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12.01.2012 - 12:06

Lista de premiados pela Academia Pernambucana de Letras – 2012


JC publica hoje a lista de premiados pela APL em 2012. Confiram a matéria:

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Academia define premiações

A Academia Pernambucana de Letras (APL) anunciou os vencedores dos seus sete prêmios literários de 2011. As honrarias principais, concedidas aos autores das melhores obras de ficção, poesia e ensaios, ficaram, respectivamente, com a escritora Patrícia Tenório, o poeta Marcos Antonio Soares de Andrade Filho e o acadêmico Anco Márcio Tenório.

A cerimônia de premiação acontece no dia 26 de janeiro, na sede da APL, em horário a ser definido.

O Prêmio Vânia Souto Carvalho, dado a obras de ficção, ficou com Como se Ícaro falasse, de Patrícia Tenório. Nessa categoria, a APL ainda concedeu uma menção honrosa para Olhos abertos para a morte, de Rafael Rocha Neto.

O vencedor do Prêmio Edmir Domingues foi o volume de poemas Spollivm, de Marcos Antonio Soares de Andrade Filho. Além dele, os poetas José Antônio da Silva e Lúcio Roberto Ferreira receberam menção por Poe Arrecifes e A ponte e a travessia, respectivamente.

Anco Márcio foi também premiado com o seu ensaio Dante e a construção da forma cristã. O Prêmio Antônio Brito Alves ainda deu menção honrosa a Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, por Investigação de Giambattista Vico.

Das categorias restantes, só uma teve vencedor: o Prêmio Amaro Quintas, dedicado a obras sobra a história de Pernambuco, que contemplou o livro Educação e Religião: colégios protestantes em Pernambuco na Primeira República (anos 20), de Lêda Rejane Accioly Sellaro.

As três demais honrarias, ofertadas a publicações de literatura infantil, soneto e sobre a história das cidades de Condado e Goiana ficaram sem premiados.

Prevista para o dia 26, a cerimônia acontece no mesmo dia da posse da nova presidente da APL, a escritora e antropóloga Fátima Quintas.

11.01.2012 - 11:49

Brasilianistas


O Instituto Itaú Cultural vem fazendo um levantamento de acadêmicos no exterior que trabalham a literatura brasileira. Já são mais de 200 mapeados atuando em 30 países. A partir dos dados, João Cezar de Castro Rocha preparou um artigo identificando uma mudança do perfil de “brasilianista”.

Por sinal, um ex-professor meu em Illinois e eterno mestre (como acontece com bons professores, é sempre um prazer se tornar um amigo depois), Luciano Tosta, recentemente lançou com o seu colega Robert Moser o livro “Luso-American Literature: Writings by Portuguese-Speaking Authors in North America (Multi-Ethnic Literatures of the Americas (MELA)”. Vale a pena conferir.

(Renato Lima)

09.01.2012 - 23:37

A obra de Homero Fonseca chega ao meio digital

O escritor caruaruense Homero Fonseca

Já está à venda nas livrarias digitais o livro eletrônico (eBook) Roliúde, Do escritor pernambucano Homero Fonseca.

O eBook está no formato ePub,  o mais aceito nos variados aparelhos onde se pode ler livros digitais, dos eReaders (Nook, Sony Reader, Alpha e outros) aos Smartphones, do iPad ao iPhone, passando ainda pelos PCs (computadores pessoais). Só não é aceito, por enquanto, no Kindle, que exige o formato Mobi, que é exclusivo da Amazon.  (Mas negociações estão em curso e imagina-se que no meio do ano que vem estejam por lá também).

Os livros podem ser comprados através de download nas seguintes livrarias on line:

O livro agora tem versão digital

Saraiva (http://www.livrariasaraiva.com.br)

Cultura (http://www.livrariacultura.com.br)

Curitiba (http://www.livrariascuritiba.com.br)

Copia (Submarino)

(http://submarino.thecopia.com/home/index.html)

Livraria Abril

(www.iba.com.br)

Livraria positivo

(https://livros.mundopositivo.com.br)

09.01.2012 - 10:57

Lançamentos literários para 2012


Diogo Guedes, no JC de 05 de janeiro, relata o que esperar de 2012 no mercado editorial pernambucano:

Promessa de safra boa na literatura
NO FORNO Raimundo Carrero e Ronaldo Correia de Brito têm livros na agulha. Centenário de Nelson Rodrigues ainda está tímido
Diogo Guedes

Mesmo nos seus primeiros dias, já é possível apontar que 2012 vai ser um ano agitado para a literatura pernambucana. Dois dos principais autores do Estado, Raimundo Carrero e Ronaldo Correia de Brito, têm planos de lançar novos romances. Além disso, deve ser um ano de novidades no âmbito estadual e municipal, incluindo as gestões de literatura das Secretarias de Cultura e a Companhia Editora de Pernambuco, a Cepe. Dentre os eventos datados, o destaque é o centenário do cronista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues, que será comemorado em todo o País.

Mesmo que o “Anjo Pornográfico” tenha nascido no Recife, não há nenhuma confirmação de que os principais eventos do Estado estejam programados para homenagear o autor de A vida como ela é, Vestido de noiva e Senhora dos Afogados. Figura que deve dominar o ano, junto com o baiano Jorge Amado, que também completa 100 anos de nascimento, Nelson Rodrigues, até agora, recebe uma atenção tímida do meio literário local.

Mário Hélio, curador da programação da Fliporto, prevista para novembro, explica que as discussões sobre o festival deste ano só começaram agora. “Nós chegamos a cogitar o nome dele como homenageado. De toda forma, ele provavelmente vai ser lembrado no evento”, explica o curador. Segundo o organizador da Fliporto, Antonio Campos, as definições de formato e programação só devem ser anunciadas em fevereiro.

Na parte acadêmica, a Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire) e a Universidade de Pernambuco (UPE) devem reverenciar o escritor, mas ainda não sabem como o farão. Wellington de Melo, responsável pelos eventos literários na Secretaria Estadual de Cultura, diz que Nelson Rodrigues deve entrar na programação paralela do Festival Nação Cultural, que percorre todas as regiões de Pernambuco.

Nacionalmente, as principais homenagens ao escritor e dramaturgo serão organizadas pela família do autor e pela Ediouro, que renovou recentemente os diretos sobre sua a obra. Segundo a assessoria de imprensa da editora carioca, a obra teatral de Nelson Rodrigues agora está toda nas mãos da casa. Além do relançamento de peças e do incentivo a releituras de outras obras, a promessa é a publicação de alguns textos em prosa do autor que ainda estão inéditos.

LANÇAMENTOS

No campo das publicações literárias, Carrero promete ser um dos mais ativos. Neste ano, ele deve editar dois livros e começar a escrever um terceiro. Ronaldo Correia de Brito também deve lançar um novo romance, ainda sem título definido, e vai ter um de seus contos levado aos palcos (leia mais sobre os dois escritores na matéria ao lado). Quem também deve apresentar uma nova obra neste ano é Sidney Rocha, autor da elogiada coletânea de contos Os segredos das metáforas no ano passado. Agora, ele deve publicar Gerônimo, pela Iluminuras, romance que se alterna entre o Afeganistão do final da década de 1970 e os tempos atuais, mostrando os dramas do mundo.

Depois de uma reformulação na sua área editorial e de um 2011 com lançamentos importantes, como a reedição de poemas e crônicas de Mauro Mota, a Cepe tem um grande calendário de publicações para este ano. O principal destaque é a nova versão de Os olhos da treva, de Gilvan Lemos, recentemente eleito para a Academia Pernambucana de Letras. “O livro traz um relato forte, usando a técnica do flashback, em que uma mulher resolve se cegar para, livre das visões do presente, melhor relembrar seu passado”, descreve o superintendente de produção editorial Marco Polo Guimarães.

Em 2012, a editora também estreia uma nova coleção, a Acervo Pernambuco. Segundo Marco Polo, o selo deve contemplar livros raros e fora de catálogo que marcaram a cultura estadual. Além da literatura, textos importantes sobre artes plásticas, teatro, história, música, cinema, sociologia, antropologia e geografia.

Dentre os primeiros livros a serem lançados estão textos de Hermilo Borba Filho, José Cláudio, Rubem Rocha Filho. A coleção tem projeto gráfico de Moema Cavalcanti. “Cada título vem precedido de um estudo biográfico, crítico e de contextualização, feito por um especialista na área”, destaca o superintendente.

No primeiro semestre, ainda devem sair sete novos livros para crianças, parte da Coleção Infantojuvenil da Cepe. Além de seis dos premiados no II Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil, a editora vai publicar O baú encantado, de Maria Almeida. A trilogia das Circulares conciliares, de Dom Helder Camara, vai ser concluída, com o lançamento dos três volumes das Circulares Pós-conciliares. “Também será lançado o Álbum de Berzin, organizado por Fabiana Bruce, mostrando o trabalho do fotógrafo letoniano Alexandre Berzin, que viveu no Recife na primeira metade do século 20″, anuncia Marco Polo.

07.01.2012 - 15:32

“O Dia do Tsunami” de Luiz Prado


“Vista de pontos mais altos a Avenida Agamenon Magalhães se transformara num rio com mais de cem metros de largura e com forte correnteza, como se alimentada morro abaixo. Destroços de toda espécie, árvores, veículos, móveis, restos de barracos e pessoas, das quais apareciam apenas suas cabeças tentando ficar à tona, pontilhavam aquele cenário de terror.

Nada detinha esse enorme rio temporário, quase tão caudaloso como o Capibaribe, que avançava no sentido Tacaruna Derbi. Cruzou o viaduto da Avenida Norte, o da João de Barros, passou pelo Mac’Donalds, Embratel, Hospital da Restauração, até que alcançou a praça do Derbi. Ali encontrou área para se espalhar como num delta fluvial e foi perdendo poder e velocidade. Quando chegou na frente do Hospital Português era uma lâmina d’água de meio metro de altura, com efeito de destruição bastante atenuado.

Nesse tempo a água já estava recuando no porto e puxando de volta a água da bacia de Santo Amaro causando um efeito de retorno no canal da Avenida Agamenon Magalhães.

Mas o tsunami havia reservado outra surpresa.”

Trecho do romance “O Dia do Tsunami” do engenheiro químico Luiz Prado. Recém lançado pela Cepe e em futura entrevista aqui no Café Colombo.

05.01.2012 - 23:44

Texto de Daniel Piza sobre a Morte

Encontrei este texto de Piza em seu próprio site, que disponibiliza muito do que ele escreveu para jornais e revistas do Brasil inteiro. Tive um pouco de contato com ele numa época em que sempre solicitávamos seus textos para a Revista Continente… Era certeza de um bom artigo, sempre. (Eduardo Cesar Maia)

Reflexões sobre a morte

fonte: Gazeta Mercantil

A morte não dá lições. É a única coisa que é, que apenas é, e ponto final. Não cabem adjetivos nem silogismos. Ela não tem lógica humana, não tem explicação ou desculpa. Heidegger passou a Vida tentando compreender o “Sein”, acreditou encontrá-lo em muitas coisas, errou. A Vida nada tem de absoluto, de puramente abstrato. A morte é que é. Não depende do observador. É. “Sein”. Priva-nos da companhia dos outros; sempre, para nós, só se representa na morte alheia. Por isso choramos, entramos em parafuso, perdemos as referências quando noticiados de sua ocorrência. Mas ela não existe para nós – porque não podemos concebê-la, muito menos qualificá-la. É o único silêncio. É o único substantivo que merece caixa alta: Morte. A Vida é fragmentária, múltipla e complexa, mas é também, por tudo isso, consequente; sabemos pouco sobre ela, mas é assim que podemos funcionar, nos situar em momentos que serão revistos mas que, até então, serão reais, estabelecer premissas e consensos até provas em contrário. A morte não é complexa, não é simples – ela não é coisa alguma. Ela é. O verbo “ser”, em sua conjugação, não é um verbo de ligação. Não precisa de prova em contrário. Ela vem e nos assusta e nos entristece e vai. Ou melhor, do ponto de vista dela, ir e vir se equivalem. Nós a consideramos, mas ela nem quer saber de licenças poéticas. Tentamos medi-la, prevê-la e dominá-la, mas ela torna tudo vão, vaidoso, vencido. Rejeita metáforas e empirismos, revoltas e teorias. Pintá-la de branco ou preto, imaginá-la magra ou feia, nada disso interfere. Céu, inferno, tudo são construções de nossa mente impotente. Ela não é nem o pagar nem as trevas – que são ações ou entidades. A morte é a única coisa imortal.

(Daniel Piza)

31.12.2011 - 20:06

2011 leva Daniel Piza

O autor de um dos mais inteligentes textos da nova geração do jornalismo brasileiro já não estará neste ano que entra. Na última sexta-feira de 2011, morreu o jornalista Daniel Piza, 41 anos e 17 livros publicados. Em um recente post em seu blog, ele comentou sobre os pontos altos do mercado editorial de 2011. Daniel Piza, deixa saudades e exemplo de profissionalismo.

Melhores do ano (1)
Fonte: O Estado de São Paulo
11 de dezembro de 2011

Todo ano repasso os comentários que fiz sobre livros lançados no Brasil e volto a ver a força dos títulos de não ficção (ensaio, biografia, história, etc) e a saudável onda de reedições de clássicos (sobretudo de ficção e poesia), mas insisto em defender o argumento de que isso não significa que vivemos tempos tão pouco criativos e tão parasitários do passado quanto se pode pensar. É claro que eu queria ler mais e melhores romances atuais e, como volta e meia me queixo aqui, uma cultura menos limitada à reciclagem, porque não raro ela apenas se apropria do nome consagrado em vez de buscar caminhos próprios para dizer o que haveria a dizer. Mas o leitor interessado em livros que relatam grandes experiências e provocam pensamentos ricos – e querem dar bons presentes de Natal, bem mais baratos do que brinquedos, cosméticos ou roupas – tem muitas opções. Eu mesmo, relendo o que escrevi sobre literatura em 2011, parei e pensei em como tive o alento de ler muitas páginas de alto nível.

Os livros de ensaio a meio caminho entre o cultural e o pessoal se destacaram. Não consigo esquecer o prazer que A Lebre com Olhos de Âmbar, de Edmund de Waal, me causou desde as primeiras linhas. Eu diria que é o livro do ano, uma mistura de narrativa e reflexão feita com uma sensibilidade digna de grandes ficcionistas, ainda que não tenha um único fato inventado. De Waal encontrou o que é mais difícil, uma voz autoral, e a acompanhamos em sua peregrinação europeia atrás dos netsuquês de sua família como se ouvíssemos uma sonata de piano. Também viajei no relato de Ronald Watkins sobre a façanha de Vasco da Gama, Por Mares Nunca Dantes Navegados, que fez par com o mais iconoclasta Américo, em que Felipe Fernández-Armesto mostra um Vespuccio ardiloso.

E o que dizer de um ensaio como O Paradoxo Amoroso, de Pascal Bruckner, que lê os desencantos narcisistas contemporâneos com o olhar de um belo contista? Ou de A Beleza Salvará o Mundo, de Tzvetan Todorov, que passeia por Rilke, Tsvetaeva e Wilde para defender o gosto pelas coisas simples? Livros como A História da (in)Felicidade, de Richard Schoch, e mesmo Religião para Ateus, do bom-mocista Alain de Botton, também mostraram que não é exclusividade dos romancistas o acesso a questões do comportamento e da intimidade. Ensaios mais próximos da crítica literária também não foram poucos, e incluíram autores do presente como Coetzee (Mecanismos Internos), James Wood (Como Funciona a Ficção) e outros que sabem que a melhor crítica é uma forma de filosofia. Foi muito bom ver também ensaios de mestres como Thomas Mann (O Escritor e sua Missão), George Orwell (Como Morrem os Pobres) e, agora, esse extraordinário empreendimento da História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux (Leya e Livraria Cultura).

Por falar em filosofia, igualmente lembrada em novas traduções das cartas de Voltaire e dos ensaios de Hume, a biografia de Schopenhauer por Rüdiger Safranski conseguiu o que poucas conseguem: falar da vida para poder falar melhor da obra. O Dante de Barbara Reynolds não ficou atrás, assim como o Borges de Edwin Williamson; também gostei do Salinger de Kenneth Slawenski. Shakespeare como personagem histórico foi assunto de James Shapiro e, uma vez mais, de Stephen Greenblatt. No Brasil, o que chegou mais perto foi o Vieira de Ronaldo Vainfas. Quanto aos clássicos em si, tivemos novas e ótimas edições do próprio Vieira, de Homero, Galileu, Dickinson, Tolstoi, Machado, Proust, Bernanos. Nada mal.

Os ensaios científicos, que deveriam interessar a qualquer pessoa que preza a filosofia (a amizade à sabedoria), também continuaram em alta, com destaque para o polêmico Miguel Nicolelis, Muito Além do Nosso Eu, e o fundamental Antonio Damásio, E o Cérebro Criou o Homem, em que revê suas idéias sobre a primazia das emoções e analisa as descobertas sobre a participação da edição consciente no fluxo de nossos impulsos e reações. Romances? Claro que curti os novos de Philip Roth, Nêmesis, e DeLillo, Ponto Ômega, o excessivamente bajulado Jonathan Franzen, Liberdade, e também o lírico Um Dia, de David Nicholls, agora em filme. Mas os livros de Damásio, de Waal, Todorov e Bruckner me deram mais satisfação intelectual do que qualquer um de nós espera ter.

Por que não me ufano

O crescimento do terceiro trimestre veio nulo, com alguns sinais especialmente alarmantes na queda do consumo e dos serviços, antes os esteios da economia brasileira. A indústria recuou muito e o índice só não foi negativo por causa das exportações de commodities, algo que também já começa a perder fôlego. E de nada adianta botar a culpa na conjuntura internacional, porque os outros emergentes cresceram muito mais; o Brasil ficou em trigésimo lugar no período, atrás até mesmo da letárgica Europa. Para piorar, a inflação teve repique em novembro, o que significa que as expectativas oficiais para ela e para o PIB no ano que vem são conversa fiada. Enquanto isso, o PAC mal avança, como este jornal mostrou no caso da transposição do rio São Francisco.

Queda de juros e estímulos ao crédito podem atenuar a paralisia, mas está cada vez mais claro que um ciclo relativamente positivo da economia brasileira – motivado por uma série de medidas desde o Plano Real até o crédito consignado, digamos – está chegando ao final. Se não se combater o declínio da indústria, o aumento dos tributos, a carência de tecnologia e o déficit de educação e infraestrutura, em pouco tempo se verão efeitos sobre o emprego e a renda. Ou Dilma Rousseff para de acreditar nos elogios à sua capacidade gerencial (como já escrevi, trocar uma sujeira por outra não é faxina) e começa a agir (mesmo que caiam todos os ministros, pois já existem outros dois na berlinda, Pimentel e Negromonte), ou terá muito mais obstáculos políticos e econômicos adiante.

28.12.2011 - 12:17

De ladrões grandes e pequenos (e de como é quando a Justiça funciona)

Ao Ordem Livre, escrevo sobre um caso muito curioso de ter sido furtado e agora reembolsado pelo ladrão.
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De ladrões grandes e pequenos

Por Renato Lima

Rod Blagojevich (conhecido como “Blago”) era governador de Illinois quando o senador por aquele estado, Barack Obama, foi eleito para a presidência dos EUA. Na ausência de um representante do estado, ele tinha o direito de selecionar uma pessoa para ocupar a vaga que Obama estava deixando. Blago olhou nisso uma grande oportunidade de ganhar um “troco” com o negócio e tentou vender a vaga para quem lhe garantisse mais benefícios e não quem melhor representasse Illinois.

Só que Blago estava sob investigação do FBI e seu telefone já estava grampeado por outros indícios de corrupção. Nos grampos, ficou claro de que ele estava negociando a vaga de senador de Obama, entre outros “malfeitos”. Blago foi preso em 2008. A Assembleia de Deputados de Illinois o afastou do cargo de governador e agora, em dezembro de 2011, ele foi condenado por uma Corte Federal a 14 anos de prisão – dos quais deve ficar, no mínimo, uns 12 encarcerado. É o fim da linha para Blago, ex-deputado representante de Chicago, governador reeleito de Illinois e que chegou a cogitar suceder Obama na presidência dos EUA.

Em agosto de 2009 eu fui morar em Urbana-Champaign, estudando na Universidade de Illinois. Estrutura fantástica, excelentes professores, bibliotecas gigantes – algumas delas abertas 24 horas –, uma das maiores academias de ginásticas dos EUA, entre outras atrações. Só guardo boas lembranças. Mas um dia estive na academia da universidade para alguns exercícios físicos, depois de horas de exercícios mentais de papers e provas de final de semestre. Ao voltar ao vestiário, levei um susto. Roubaram o dinheiro da minha carteira e uma máquina fotográfica, desaparecendo com o cadeado do armário. Chamei a polícia da universidade e fiz o registro. O policial foi muito simpático e prestativo, mas é uma situação chata, obviamente.

Alguns meses depois recebo um telefonema e depois e-mail de uma detetive da polícia da Universidade. Ela me informou que prenderam uma pessoa que confessou realizar furtos nas academias do campus. Ela estava então entrando em contato com pessoas que registraram ocorrências semelhantes para tentar fechar as investigações em aberto. Relatei o que aconteceu por e-mail e depois em carta à Justiça.

Tempos depois, recebo uma carta da Justiça do Estado dizendo que o caso (agora chamado de “People vs. Cobb”, o ladrão) será levado a julgamento, dizendo que eu posso comparecer, que eu mantenha o meu endereço atualizado, informando dos meus direitos e do direito do advogado do ladrão entrar em contato etc. Em abril deste ano, recebo uma outra carta da Justiça dizendo que o ladrão se declarou culpado na Corte de Champaign, foi sentenciado a 24 meses de condicional, 30 horas de serviço comunitário e a me restituir o valor de US$ 150 dólares. O Estado ainda agradeceu a minha cooperação com as autoridades e paciência até o desfecho do caso.

Em agosto de 2011 eu me mudei para Massachusetts, vindo estudar no MIT. Como recomendado, informei a minha mudança de endereço à Corte de Champaign, de forma que pudesse receber a restituição. Agora em dezembro, tive a grata surpresa de receber um cheque com a primeira parte da restituição. O cheque é assinado pela Corte de Champaign, com o nome do ladrão e o número do processo.

Do começo ao fim, é um caso exemplar do funcionamento do Estado de Direito. Ninguém pode evitar que alguém, em algum momento, cometa uma ilegalidade. Mas existe uma diferença muito grande como diferentes sociedades lidam com o crime. Do governador corrupto ao ladrão batedor de carteira, a Justiça funcionou em Illinois.

A minha mesma experiência no Brasil prestando queixa em delegacia foi bem diferente. Começando pelo atendimento indiferente até o procedimento da investigação – nenhum, por sinal. Aliás, é comum policiais demoverem o cidadão de prestar queixas como furto de carteira ou celular sob o argumento de que não vai adiantar nada mesmo. O ladrão pequeno parece não interessar à polícia e a Justiça. E o ladrão grande? Ah, o ladrão grande espera a prescrição do Mensalão no STF. E quem sabe até, ao contrário de Blago, volte a ocupar os mais altos postos da política.

Renato Lima, jornalista, é mestre em Estudos da América Latina (University of Illinois at Urbana-Champaign) e doutorando em ciência política (MIT).

25.12.2011 - 13:41

Uma história de cinema – prédio do Cine Veneza é reformado por ex-vendedor de confeitos


João Valadares, com seu texto sempre seguro e bom de ler, nos traz uma interessante história do centro do Recife, que terá de volta o prédio onde funcionou o Cine Veneza.

Uma história de cinema
Prédio do Cine Veneza, no Centro, está sendo reformado por ex-vendedor de confeitos que virou milionário

João Valadares

O Rei do Confeito, o cearense milionário José Gregório dos Santos, 71 anos, que vendia bombons em tabuleiro nos cinemas recifenses está bem pertinho de virar menino de novo. “Vou apontar para ele e dizer: tá vendo aquele edifício, moço. Fui que reformei.” O esqueleto de concreto que emociona o nosso personagem é o imóvel que abrigava o lendário Cinema Veneza, na Rua do Hospício, bairro da Boa Vista, fechado ao público em outubro de 1998. Em 2007, ele levantou o dedo, tirou R$ 305 mil do bolso e arrematou num leilão o espigão de 19 andares. Um ano depois, após uma negociação com o grupo carioca Severiano Ribeiro, desembolsou mais R$ 650 mil e comprou o imóvel anexo onde funcionava a sala de projeção. O homem simples, que utiliza um celular velho e mora na Avenida Boa Viagem, o metro quadrado mais caro do Recife, fala de milhão com naturalidade. Orgulha-se quando olha o patrimônio e diz que cursou só até a sexta série. É formado mesmo na universidade da vida. “Daqui a um ano, você faz minha foto bonita aqui na inauguração.”

Cada apartamento, com 78 metros quadrados, tem cozinha, banheiro social, sala, dois quartos e dependência para empregados. “Originalmente, eram dois apartamentos por andar. Estou diminuindo o tamanho deles e deixando quatro por andar. Será um prédio misto. Quem quiser alugar para fazer sala comercial não tem problema, mas acredito que grande parte dos apartamentos vai servir mesmo de moradia”, declara.

Ele já gastou R$ 2,5 milhões. “O investimento só na reforma é de R$ 8 milhões. Terei à disposição 76 apartamentos. Quem quiser comprar, eu vendo. Mas estou de olho nos estudantes das universidades mais populares que existem no Centro da cidade. O transporte público no Recife é caro e ruim. É bem melhor para os universitários morarem aqui, bem pertinho de onde vão estudar”, justifica.

O prédio anexo de três andares, onde funcionava o cinema, vai ser transformado numa grande galeria Pajé, famoso shopping popular de eletrônicos de São Paulo. “Vou colocar assim no letreiro: Recife também tem sua galeria Pajé”, diverte-se. Toda a parte externa do edifício está sendo revestida com cerâmica branca, amarela e vermelha.

O homem de roupas simples e relógio de ouro no pulso não para de falar um segundo. “Eu comecei vendendo confeito nos cinemas. Vim do Ceará para cá com 19 anos para tentar ganhar a vida. Eu não tinha nada. Era muito pobre. Fui vendendo as coisas e depois coloquei um comércio pequeno no Centro. Hoje, tenho uma imobiliária (Gkel GK empreendimento) e uma distribuidora de remédios.” Ele não diz, mas alguns amigos revelaram que o Rei do Confeito é dono de inúmeros imóveis na cidade do Recife. “Eu estou reformando esse prédio para a classe C. Quero que essas pessoas tenham condições de morar bem aqui no Centro.”

Há 12 anos, José Gregório foi sequestrado quando deixava o Armazém Cearense, um dos seus empreendimentos. Por isso, não quis ser fotografado. “Fui levado para a favela Rosa Selvagem (Imbiribeira). Passei nove dias acorrentado. Pediram R$ 2 milhões para me soltar. A sorte foi que eu perdi 11 quilos e a corrente que me prendia ficou frouxa. Consegui escapar e arrombei a porta do cativeiro. Eles atiraram muito, mas eu me joguei dentro de um buraco e escapei. Até hoje, faço fisioterapia porque quebrei um monte de osso”, diz.

O edifício Veneza pertencia ao patrimônio do Banco Econômico e encontrava-se inacabado e com boa parte da estrutura deteriorada. Um laudo técnico apontou a necessidade de recuperação estrutural do edifício. José Gregório pretende finalizar todas as intervenções em aproximadamente um ano.

No início do anos 90, o imóvel chegou a ser vendido, no entanto, o comprador não honrou o compromisso e o negócio acabou sendo desfeito. O Cinema Veneza foi inaugurado em dezembro de 1970 pelo Grupo Severiano Ribeiro.

25.12.2011 - 11:02

O 2011 do governo federal


Historiador e professor universitário Marco Antônio Villa, autor de um excelente livro sobre Canudos, faz a sua análise da administração Dilma em seu primeiro ano, do Congresso e da oposição no artigo “Um ano para ser esquecido”. Um trecho: “É um governo sem agenda. Administra o varejo. Vê o futuro do Brasil, no máximo, até o mês seguinte. Não consegue planejar nada, mesmo tendo um Ministério do Planejamento e uma Secretaria de Assuntos Estratégicos. Inexiste uma política industrial. Ignora que o agronegócio dá demostrações evidentes de que o modelo montado nos últimos 20 anos precisa ser remodelado. Proclama que a crise internacional não atingirá o Brasil. Em suma: é um governo sem ideias, irresponsável e que não pensa. Ou melhor, tem um só pensamento: manter-se, a qualquer custo, indefinidamente no poder”.

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