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19.08.2010 - 18:36

Paulo Paiva lança “Cais da Alfândega Blues” nesta sexta-feira, dia 20/08

O cronista e contista Paulo Paiva lança mais uma obra. Nesta sexta-feira, na Livraria Saraiva do Shopping Recife, o escritor autografará a partir das 20h o “Cais da Alfândega Blues”. Do que li gostei bastante. Em breve farei um comentário mais detalhado sobre a nova obra de Paulo, que também é autor do bom Cabanga Club e que já esteve no Café Colombo falando sobre “O Avestruz Voador”.
(Renato Lima)

19.08.2010 - 13:11

Brasil caminhando em direção a uma ditadura

É o que dá a depreender deste texto do cientista político Bolivar Lamuonier:

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Sim, a eleição deste ano envolve certo risco autoritário
por Bolívar Lamounier

Quem examinar o quadro brasileiro neste momento poderá  estranhar minha preocupação com efeitos possivelmente mexicanizantes e autoritários do presente processo eleitoral. Mas política, para invocar o mais gasto dos chavões, é como nuvem. As formas que ela está assumindo hoje poderão não se repetir daqui a seis meses, um ano ou dois anos.

“Mexicanização” não significa supressão pela força das  liberdades e garantias constitucionais. Não é (nem requer necessariamente) um golpe de Estado.

É, isto sim, uma supressão da competição politica e eleitoral.  A “mexicanização” pode conviver com certo grau de pluralismo político, desde que controlado ou consentido- como aliás ocorreu nas 6 décadas durante as quais o PRI exerceu incontrastado domínio sobre a vida mexicana.

Um país pode chegar (ou cair) em tal situação por diversos caminhos. Atentos à conjuntura latinoamericana – especialmente ao que se passa na Nicarágua, na Venezuela e na Bolívia -, alguns analistas temem a instauração entre nós de um “chavismo branco” . Fazendo ampla maioria no Congresso, o governo poderia, por exemplo, implementar uma adrede concebida reforma política, com o objetivo de assegurar por muito tempo a posição dominante da aliança partidária PT-PMDB, que o respalda.

Eu tenho ponderado que um processo desse tipo talvez nem seja necessário. O que uma estratégia “mexicanizante” ou “chavista” requer é a esterilização política da oposição. Isto é óbvio : o cerne da democracia é a possibilidade da alternância no poder. Onde não há uma oposição com chances reais de ascender ao comando do Estado, não há democracia.

Atualmente, no Brasil,  a possibilidade de uma oposição eficaz passa necessariamente pelo PSDB.  Um projeto de poder de longo prazo, hegemônico, requer o virtual aniquilamento politico-eleitoral dos tucanos.

Como já se notou, um país pode ser “levado” à uma situação mexicanizada, ou pode “cair”  simplesmente nela.  A esterilização da oposição pode resultar de uma estratégia do poder momentaneamente existente ou de uma conjunção de erros, acidentes de percurso, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas.

O ponto que eu mais tenho martelado diz respeito à estratégia eleitoral montada pelo presidente Lula, nem um pouco sutil em seu objetivo de alvejar em cheio a oposição tucana.

Tenho também ressaltado a maleabilidade clientelista que praticamente anula a vitalidade democrática porventura existente no PMDB, e certos traços ideológicos dos quais o PT parece longe de se livrar, e que emprestam a esse partido uma coloração indisfarçavelmente autoritária.

18.08.2010 - 11:19

Vergonha: Bibliotecas do Grande Recife pedem socorro

Do JC de hoje:

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» EDUCAÇÃO
Bibliotecas do Grande Recife pedem socorro
Publicado em 18.08.2010

Prédios na capital, Olinda e Jaboatão têm vazamentos e infiltrações nas paredes e telhados, mofo e rachaduras. Também faltam estantes e livros

Oito bibliotecas comunitárias, localizadas no Recife, em Olinda e Jaboatão dos Guararapes precisam de ajuda. Vazamentos e infiltrações nas paredes e telhados, mofo, rachaduras e falta de estantes para livros são alguns dos problemas enfrentados pelas instituições. Na tentativa de resolver os problemas, foi lançado o Movimento em Defesa da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife.

“Precisamos de recursos para manutenção das bibliotecas. A maioria sobrevive de doações e por isso tem dificuldade para pagar as contas. Fazemos um trabalho importante de sensibilizar as comunidades para a importância das bibliotecas. Lamentamos porque nem sempre conseguimos oferecer uma infraestrutura legal”, observa o coordenador de Comunicação da Rede de Bibliotecas Comunitárias, Primo Rodrigues.

O movimento está aberto a contribuições em dinheiro (depósito na Caixa Econômica Federal, conta corrente 544-5, agência 2193, operação 003). Também a doações de equipamentos e móveis (computadores, impressoras, estantes, cadeiras, mesas) ou propostas de trabalho voluntário. “Qualquer ajuda é bem-vinda”, ressalta Primo. Quem quiser também pode doar livros, principalmente títulos infantis. Paradidáticos não são necessários. Amanhã, escritores e blogueiros, como Homero Fonseca e Samarone Lima, farão um coro virtual. Publicarão, em seus sites e blogs, textos estimulando a população a ajudar as bibliotecas.

No Recife, a rede é formada por bibliotecas em Brasília Teimosa, Coque, Ilha do Retiro e Alto José Bonifácio. Em Olinda, os espaços comunitários funcionam em Peixinhos, Ouro Preto e no Bairro Novo. Em Jaboatão, há uma em Piedade.

A diversão das estudantes Luciana Shirleide, 12 anos, e Ingrid Alice, 11, é visitar, diariamente, a Biblioteca Popular do Coque. Passam tardes lá, lendo ou ouvindo histórias contadas pela coordenadora do espaço, Maria Betânia Nascimento. Também mexem no único computador do lugar, que mesmo sem acesso à internet, é disputado pela garotada.

“Gosto de ler poesia. Depois, copio as que mais gosto. Já enchi quase a metade de um caderno”, conta Luciana, aluna da 5ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Costa Porto. “A gente se distrai quando fica na biblioteca. Acho bom”, diz Ingrid Alice. Questionadas sobre o que precisa melhorar, elas sugerem mais iluminação, computador com internet e mais espaço para as atividades.

“Perdemos bastante livros nas últimas chuvas, pois o telhado tem infiltração. A parte elétrica está comprometida. O muro também. O prédio é alugado e precisa de reforma”, observa Maria Betânia, guardiã do lugar, que convoca voluntários para ajudá-la. São cerca de 3.500 livros. A frequência diária fica entre 30 e 40 visitantes.

Na Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura, no Alto José Bonifácio, faltam estantes, mesas, cadeiras, computadores. “Conseguimos aprovar um projeto no Funcultura, que vai custear aluguel do prédio e os salários. Mas precisamos de dinheiro para manutenção”, explica o coordenador Fábio Rodrigues. Provisoriamente, a biblioteca está no edifício da associação de moradores, mas em setembro deve mudar-se para um galpão que será reformado.

17.08.2010 - 10:47

Mais Lima Barreto e menos Afonso Celso

No Ordem Livre, eu escrevo sobre a atual agenda de debates na campanha e porque acredito que o momento é de ter mais a companhia crítica de Lima Barreto do que o ufanismo descabido de Afonso Celso. Confiram!

(Renato Lima)

16.08.2010 - 09:24

Planejamento financeiro para todos

Convite para o lançamento de livro de Roberto Zentgraf e Fábio Giambiagi sobre planejamento financeiro pessoal:

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11.08.2010 - 11:13

Cheias na Zona da Mata Nordestina

A sensação de imobilidade de um lugar para evitar desastres é terrível. Recentemente tivemos as tragédias de Alagoas e Pernambuco, com a quase destruição de Palmares, terra do poeta Ascenso Ferreira. No trecho abaixo, da 100ª edição de Menino de Engenho, de José Lins do Rego, uma descrição de cheia no princípio do século passado, quase que igual à tragédia recente:

“- A cheia destruiu mais que em setenta e cinco. O Joca perdeu a semente de cana. A linha de ferro foi arrastada em mais de um quilômetro no Engenho Novo. No Espírito Santo caíram ruas de casas. Há muita miséria. Muita fome no povo. O governo está mandando mantimentos.

Havia uma sombria tristeza na gente da casa-grande. Há três dias que ali não se dormia, comia-se às pressas, com o pavor da inundação.

O engenho e a casa de farinha repletos de flagelados. Era a população das margens do rio, arrasada, morta de fome, se não fossem o bacalhau e a farinha seca da “fazenda”.

[...]
Saímos então para ver de perto o que o rio tinha feito. Na parede da estrebaria e nos paus do cercado ficara a marca das águas. A boca da fornalha parecia um açude; com mais um palmo a casa de purgar teria ido embora. O cercado era um atoleiro por onde os bois iam deixando as marcas dos cascos. Por toda a parte um cheiro aborrecido de lama. Os galhos dos marizeiros, todos pendidos para um lado, como se tivessem sido torcidos por uma ventania. E garranchos e ramarias secas por cima deles. O engenho todo estava triste. Só os canoeiros alegres, passando a bom preço, de um lado para outro, os aguardenteiros que vinham do contrabando de cachaça de Pernambuco. E para nós era a única coisa a ver: a canoa cheia de ancoretas, e os cavalos, puxados de corda, nadando, e a gritaria obscena do pessoal. O resto, tudo muito triste, e lama por toda parte.”

08.08.2010 - 14:12

Leitura desde o berço

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Nesse 20 de agosto um importante seminário ocorrerá no Recife. Especialistas na importância da leitura desde cedo (e falo desde muito cedo!) estarão reunidos no Centro de Formação de Professores Paulo Freire localizado na Rua Real da Torre,299,Madalena-Recife, de 9h até 12h. Confiram mais informações abaixo segundo o comunicado do Instituto Alfa e Beto:

O seminário “Leitura desde o berço: políticas sociais integradas para a Primeira Infância” tem dois objetivos principais. O objetivo imediato é estimular a formação do hábito de leitura em casa. Os estudos científicos comprovam que esse hábito contribui de maneira decisiva para o desenvolvimento da linguagem das crianças e, dessa forma, contribuir para aumentar as chances de sucesso escolar das crianças. O segundo objetivo é chamar a atenção dos responsáveis pelas políticas sociais para a primeira infância e sugerir políticas articuladas de atendimento às famílias com crianças de zero a três anos. Uma dessas políticas, naturalmente, é a disseminação do hábito de leitura.

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06.08.2010 - 09:32

Documentário sobre Machado de Assis

Entre as várias preciosidades do portal Domínio Público está um documentário disponível para ver online sobre o nosso maior escritor: “Machado de Assis – um mestre na periferia”. Com cerca de 25 minutos, é escrito e dirigido por Daniel Augusto. Vale a pena conferir.

05.08.2010 - 09:18

Raimundo Carrero e o celular

Do JC de hoje, sobre o nosso premiado (e desligado, heheheh) Raimundo Carrero:

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» LITERATURA
Carrero anuncia nova trilogia
Publicado em 05.08.2010

Contrato para publicação de Seria uma sombria noite secreta já está assinado. Escritor negocia tradução de suas obras

Por um motivo prosaico, o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2010 ficou mudo quase todo o dia de ontem. O escritor Raimundo Carrero foi procurado por dezenas de amigos para felicitá-lo pela conquista obtida com Minha alma é irmã de Deus e por jornalistas ansiosos por entrevistá-lo. Mas o telefone celular dele estava fora de área e sem bateria. Por não ser muito ligado em costas triviais do dia a dia, ele simplesmente esqueceu de carregá-lo. Depois de receber o troféu e o cheque simbólico no valor R$ 200 mil pelo maior prêmio literário em valor pago no Brasil, Carrero participou de um jantar de confraternização a convite de sua editora, Luciana Vilas Boas, da Record, juntamente com o companheiro de casa editorial Edney Silvestre, vencedor como autor estreante por Se eu fechar os olhos agora. Carrero dormiu tarde e só acordou a tempo de pegar o voo para o Recife. Exausto, chegou em casa no início da noite de anteontem e foi descansar. Para o mundo, literalmente, ele e o celular só entraram no ar ontem pela manhã. E ele deu logo uma boa notícia: já assinou contrato para a publicação do romance Seria uma sombria noite secreta, o primeiro livro de sua nova trilogia e negocia a tradução de sua obra.

Ontem, Carrero ainda curtia a ressaca da premiação. “A cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo foi bela e rápida”, diz Carrero. Começou com o escritor, compositor e jornalista Cadão Volpato apresentando os concorrentes. Depois falou, não mais do que cinco minutos, o secretário da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo. Em seguida, foi exibido um filme com um minuto de cada concorrente e feita a entrega dos troféus e cheques simbólicos. “Nesses cinco minutos foi uma maluquice. Fiquei muito nervoso, emocionado, e pensei que podia me controlar. Fiz um esforço imenso para não chorar. Não ia passar por velho ridículo…”

Carrero, no íntimo, sentia que seria vencedor. “Durante muito tempo, acreditei nisso. Mas a surpresa do anúncio do nome não foi menor…” O Prêmio São Paulo de Literatura deve abrir muitas portas para o escritor. “Acho que além de trabalhar mais intensamente a minha obra para no País. Os brasileiros não conhece bem a minha obra”, diz o escritor, que já havia vencido o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional com Minha alma é irmã de Deus, que encerra a tetralogia Quarteto áspero. O livro também ganhará divulgação durante o Festival de Gramado, graças à adaptação feita pela cineasta Luci Alcântara, que foi selecionada para a mostra de curtas.

TRADUÇÃO

Outro mercado no qual Carrero está de olho é o internacional. O agente literário francês Stephane Chao vem conversando com Carrero sobre a publicação de suas obras no exterior. “Espero algum avanço no mercado internacional, o que deve acontecer. Por enquanto não posso fazer revelações porque estamos negociando… As coisas estão indo bem… Os contatos são proveitosos. Vamos avançar, sim”, diz o escritor, otimista.

Com tantos títulos e prêmios publicados, Carrero há décadas aguarda a tradução de sua obra para outra língua. Uma frustração que espera ter fim. Afinal, a primeira experiência de ter romance lançado no exterior não se concretizou. “A dupla face do baralho foi traduzido para o inglês, por Arthur Brakel, mas houve problemas com as editoras e terminou não saindo”, lamenta.

ESTÍMULO

O Prêmio São Paulo de Literatura vem aplacar um pouco a ansiedade com a qual Carrero se vê obrigado conviver por temperamento. Saber que tem uma boa quantia de dinheiro na conta o deixa mais aliviado no seu dia a dia. Ao mesmo tempo, a responsabilidade e o reconhecimento pelo prêmio lhe servem de combustível para continuar produzindo todo dia. O novo romance já está pronto. E tem um título à Carrero: Seria uma sombria noite secreta. “É uma frase do romance Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce. É meu segundo romance pela Record. Já assinei o contrato. Sai no primeiro semestre do próximo ano…”, adianta.

“Trata da relação de amizade – ou de amor ? – entre o humilde Alvarenga e a arrogante Raquel”, explica o escritor. Alvarenga e Raquel são personagens de romances anteriores e aparecem em Somos pedras que se consomem. “Na verdade, resolvi fazer um encontro de contas com alguns personagens que esperavam por um aprofundamento psicológico. Será uma trilogia, que começa com este romance e segue com outro que já estou escrevendo: Breviário da paixões deste mundo, com Leonardo e Ísis, e segue com um terceiro ainda sem título. Aliás, o título da trilogia é Comigo a natureza enlouqueceu”.

Na entrega do Prêmio São Paulo Literatura, Raimundo Carrero ainda recebeu os elogios pelo lançamento de A fragmentação do humano, fotobiografia coordenada pelo jornalista Marcelo Pereira, que o apresenta de corpo inteiro para o leitor e serve de cartão de visita para conhecer a sua obra. “Foi uma coincidência muito feliz. Todos gostaram”, comemora o escritor.

02.08.2010 - 23:09

Deu Carrero…

O “nosso” Raimundo Carrero arrebatou mais um prêmio para a sua já rica coleção de honrarias. Acabou de faturar o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano com o romance “Minha Alma é Irmã de Deus”.

Amigo do Café Colombo, Carrero já esteve conosco só em estúdio por duas ou três vezes… vale procurar nos arquivos do link “Programas”, inclusive para recordar a conversa sobre “Minha Alma”.

Esta obra, que também rendeu um curta produzido por Luci Alcantâra, é a última do “Quarteto Áspero”, tetralogia que teve início com “Maçã agreste” (1989), prosseguiu com “Somos pedras que se consomem” (1995) e “O amor não tem bons sentimentos” (2007).

Os dois últimos anos renderam a Carrero muitas emoções, de complicações na saúde a uma bonita homenagem da Bienal do Livro de Pernambuco do ano passado e, dias atrás, uma fotobiografia (“Raimundo Carrero – A fragmentação do humano”, de Marcelo Pereira).

O Prêmio São Paulo enriquece ainda mais a produção deste pernambucano que se dedica de corpo e alma à literatura.

(Marcelo Sandes)

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