, o livro traz apresentação do Gen. Leônidas Pires Gonçalves, prefácio de Marco Maciel e posfácio de Paulo Henrique Cremoneze. A organização é de José Lorêdo Filho, com capa e projeto gráfico de Caroline Rego. Obra que tem tudo para levantar polêmica.

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Tradutores pernambucanos

O JC de hoje vem com uma interessante matéria de Carolina Leão sobre tradutores em Pernambuco. Confiram:

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» LITERATURA
Traduzir significa verter uma paixão
Publicado em 13.06.2010

Mais por diletantismo do que pela recompensa financeira, tradutores pernambucanos de várias gerações se dedicam ao ofício de passar para o português autores de suas preferências

Carolina Leão

Especial para o JC

Traduzir, como exercício diletante, sempre foi sinônimo de status para intelectuais, políticos e diplomatas pernambucanos. Menos elitista nos dias atuais, a arte continua sendo produzida, porém, por uma minoria. Poetas, artistas solitários, pequenos grupos de intelectuais que se reúnem para discutir poesia e, certamente, analisar as versões criadas por escritores para clássicos da literatura universal. Associados à criação poética, tradutores como José Lira, Everardo Norões, Diego Raphael e Artur Ataíde mostram uma produção que vem se destacando, pela regularidade com a qual vem sendo feita e a discussão que provoca. Gerações de tradutores que revelam, afinal, um modo particular de pensar a recriação de uma outra língua.

Artur, 28 anos, atualmente com a tradução do poeta inglês John Donne, cujo lançamento está previsto para o segundo semestre, pela equipe da revista literária Crispim, começou a ainda na graduação em Letras. Com Yeats, porque não havia encontrado equivalente apropriado do autor no nosso português. Para ele, a questão é cultural. “Raramente aprendemos, hoje, a ler poesia, a ouvi-la: esse problema, que começa nas escolas e atravessa a universidade, acaba reverberando nos últimos elos dessa cadeia, ou seja, nas próprias obras de poesia e de tradução”, acredita.

Artur já trabalhou com produções em italiano, inglês e alemão. Seu processo criativo começa na relação de intimidade mantida com o texto original. “No caso dos poemas, é muito comum que os acabe decorando, deixando-me contaminar o máximo possível com seus ritmos, além meditar o mais cuidadosamente possível sobre a importância de quaisquer vocábulos-chave”, completa.

O tradutor José Lira, 64, se prepara para lançar o livro Emily Dickinson: novos poemas, sequência de tradução da escritora americana iniciada em 2006 e editada pela editora Iluminuras. Com a Editora Coqueiro, ele tem publicado traduções em folhetos de cordel (o próximo número tem Sonetos de Shakespeare). Lira conta que a motivação para a carreira surgiu quando resolveu se arriscar na tradução de O corvo, poema de Edgar Allan Poe que tem cerca de 20 versões no nosso idioma. “Conheci esse poema ainda criança, há quase meio século, através de Machado de Assis. Na minha época, vivendo no interior, a tradução era a única forma de entrar em contato com a literatura universal”, detalha.

A pernambucana Ana Helena Souza, 44, atualmente morando em Belo Horizonte, se especializou em Beckett, embora tenha traduzido T.S. Eliot, Emily Dickinson e George Orwell. “Beckett é um autor de uma prosa extremamente elaborada tanto em inglês quanto em francês. Era um autor bilíngue e autotradutor dos seus textos. Ou seja, um prato cheio para quem gosta de tradução. Daí decidi traduzir Como é, que ainda era inédito no Brasil, e fazer um estudo sobre a sua prosa”, detalha. Depois disso, veio o convite da Globo Livros para fazer traduções de Molloy e O inominável, que estavam esgotadas no Brasil desde os anos 80.

Aos 82, Milton Lins é um tradutor tardio. “O escritor Edson Nery diz que nunca vi ninguém aproveitar tanto a aposentadoria tão bem quanto eu”, brinca. Ele publicou seu primeiro livro traduzido em 98, com poemas de Rimbaud. Com 17 publicações literárias, sendo 10 delas de tradução, Lins acaba de receber um prêmio de tradução da Academia Brasileira de Letras.

Diego Raphael, 34, também se aventurou pela tradução ao perceber que poderia traduzir textos ainda sem versão em português. “Comecei a fazer pra mim, do jeito que eu queria que elas fossem”, conta o tradutor, que começou com os sonetos de Miguel de Cervantes. Depois de um tempo, Diego fez uma antologia dos poemas que gostava e poderiam ser traduzidos por ele. Estudou hebraico, grego, italiano e aprofundou o inglês e espanhol. “É meio viciante conhecer uma língua. Não só do ponto de vista linguístico, mas histórico. Você começa a entender a região, o curso da história. Compreende melhor o ser humano. Passei a entender melhor o que era uma língua e o homem traduzindo. Para mim, foi mais importante que ler Freud, Aristóteles e Platão”.

Recentemente, Diego teve uma de suas traduções, Vida nova, de Dante, plagiada pela Martin Claret. “A edição mudou uma coisa ou outras, mas a essência é a mesma”, explica. Ele detalha que somente o próprio tradutor pode perceber quando foi plagiado, porque cada artista utiliza as suas alternativas técnicas e estéticas para dar sentido à ideia que quer passar com a recriação.

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Tradutor no Brasil tem pouco valor
Publicado em 13.06.2010

A modernidade é reconhecida, na arte, pela assinatura, o estilo individual, a subjetividade. Todas as escolas e tendências modernas se valem do artista como sujeito único, autor de uma obra, que, muito embora, seja entrecortada pelo contexto histórico no qual ele se situa, sobressai-se em visibilidade justamente pela assinatura do autor. O ofício da tradução, no entanto, é o que menos colhe os louros dessa lógica.

“As pessoas simplesmente não prestam a atenção na tradução. Ela é desvalorizada e mal paga”, acredita o doutorando em teoria literária da UFPE Conrado Falbo, 28 anos. Ainda que as premiações atualmente dediquem condecorações específicas à tradução, o campo ainda sofre com sua obscuridade compulsória. Raramente, as capas de livro trazem o nome do tradutor, embora também seja dele o processo de resignificação, ou criação, de uma ideia produzida em outra língua.

O assunto tem ficado acalorado com a discussão sobre direito autoral. “Há poucos dias, assinei um manifesto, encabeçado pelo poeta e grande tradutor, Ivo Barroso, de apoio à Denise Botmann, tradutora que vem fazendo uma campanha extremamente importante contra o plágio e o mal uso da tradução por certas editoras. Enviei o teor da petição a vários escritores de Pernambuco, mas verifiquei depois que pouquíssimos assinaram a lista”, lamenta Everardo Norões, 66. Denise Botmann mantém hoje o blog www.naogostodeplagio.com.br, onde discute tradução, estética e sua legalidade.

“Penso que o trabalho de tradução no Brasil é pessimamente pago e certas editoras usam de expedientes, inclusive o plágio, para não remunerarem como deviam um trabalho intelectual sério. Ora, se não começarmos a tomar posição em torno de questões dessa natureza, o que acontecerá depois? Vamos deixar de abrir espaços para muitos intelectuais jovens, de vocação literária, que encaram a tradução com o devido respeito”, acredita Norões.

José Lira defende que fazer poesia no Recife é um empreendimento autoral: “As editoras locais não dispõem de estrutura empresarial por ser baixo o retorno mercadológico nessa área. Mas é preciso também ter em mente que traduzir poesia não é ofício que se aprenda na escola, é mais uma aptidão pessoal que tem a ver com os dons artísticos de uma pessoa e não com a sua capacitação profissional”.

Ana Helena, que saiu do Recife para fazer pós-graduação em São Paulo, no final dos anos 1980, destaca, porém, que o endereço do tradutor não tem a menor importância hoje. “Agora moro em Belo Horizonte e faço trabalhos para uma editora sediada em São Paulo. Não vejo por que não poderia trabalhar como tradutora também no Recife”.

Apoio a revistas literárias

JC de hoje, num bom texto de Carolina Leão, levanta o debate sobre o resultado de subsídios do governo federal a revistas, que acabou deixando de fora algumas produções culturais:

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» POLÍTICA CULTURAL
Revistas literárias ficam sem apoio
Publicado em 21.04.2010

Exigências colocadas pelo edital do Ministério da Cultura, voltado para publicações de arte, impossibilitam participação de pequenas editoras

Carolina Leão

Existem 4.432 títulos de revistas sendo publicadas no País atualmente. Um mercado opulento que, confirma a Agência Nacional de Editores de Revistas (Aner), produziu 4,3 bilhões de reais, só no último ano. O segmento de cultura, apesar do status que sempre teve no imaginário jornalístico, representa apenas 3% desse movimento, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

Prestigiado no seu nicho, integrado por intelectuais, artistas e formadores de opinião, o setor de cultura vive um processo de eugenia, sendo consumido e lido, em sua maioria, por sua própria cadeia produtiva. O Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura, do MinC, aberto no segundo semestre do ano passado, deu um passo à frente na popularização do setor. No entanto, seu resultado, divulgado no último mês de março, vem sendo questionado por editores como Ademir Assunção e Marcos Losnark, da paranaense Coyote, que se submeteu à licitação e hoje critica a contemplação de revistas consideradas comerciais, como a Rolling Stones – franquia nacional da conceituada revista pop americana. Nos blogs literários, a discussão aumenta e se distorce. No Academia Mutante, por exemplo, as revistas Caros Amigos e Speak Up estão erroneamente como contempladas.

O edital, aberto em setembro de 2009, diz que poderiam participar da seleção pública “pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, que tenham por ofício a publicação de impressos de periodicidade mensal, bimestral ou trimestral distribuídos em território brasileiro, com ênfase mínima de 35% do conteúdo direcionado para cultura e artes”. Ao todo, concorreram 60 revistas, sendo quatro e, posteriomente, nove eleitas. São elas: Rolling Stones, Viração, Raça Brasil, Brasileiros, Piauí, Cult, Carta na Escola, Jornal Rascunho e Fórum Outro Mundo em Debate. Todas analisadas por dois integrantes da comissão paritária que utilizou como parâmetro a proposta editorial, a qualidade estética, o compromisso socioambiental e a repercussão de cada publicação.

A concentração de projetos inscritos seguiu um padrão convencional. O Sudeste marcou presença com 45 títulos, sendo 31 deles apenas do Estado de São Paulo. No Sul, foram nove e, no Nordeste, cinco. O edital teve apenas um projeto da região Centro-Oeste. O investimento total está orçado em R$ 2,1 milhões, com a aquisição, pelo MinC, de sete mil assinaturas de cada um desses periódicos, a serem distribuídos em bibliotecas públicas, Pontos de Leitura, Pontos de Cultura e outros equipamentos e espaços culturais. Um detalhe: as próprias revistas ficam encarregadas da sua distribuição, do Oiapoque ao Chuí. Tarefa bem mais difícil para as publicações independentes.

“Aparentemente, parecia um edital muito bom que abriria a possibilidade para publicações menores aumentarem sua tiragem e leitores. Mas o resultado foi trágico. O que se viu foi a contemplação de revistas já constituídas no mercado editorial”, lamenta Marcos. Segundo o editor, a reprovação da Coyote, que tem apoio da Prefeitura de Londrina, foi por questões técnicas, difíceis de serem cumpridas em publicações não comerciais. “Eles pediam assinatura e site por mais de três anos, um papel específico, o ecológico. Só revistas de mercado conseguem atender a esse padrão”, defende o editor da publicação, que existe há cinco anos e já lançou mais de 180 poetas.

Fabiano dos Santos, diretor do programa Livro, Leitura e Literatura, do Ministério da Cultura, concorda com a crítica de que publicações literárias como a Coyote, tradicionais no Brasil, ficaram de fora no resultado final. Mas adianta ao Caderno C que em maio será lançado um novo edital especialmente voltado às publicações literárias. Para ele, no entanto, as exigências cobradas pelo MinC foram mínimas. “Era só a editora verificar, na gráfica mesmo, o número de tiragens. Algumas revistas não conseguiram comprovar e foi dado um prazo para elas ”, coloca. Sobre as críticas a revistas comerciais contempladas, Fabiano destaca que os critérios de análise são subjetivos da comissão, formada por pesquisadores e professores universitários, membros da sociedade civil. “O MinC nunca é maioria na comissão”, coloca.

A Rolling Stone não quis se pronunciar diretamente sobre o resultado. Por meio da assessoria de comunicação, a publicação afirmou que cumpriu todas as exigências solicitadas e, por sua reconhecida qualidade, foi contemplada pelo edital de fomento a publicações. “A escolha pelo Ministério da Cultura ocorreu de maneira absolutamente transparente e rigorosamente dentro das exigências da legislação”, detalhou, pela assessoria Linhas e Laudas.

USP x Freyre

O Jornal do Commercio traz interessante matéria sobre a homenagem que a FLIP fará a Gilberto Freyre. A Feira será aberta com palestra de Fernando Henrique Cardoso, justamente da escola detratora de Freyre. O interessante é que Freyre poderia estar na banca de doutorado de FHC a convite de Florestan Fernandes, mas declinou do convite na época. A relação já começava a não ser muito amistosa. Freyre preferiu não discontar as suas diferenças com Fernandes num jovem aluno, em sua banca de doutorado.

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» FESTA LITERÁRIA
Rixa antiga movimenta Paraty
Publicado em 13.04.2010

A Flip, que este ano homenageia Gilberto Freyre, escolheu FHC, um dos maiores antagonistas de suas ideias, para discorrer sobre sua obra

Schneider Carpeggiani

Carolina Leão

Especial para o JC

Homenageado deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o legado de Gilberto Freyre será recepcionado por um nome intrigante: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, notório uspiano, que fará a conferência de abertura do evento. No universo intelectual, poucas querelas foram mais famosas que a envolvendo a USP e o pernambucano, a partir dos anos 60 – época em que o sociólogo FHC emergiu como um dos focos de oposição. O antagonismo da disputa intelectual marcou decisivamente a própria imagem da USP como bastião do pensamento de esquerda no Brasil e reservou a Gilberto Freyre a pecha de conservador, reducionismo do qual até hoje ele não escapa. Passadas quatro décadas do embate, a universidade mais influente do País tem um dos seus filhos mais ilustres, Fernando Henrique, como cicerone da sinuosa obra de Freyre. Ironia do destino ou mudança ideológica?

A pesquisadora Fátima Quintas, um das maiores estudiosas da obra freyreana na antropologia, revela que o assunto ainda é assombrado e que “não é fácil lidar com fantasmas”. “É claro que o Brasil mudou, a USP mudou, mas permanece o fantasma dessa briga entre a USP e Freyre. É um assunto muito famoso”, lembra. Para ela, a escolha do ex-presidente talvez aponte uma verdadeira mudança na forma da USP enxergar o trabalho de Gilberto. Mas Fátima tem suas ressalvas: “Fernando Henrique fez um prefácio ambíguo para Casa-Grande & senzala. Não é um texto de elogios. Isso levar a crer que sua conferência na Flip não será simplesmente elogiosa, o que pode ser interessante também”, acredita a antropóloga.

O freyreano Edson Nery da Fonseca, secretário e amigo íntimo do Mestre de Apipucos, também remete ao prefácio de Casa-Grande & senzala, escrito pelo executor do Plano Real para a última edição da Global Editora. “A aproximação de FHC com Gilberto Freyre ocorreu com o prefácio de Casa-Grande, que eu não gosto. Numa entrevista para a Revista Veja, Fernando Henrique disse que Gilberto Freyre romanceava a escravidão. Eu enviei uma carta à revista questionando como alguém que escreveu tanto sobre o sofrimento dos escravos poderia estar romanceando a escravidão? Num livro que reunia essas entrevistas, ele suprimiu essa questão”, destacou.

A biógrafa de Freyre, Maria Lucia Pallares-Burke, autora de Um vitoriano nos trópicos, uma das organizadoras da homenagem da Flip, admite que não se lembrava da antiga ligação de FHC com a USP e suas ideias sobre Gilberto Freyre. “Tenho certeza de que a diretoria da Flip também não se lembrou”, continuou. Só na próxima semana, a biógrafa terá mais detalhes sobre a homenagem da festa literária. “O que posso adiantar é que serão realizadas três mesas discutindo o legado freyriano”. Maria Lucia recorda, ainda, que FHC decretou o ano 2000 como o Ano Nacional Gilberto Freyre. Segundo a pesquisadora, o convite ao eterno uspiano surgiu por ele ser uma figura internacionalmente conhecida e intelectualmente respeitada. “O convite nada tem a ver com a sua antiga ligação com a USP e com suas ideias dos anos 1950 e 1960 sobre Gilberto Freyre. O Brasil mudou desde então, e o FHC também não é mais o mesmo, tendo mudado muitas de suas posições mais críticas a Freyre, a levar em conta suas manifestações dos últimos tempos”, destaca.

A socióloga Maria Eduarda Rocha, que fez doutorado na USP nos anos 90, quando a universidade começou a revisitar o pensamento de Freyre, acredita que o atual reposicionamento da instituição não implica a revisão da idéia de Freyre como conservador. “O que, convenhamos, por sua posição no pós-64, fica difícil”, destaca. Para a pesquisadora, o interesse vem do reconhecimento da sua originalidade na leitura da sociedade brasileira. “Tanto do ponto de vista da sua enorme capacidade de imaginação sociológica na interpretação de fatos cotidianos quanto do ponto de vista da grande sacada que foi aproveitar as contribuições do irracionalismo para olhar o Brasil, sem cair na armadilha de nos medir com uma régua racionalista que não dá conta das especificidades de nossa cultura”, argumenta.

A Flip acontece de 4 a 8 de agosto de 2010. Até agora foram confirmados: o inglês Terry Eagleton, o irlandês Colum McCann, o britânico William Boyd, o indiano Salman Rushdie, o israelense Abraham B. Yehoshua, a iraniana Azar Nafisi e a americana Lionel Shriver.

Politização coloca sociólogo numa gangorra
Publicado em 13.04.2010

O marco zero do embate USP X Gilberto Freyre encontra-se na exposição pública do intelectual paulista Florestan Fernandes, marxista considerado o pai da moderna sociologia brasileira, responsável por liderar a “hostilidade” do templo quatrocentão à obra do Mestre de Apipucos. A resistência à interpretação freyreana do Brasil, considerada conservadora e elitista pelos intelectuais de esquerda da USP, foi somada ao apoio político do pernambucano à ditadura militar, à qual ele se aliou, delatando, inclusive, supostos comunistas – segundo depoimentos divulgados pela imprensa ao longo dos últimos 20 anos. Tempo também que a própria USP começou a “admitir” uma revisão do pensamento de Freyre.

A socióloga Maria Eduarda Rocha diz que quando chegou à Universidade de São Paulo, em meados dos anos 1990, ainda existia uma visão corrente de Freyre como conservador, por oposição ao caráter progressista do pensamento de Florestan Fernandes. “Na prática, a rejeição a Freyre era uma tomada de posição pró-Florestan, diante da celeuma entre os dois. Não imagino a sociologia da USP sem o grande vulto de Florestan, e isso ainda era muito sensível quando estudei lá. Mas, no tempo em que fiquei em São Paulo, vivi o que considero um marco na revalorização do pensamento de Freyre: a edição especial dos Novos Estudos Cebrap, com depoimentos de intelectuais de grande renome internacional acerca do impacto de Freyre em sua obra”, detalha.

Num artigo Gilberto Freyre na USP publicado no jornal O Globo em comemoração ao centenário de Freyre, celebrado em 2000, o filósofo Olavo de Carvalho, pró-Freyre, tenta resumir a oposição entre os dois. “Para Gilberto, o Brasil forma uma civilização original, onde a miscigenação avassaladora lançou as bases de um novo modelo de convivência entre raças, tendendo a neutralizar espontaneamente conflitos e diferenças. Para Florestan, o escravismo criou uma sociedade estratificada, que, ao converter-se de agrícola em industrial, reservou a melhor quota das oportunidades para os brancos, repetindo, no conflito das raças, a luta de classes”, diferencia Carvalho. O filósofo, partindo de uma oposição a Florestan, defende que o que Gilberto apreende são traços profundos, duradouros, que marcam a originalidade de uma cultura em formação e dos valores que ela tem para dar ao mundo. “O que Florestan descreve é uma situação temporária, que pela própria evolução econômica vai se dissolvendo e tende a desaparecer”, coloca.

O cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundaj, parte de um outro ponto de vista: a natureza ideológica desse conflito. “Tais desavenças resultaram de suas opções políticas. Afirmo isso baseado na própria trajetória de Freyre, que entendo como um ‘claro enigma’, pois ele quase sempre foi um intelectual do establishment”. Túlio lembra que Freyre foi incensado pela ‘esquerda democrática’ no Estado Novo (1937-45), por suas teses favoráveis à contribuição dos negros em nossa formação cultural, quando o mundo acompanhava a ascensão do arianismo na Europa e a Segunda Guerra. “A partir de 1964 passou a ser alvo de intenso desprezo. A razão? Ora, Freyre foi o principal intelectual brasileiro a apoiar o golpe e a ditadura militares. Desde então, ganhou desafetos, sobretudo nas Ciências Sociais da USP, que teve vários professores perseguidos pelo regime. Isso nunca foi perdoado e terminou por obnubilar sua obra”. Túlio analisa, ainda, que foi apenas quando cientistas sociais estrangeiros começaram a chamar a atenção de suas contribuições para a Sociologia dos Costumes que o autor pernambucano saiu do ostracismo ao qual fora condenado.

Nova revista disponível na web: Preço do Sistema

Está no ar a revista do site Libertarianismo.com , a “Preço do Sistema”. A primeira edição questiona quem ganha com a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. Escrevem Fernando Chiocca, Sidnei Santana, Rafael Guthmann, Guilherme Inojosa, Lucas Freire, Henrique Vicente, Carol Gallardi. Ah, falando em preço, a revista é gratuita, basta baixar o PDF. Vejam a introdução:

Introdução

A idéia de criar a revista eletrônica Preço do Sistema já vem de muito tempo, mas o tema dessa edição que é “Quem ganha com a Copa e a Olimpíada?” acabou propiciando apoio para que finalmente a idéia pudesse tomar forma. Seguindo o título da revista, nós ganhamos algo com isso? Será possível que o retorno de sediar os dois eventos esportivos mais importantes do mundo compense os gastos bilionário e espaço para corrupção em um país em desenvolimento, que pessoas mal tem condição de levar uma vida digna?

Além disso, se a experiência do Panamaricano no Rio de Janeiro já demonstrou que o orçamento ultrapassou diversas vezes, porque isso não vai acontecer agora? E será que é viável bancar esses eventos se juntos eles ultrapassarem a casa de cem bilhões? Não seria melhor deixar esse dinheiro no bolso das próprias pessoas? Outra pergunta que será respondida aqui é: se esses eventos dão retorno, porque então a iniciativa privada não pegou para fazer? Você voluntariamente doaria uma parte do seu salário para que esse evento ocorresse? No que toca as obras que serão deixadas como legado nessas cidades, elas podem realmente se concretizar? Esse desenvolvimento segue padrões que beneficiam a infraestrutura para o evento ou critérios para melhorar a estrutura de locomoção urbana fora dos eventos? Será que a capacidade instalada não será muito maior que a utilizada no cotidiado?

E quanto ao preço dos ingressos nos estádios de futebol após a copa do mundo? É presumível que após as melhorias das instalações dos estádios, as tarifas irão subir proporcionalmente, impedindo de vez que pessoas desafortunadas possam frequentar esses eventos durante o ano.

Todos esses questionamentos deveriam ter sido feitos antes por toda a imprensa e sociedade antes de se decidir sediar esses eventos, mas o Brasil já tem tradição em colocar o carro na frente dos bois, e agora não temos escolha em desistir dessas aventuras se elas não forem benéficas. Enfim, veja apartir de agora uma série de opiniões sobre os eventos e formule a sua com base em fatos e lógica, e não através da emoção irracional.

Boa leitura, e aguarde a próxima edição.

Juliano Torres

Belo Horizonte

16 de novembro de 2009