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21.11.2008 - 14:00

Roberto Campos, um homem diferenciado

Trecho de uma longa entrevista que fiz com o diplomata Marcílio Marques Moreira. Abaixo, ele fala sobre suas lembranças de trabalho com Roberto Campos:

“Era um homem inteligentíssimo, que acompanhei até o fim. Foi meu único chefe que… No Itamaraty, uma pessoa nunca lê o seu próprio discurso. Quando você é moço você escreve o discurso e o outro faz. Quando você é embaixador os outros fazem e você fala. O Roberto Campos é um sujeito que quebrou essa regra. Lá em Washington ele escrevia os discursos dele e depois me dava para comentar. Ele fazia o inverso. Ele fazia o discurso, dava para os auxiliares dele para comentar, discutir.”

(Renato Lima)

20.11.2008 - 11:27

Lançamento de Galiléia, ontem, na Livraria Cultura

Pode-se dizer que foi um sucesso o lançamento no Recife do primeiro romance de Ronaldo Correia de Brito, Galiléia. E o que significa ter sucesso num lançamento? Bem, em primeiro lugar, obviamente, o comparecimento do público: ontem o auditório da Livraria estava completamente lotado e várias pessoas ficaram em pé, escutando os comentários do autor e dos críticos Lourival Holanda, Cristhiano Aguiar e Artur Ataíde.

Outro fator que caracterizou o sucesso do evento foi, justamente, a qualidade dos comentadores que, apesar de apresentarem visões diferentes (não conflitantes) sobre a obra, ressaltaram, cada um a sua maneira, a importância desse livro para a literatura brasileira contemporânea.

Ronaldo Brito, o autor, estava visivelmente emocionado. E não teria como ser diferente…

Em breve, publicarei neste blog minhas impressões sobre o livro, que li antes de ser publicado a pedido do autor. Portanto, tenho que ler a edição final - a que saiu - porque o texto que tive em mãos sofreu modificações.

(Eduardo Cesar Maia)

19.11.2008 - 10:58

Balanço da Feira do Livro de Porto Alegre

A 54ª Feira do Livro de Porto Alegre fez uma homenagem aos escritores pernambucanos e o Café Colombo contou com um correspondente na capital do Rio Grande do Sul cobrindo o evento. Fábio Gomes enviou boletins para o programa de rádio, matérias para o blog e ainda uma longa entrevista com o jornalista e romancista Homero Fonseca, que em breve será publicada neste espaço. Agora, ele faz um balanço do evento encerrado neste domingo. Ao que parece, a crise também já se refletiu nas vendas de livro este ano:

FIM DE FEIRA
 
Por Fabio Gomes
 
Em entrevista coletiva realizada na manhã da terça, 18 de novembro, a Câmara Riograndense do Livro (CRL) divulgou os números finais da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. O volume de vendas atingiu 424.046 livros, o que representa uma queda de 8% em relação a 2007. Em função do corte nas verbas solicitadas à Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do estado, este ano não se realizou a pesquisa dos livros mais vendidos. O presidente da CRL, João Carneiro, acredita que este fato contribuiu para uma menor concentração das vendas em poucos títulos, aumentando o fenômeno que denominou como “bibliodiversidade”.
 
Já a freqüência de público aos eventos aumentou muito: a programação artística foi prestigiada por 10.355 pessoas, o que inclui os encontros com escritores e shows realizados na Tenda de Pasárgada, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e no Espaço Pernambuco Nação Cultural. A coordenadora de programação para o público adulto da Feira, Jussara Rodrigues, destacou a participação do estado homenageado:
 
- Pernambuco veio alegrar a Feira, deixá-la mais leve de forma muito gostosa. A aula-espetáculo de Ariano Suassuana foi uma abertura de luxo.
 
A grande atração musical pernambucana do último final de semana da Feira foi justamente o grupo batizado de Fim de Feira. Com um repertório que privilegia o forró, o coco e o baião, intercalados com poemas ao estilo cordel, a banda fez rápidas apresentações nas tardes de sexta e sábado, contando com a participação do cantor Josildo Sá, e sendo antecedida por breve recital do poeta Chico Pedrosa, paraibano radicado em Pernambuco. Pedrosa disse vários poemas e contou causos, como o que narrava os apuros de motorista bêbado parado numa blitz. No domingo, como não havia sessões de autógrafos, todos tiveram mais tempo à disposição na Tenda de Autógrafos: tanto Chico Pedrosa quanto Fim de Feira (com Josildo Sá) se apresentaram durante uma hora. O grupo Fim de Feira privilegiou o repertório de seu CD A Revolução dos Pebas, tocando “Sina de Passarinho” (Bruno Lins - Manoel Filó - Tonzinho) e “Dona Jurema” (Bruno Lins -  Tonzinho). Já Josildo, além de interpretar “O Canto da Ema” (D. Ayres Viana - Alventino Cavalcante - João do Vale), homenageou os gaúchos cantando o samba “Se Acaso Você Chegasse” (Lupicínio Rodrigues - Felisberto Martins). Josildo Sá e Bruno Lins, vocalista do Fim de Feira, participaram também do grande espetáculo da noite do sábado, o da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, regida pelo maestro Forró.
 
Inicialmente programado para o Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o show da Bomba do Hemetério foi transferido para o Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto, um espaço bem mais amplo - o mesmo em que se realizou a aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna. As cadeiras da frente do palco foram removidas, para que o público pudesse dançar à vontade ao som de frevos tradicionais como “Evocação” (Nelson Ferreira) e “Vassourinhas”, tocados de modo nada tradicional - os arranjos do maestro Forró agregam influências do jazz; além disso, tanto o maestro quanto os músicos não apenas tocam, realizam verdadeiras performances no palco. Basta citar o arranjo de “Cabelo de Fogo” (Maestro Nunes), onde os instrumentistas formaram um círculo no palco, sentando-se e parando de tocar, prosseguindo a música através de vocalises (enquanto uns cantavam, outros pulavam e voltavam a se agachar).
 
Os escritores pernambucanos também foram bastante prestigiados pelo público no final da Feira. Assim como Jessier Quirino quinta e sexta, o poeta Marcus Accioly teve grande platéia em seus recitais na sexta e no sábado, tanto que foi convidado a tomar parte na I Maratona de Leitura de Contos, que foi das 10 às 20h do domingo. Como o nome indica, a maratona privilegiou a leitura, por escritores, de contos de autores gaúchos, de modo que a participação de Accioly, lendo seus próprios poemas, pode ser considerada uma honrosa exceção no evento.

18.11.2008 - 13:32

Salve, salve o empreendedor brasileiro

Do nosso colaborador, poeta e empreendedor:

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Salve, salve o empreendedor brasileiro

Por Bruno Bezerra*
Empreender é o pensamento (idéia) seguido da ATITUDE de fazer acontecer. Em meio à crise econômica que atormenta o planeta, começou nesta segunda-feira (17/11/2008) a Semana Global do Empreendedorismo. Pela primeira vez no Brasil, a Semana Global do Empreendedorismo acontece simultaneamente em mais de 60 países até o dia 23/11/2008. 
Segundo informações do Sebrae, no Brasil existem 5 milhões de pequenos negócios que são responsáveis por 20% de todos os bens e serviços produzidos no país (PIB). Vamos conhecer mais alguns números do universo empreendedor brasileiro:
 
- 13 de cada 100 brasileiros desenvolvem alguma atividade empreendedora.
- O Brasil está em 10° lugar no ranking mundial de empreendedores iniciais (entre 3 meses e 42 meses)
- O Brasil está em 5° lugar no ranking mundial de empreendedores estabelecidos (42 meses ou mais de atividade)
- 43% dos empreendedores brasileiros são motivados a abrir um negócio por conta da falta de alternativa satisfatória de ocupação e renda.
- 57% dos demais empreendedores brasileiros empreendem por terem achado um nicho de mercado com potencial.
- Somente 14% dos empreendedores por oportunidade são jovens, para uma proporção de 25% dos empreendedores por necessidade.
- 11,3% dos brasileiros entre 18 e 64 anos são empreendedores.
- Cerca de 75% da população (tanto empreendedores como não empreendedores, homens e mulheres, independentemente de faixa etária, escolaridade e renda), valorizam socialmente o empreendedor. 
 
Apesar de termos uma estrutura (de tributos, burocrática, trabalhista e de crédito) que insiste em sabotar a atividade empreendedora (no ranking Fazendo Negócios 2009 do Banco Mundial o Brasil é o 125º pior país pra se empreender no mundo), a prática empreendedora brasileira apresenta números bastante significativos.
Em tempos de crise, com o vento gelado da recessão soprando em países como Alemanha e Japão; com a crise financeira global asfixiando as megacorporações mundo afora, desnorteando o desenvolvimento econômico brasileiro baseado na grande empresa, reside no micro e pequeno empreendimento uma considerável parte dos pilares necessários para manter a economia verde-amarela ao menos em banho-maria.
Salve, salve o empreendedor brasileiro… Ontem, hoje e sempre, o verdadeiro herói nacional.
*Bruno Bezerra é administrador de empresas, diretor de Desenvolvimento e Empreendedorismo da CDL de Santa Cruz do Capibaribe, na internet mantém o blog www.brunobezerra.blogspot.com

18.11.2008 - 13:11

Fraude socialista

De Clóvis Rossi, na Folha de São Paulo de hoje:

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Agora, falar em socialismo é fraude
SÃO PAULO - Esse tal de capitalismo é tão forte, mas tão forte, que consegue ouvir juras e cantos de amor mesmo no meio de uma baita crise.
Diz o documento do G20, composto excepcionalmente no sábado pelos 22 países mais importantes para a economia mundial: “Nosso trabalho será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios de mercado, abertura comercial e de regimes de investimento e mercados financeiros eficazmente regulados estimulam o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor, essenciais para o crescimento econômico, o emprego e a redução da pobreza”.
As escolas liberais seriam provavelmente incapazes de afeto maior. O livre mercado até reduz a pobreza, quem diria, hein? Nem é novidade, no entanto, que tenha sido dito, pela simples e boa razão que não há, entre os líderes do G20, qualquer um que se oponha ao capitalismo.
Afinal de contas, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela não são membros do grupo.
De todo modo, para efeitos políticos internos, vale notar que um dos líderes que assina a ode ao capitalismo acima reproduzida chama-se Luiz Inácio Lula da Silva (para não falar em Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e em Hu Jintao, da China, que deixo para os colunistas de seus países).
A conversão radical de Lula ao liberalismo puro e duro tampouco é nova -desde que assumiu, faz seis anos, casou-se sem pudores com os “princípios de mercado”.
Mas há ainda petistas -inclusive a candidata “in pectore” de Lula para 2010, a ministra Dilma Rousseff- que continuam falando em socialismo e que acham o governo de esquerda. A assinatura de Lula no texto do G20 transforma em fraude ideológica insistir nessa tolice.

 

18.11.2008 - 01:33

A verdadeira explicação da crise e da volatilidade dos mercados

A melhor análise de uma crise dessas só poderia vir mesmo de comediantes (é rir pra não chorar, como diz minha querida mãe que tinha umas economias na Vale):

http://www.dailymotion.com/swf/k2GEzYKbv1P6IUHSpY

O diálogo está em inglês, com legenda em espanhol. Vale a pena assistir…

(Eduardo Cesar Maia)

17.11.2008 - 11:23

Lançamento de livro de Silvério Pessoa

Este Diário de Viagens Nômade é uma idéia que surgiu do blog www.monolitico-tema.blogspot.com, com a função de aproximar aqueles que buscam atravessar vários mundos, culturas e espaços, junto a uma música que é plantada na tradição de Pernambuco. Nômade mistura o monolítico tema do músico carpinense Silvério Pessoa à curiosidade dos fãs, e está repleto de idas e vindas por esse “mundão de meu Deus” como ele próprio diz no blog.  A transformação é do virtual para o impresso e isto se deu primeiramente em postagens quentinhas que tanto mostravam os shows e festivais pelos quais passava quanto as impressões que outras culturas iam acrescentando à sua própria experiência. Anotações sobre shows e estradas, feitas em lan houses do meio do mundo ou nos hotéis, quando havia conexão e que passaram para o papel na busca de um outro público. Um documento que reflete sobre a música Pernambucana comprometida com os elementos da Região em batidas e levadas ousadas, num processo de experimentalismo que vem dando certo, como podemos ver no CD Cabeça Elétrica, Coração Acústico.
 
Priscila Varjal

Serviço:
Lançamento do livro Nômade de Silvério Pessoa
Data: 20 de novembro de 2008 (quinta-feira)
Hora: 19h
Local: Sede das edições Bagaço - Rua dos Arcos, 150 - Poço da Panela - Recife - PE

17.11.2008 - 09:36

O Google e um bom blog

Para quem gosta de marketing e internet, reproduzo abaixo uma matéria minha sobre a máquina Google de fazer dinheiro. Aproveito o post para comentar a interessante descoberta do blog do Rodolfo Araújo. Ele escreveu para comentar o post sobre “Crise financeira, crise de jornalismo” e recomendar artigos sobre as idéias de Nicholas Nassim Taleb. Visitando o blog descobri vários textos interessantes sobre inovação, estatística, resultado das intervenções governamentais (como a meia-entrada) entre outros.

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»TECNOLOGIA
Google, uma máquina de fazer dinheiro
Publicado em 16.11.2008

Renato Lima

A empresa que revolucionou a experiência de se procurar informações na internet é também uma excelente máquina de fazer dinheiro. Apesar de quase nunca cobrar pelos seus serviços ao usuário final, o Google nasceu no período pré-bolha da internet, mas conseguiu unir avanço tecnológico e visão comercial. Até a metade deste ano, as receitas da empresa foram de US$ 10,5 bilhões, com lucro líquido de US$ 2,5 bilhões.

O Google surgiu a partir do trabalho de dois estudantes universitários de computação em Stanford, Larry Page e Sergey Brin. Page resolveu aplicar a mesma lógica utilizada em citações acadêmicas para a busca na internet – colocando um ranking de qualidade aos sites mais citados, ou de forma mais apropriada para o mundo online, que recebem mais links. Brin ajudou na formação de um algoritmo de procura e então estava nascido o coração da busca Google. Com a ajuda de um grande empresário, nasceu a empresa ainda antes do estouro da bolha da internet, no início da década.

A partir de 2000, o que já era um bom sistema de busca, tornou-se muito lucrativo também. O Google começou a vender palavras-chaves para anunciantes, que queriam aparecer na procura de determinados tópicos buscados pelos usuários. Digamos que um usuário digite pizza no Google Brasil. O resultado são 184 mil links, com sites de pizzarias, receitas e muito mais. Do lado direito da busca, há um local chamado “Links patrocinados”, com venda de forno para pizza e serviço de buffet. Quem clica aí dá dinheiro para o Google. A empresa anunciante, por sua vez, só paga quando alguém clica no link. Um curso específico sobre este sistema será ministrado no Recife, dia 26 a 28 deste mês, pela Softredes (www.softredes.com.br/google).

O sistema de e-mail Gmail lê o texto dos e-mails que os usuários recebem e seleciona anúncios relevantes ao lado. Um exemplo: para um e-mail de um amigo contando sobre uma viagem, os anúncios ao lado sugerem clicar para conhecer “Resort de luxo em Búzios”, “O melhor seguro viagem” e “Sua viagem pela TAM”. A chance de um usuário que já está lendo sobre o assunto clicar é ainda maior. E isso impulsiona os resultados do Google. Por outro lado, grupos de defesa da privacidade na internet não gostam da ferramenta intrusiva, mas pouco podem fazer se ela se torna popular.

Esse sistema de anúncio interno limitaria a capacidade do Google em vender publicidade ao seu número de visitantes – ainda que este já seja elevado. Então o Google partiu para fechar parcerias com outros sites, tornando-se uma grande empresa de publicidade virtual, com o sistema chamado Adwords. Ao contrário de outras formas de publicidade, mais difíceis de serem mensuradas, o clique num link patrocinado quase sempre é de clientes interessados no assunto. De acordo com os resultados financeiros do segundo trimestre deste ano, 66% das receitas da Google são das vendas de anúncios em sites próprios, e 31% de anúncios gerados a partir de sites parceiros. E estes podem ser desde grandes portais a blogs pessoais.

Em agosto de 2004, quando o mercado já havia se recuperado do baque nas bolsas, a Google abriu o capital, levando, imediatamente, jovens funcionários ao status de milionários com a valorização das ações. As ações chegaram a subir sete vezes o valor do preço inicial, com o pico sendo atingido no final do ano passado. Atualmente, os papéis da Google (cotação GOOG, na bolsa eletrônica Nasdaq) é comercializado por cerca de US$ 300.

Além do dispositivo de busca e o e-mail Gmail, administra ainda o serviço de localização Google Maps e Google Earth, o serviço de anúncio Adwords, o relatório de visitas Analytics, o serviço de busca dentro de livro Google Print, a rede de relacionamento mais popular no Brasil, o Orkut, entre vários outros serviços. São 19.604 funcionários em tempo integral que constam na folha salarial da empresa, até julho deste ano – dos quais, 200 são do escritório brasileiro, inaugurado em 2005. O que ela não desenvolveu, a empresa compra, como é o caso do popularíssimo site de vídeo online You Tube.

O fantástico mundo do Google mostra que é possível aliar soluções inteligentes, serviços gratuitos ao usuário final e publicidade de resultados. O grande desafio, agora que a economia entra em crise, é saber se este modelo se mantém se os anunciantes se retirarem. Mas quem sobreviveu à primeira bolha da internet tem mais experiência em administrar crise.

(Renato Lima)

16.11.2008 - 22:37

A análise do Patrimonialismo através da Literatura Latino-Americana

O filósofo e professor universitário Ricardo Vélez Rodríguez nos brinda com mais um interessante lançamento. Ele, que já foi entrevistado este ano no Café Colombo sobre o livro “Patrimonialismo e a realidade latino-americana”, aprofunda o tema fazendo uma incursão sobre a expressão desse fenômeno na literatura do nosso continente. Abaixo, informações do próprio autor sobre a obra:


A análise do Patrimonialismo através da Literatura Latino-Americana

Ricardo Vélez Rodríguez

A Literatura, diz Fernando Cristóvão, da Universidade de Lisboa, é a “antropologia das antropologias”. Ela torna possível obtermos o retrato de corpo inteiro do homem comum, das suas convicções, temores e crenças profundas. Daí por que, no estudo das formações sociais, seja tão importante não fecharmos essa janela, que nos coloca diante “da vida como ela é”, segundo dizia Nelson Rodrigues.

Estudar o homem latino-americano com as crenças que balizam a construção do Estado, essa é a finalidade da obra lançada no último dia 5 de novembro, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

A história dos países ibero-americanos é fruto dessa tendência secular, herdada dos colonizadores ibéricos, a enxergar o Estado como bem de família. A onda populista que varre o Continente é variante dessa tendência que leva a confundir público com privado.
O neopopulismo hodierno só reforçaria o aspecto carismático e de ação direta das novas lideranças latino-americanas: a justificativa para o exercício clânico do poder é o velho messianismo do “pai dos pobres”, que reorganiza as estruturas mediante uma ligação direta entre o povão e o próprio líder, com denúncias contra as “elites”, como responsáveis pelos fenômenos da pobreza e do atraso.

Esse seria o traço comum de líderes barulhentos como o presidente Chávez, da Venezuela e outros mandatários carismáticos que se acolheram à “Revolução Bolivariana”, como os presidentes Morales, da Bolívia e Correa, do Equador. Esse arquétipo não deixaria de estar presente, também, embora de forma mitigada, no populismo lulista, bem como no salvacionismo peronista, na Argentina, ambos presos a políticas assistencialistas que oneram brutalmente os respectivos tesouros e que protagonizam cirandas de corrupção com mensalões e malas de dólares à mostra.
Cinco obras representativas do imaginário social latino-americano foram escolhidas no livro em apreço: O outono do Patriarca, de García Márquez; Facundo: civilização e barbárie no pampa argentino, de Domingo Faustino Sarmiento; Antônio Chimango, de Amaro Juvenal; O ogro filantrópico, de Octavio Paz e O tempo e o vento, de Érico Veríssimo. Trata-se, evidentemente, de pequena mostra do panorama das letras latino-americanas, mas não por isso menos representativa. São inúmeros os autores que, na sua narrativa, debruçaram-se sobre a nossa realidade clânica e privatizante do poder do Estado, nos mais variados contextos históricos e sócio-culturais. Como não falar de Vargas Llosa, Miguel Angel Astúrias, Alejo Carpentier, José Eustasio Rivera, Jorge Icaza, Alcides Arguedas, Ernesto Sábato, Augusto Roa Bastos, Rômulo Betancur, etc?
O outono do patriarca de García Márquez inspira-se no impacto que produziu no Prêmio Nobel colombiano a figura do ditador venezuelano Juan Vicente Gómez, que exerceu o poder, administrando a república como a sua fazenda, entre 1908 e 1935. Facundo: civilização e barbárie no pampa argentino, do escritor e estadista Domingo Faustino Sarmiento, é um quadro fiel do processo de unificação das províncias do Rio da Prata ao redor de Buenos Aires, processo polarizado por dois anti-heróis telúricos, representantes da barbárie patrimonialista: Facundo Quiroga e Juan Manuel Rosas. Antônio Chimango, o belo poemeto campestre de Ramiro Barcelos (que adota o pseudônimo de Amaro Juvenal), constitui uma bem-humorada sátira contra a ditadura castilhista, que no Rio Grande do Sul perpetuou-se por longos quarenta anos, tendo ensejado um modelo administrativo que enxergava a coisa pública como a “Estância do Coronel Prates” (Júlio de Castilhos), com a ajuda servil do “Chimango”, Borges de Medeiros. O Ogro filantrópico, do Prêmio Nobel mexicano Octavio Paz, coloca a nu a estrutura patrimonial do Estado mexicano que, com o Partido Revolucionário Institucional, instaurou uma máquina de privatização do Estado por uma elite de bacharéis e tecnocratas corruptos. O tempo e o vento de Érico Veríssimo ilustra a forma em que evoluiu a antiga Estância de São Pedro, para um Brasil autocrático e tecnocrático, sob a férrea ditadura de Getúlio Vargas.

Quais as saídas que, à luz das obras analisadas, restam para a América Latina, em face da “utopia arcaica” como diria Vargas Llosa? Sarmiento, Octavio Paz e Érico Veríssimo considerariam que há uma luz no fim do túnel, na medida em que as nossas Nações entrem pelo caminho das reformas liberais, que tornem os respectivos Estados instrumentos de progresso, a serviço dos cidadãos. A questão da representação seria central. Já García Márquez e Amaro Juvenal são mais céticos. A sina do Estado patrimonial parece ser a da sua permanência ao longo dos séculos, num pesadelo sem fim. O Ditador busca se perpetuar, na ficção destes dois autores e, também, na vida real. É a sina trágica de Cuba (“sai Fidel, entra Castro”) ou da Venezuela, presa dos caprichos de um ditador vitalício. Como dizia Fidel à Rainha da Espanha, quando ela pedia uma aberturazinha democrática em Cuba: “Noooo, mi Reina! No puedo. Si abro un poquito, en seguida querrán un muchito. Eso ya lo hará mi sucesor” (La Reina muy de cerca, Madri, Editorial Planeta, 2008).

Resumo:
Título: A análise do Patrimonialismo através da Literatura Latino-Americana
Autor: Ricardo Vélez Rodríguez, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora; publicou em 2006, pela Editora Documenta Histórica, o livro: Patrimonialismo e a realidade latino-americana.

Preço de lançamento: R$24,00

16.11.2008 - 16:19

Música popular nordestina em destaque na terra do chimarrão

Do nosso correspondente na Feira do Livro de Porto Alegre, que se encerra hoje:

MÚSICOS POPULARES SÃO DESTAQUE NA PROGRAMAÇÃO
DE PERNAMBUCO NA FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Por Fabio Gomes

Os músicos populares são, sem sombra de dúvida, as atrações que têm reunido maior público, dentro da programação que Pernambuco trouxe para a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que homenageia o estado nordestino.
Se é certo dizer que, no primeiro final de semana da Feira (1º e 2 de novembro), os cantadores Ivanildo Vilanova e Raimundo Caetano e o cantor e compositor Allan Sales foram muito aplaudidos, não há como comparar com o grande número de pessoas que acorreu à Praça da Alfândega, ao lado do estande de Pernambuco, para assistir as duas apresentações dos emboladores Caju e Castanha, nas noites de sábado e domingo, dias 8 e 9.
A dupla esbanjou bom humor e demonstrou grande habilidade e velocidade no raciocinar e no cantar, arrancando aplausos e gargalhadas do público gaúcho com suas emboladas falando das diferenças entre os ricos e os pobres, da mulher bonita pra mulher feia ou musicando divertidas histórias de cordel como a que fala do “Futebol no Inferno” - onde a final do campeonato é disputada entre os times de Satanás e de Lampião. O futebol também foi tema do improviso da dupla no show de domingo, ao abordar os dois grandes times do Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional - naturalmente, um dos números que mais empolgou o público presente.
Entre uma e outra embolada, Castanha contou divertidas histórias como a da participação da dupla numa edição do Rock in Rio (sim!). A idéia é que os emboladores fizessem uma breve apresentação no intervalo de duas bandas de rock. Como levaram uma das maiores vaias de sua carreira (com direito a uma hola de “E… fora!”), o que era pra ser breve passou a ser brevíssimo: após cantar uma música, Caju e Castanha agradeceram e saíram. Também falaram dos apuros que passaram ao viajar aos Estados Unidos para um show em Los Angeles: eles não falam inglês e quem os contratou não providenciou intérpretes…
No domingo, Caju e Castanha fizeram questão de saudar seus conterrâneos Ronaldo Aboiador e Toinho do Acordeon, que assistiam a seu show. Ronaldo e Toinho cantaram na Feira nas tardes de sábado e domingo, com um repertório em que predominava o aboio. Chegado ao Nordeste como uma herança ibérica, de raiz moura, servindo então basicamente para chamar o gado, o aboio se desenvolveu como um interessante estilo musical, que tem sido utilizado pelos compositores da região para cantar amores e fazer crítica social, como bem demonstrou Ronaldo em seus shows, encerrados com um aboio-improviso sobre a participação de Pernambuco na Feira. Em ambos os dias, também foi homenageado o Rei do Baião, Luiz Gonzaga - no sábado, Ronaldo cantou “Asa Branca” (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)/”A Volta da Asa Branca” (Luiz Gonzaga - Zé Dantas) e no domingo “O Xote das Meninas” (Luiz Gonzaga - Zé Dantas). Toinho também variou as músicas que solou nas duas apresentações: dia 8, tocou “Milonga para as Missões” (Gilberto Monteiro); dia 9, “Brasileirinho” (Waldir Azevedo).
O áudio dos improvisos está disponível em boletim da Agência de Notícias Brasileirinho.

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