Schneider Carpeggiani
O escritor Ronaldo Correia de Brito não bebe nem licor, mas acredita que sua participação na Flip este ano será muito animada. Não é para menos. Ele conversa com o público em duas mesas. Na última delas, Ronaldo dividirá espaço com medalhões como Beatriz Sarlo e Salman Rushdie. Nesta entrevista, ele fala de suas expectativas em relação à festa.
Jornal do Commercio – Quais autores e palestras você tem mais curiosidade de ver na Flip 2005 e por que?
Ronaldo Correia de Brito – Bom, eu tenho interesse em quase todos, mas com certeza não deixarei de ouvir Robert Alter, falando sobre a Bíblia, Orhan Pamuk na mesa sobre As mil e uma noites, e Juan Goytisolo, comentando Dom Quixote. São livros que têm a ver comigo e com a literatura que faço. Também desejo ver a mesa sobre literatura policial, com José Latour, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Marcelo Fois, um tema que me pareceria estranho, mas que não é. E não deixarei de presenciar David Grossman e Michael Ondaatje falando sobre as fontes de inspiração. E tem Enrique Vila-Matas, com quem estarei numa outra mesa, no Rio de Janeiro, num evento pós-Flip promovido pelo Instituto Cervantes.
JC – Se você tivesse como escolher três autores para estar ao seu lado em uma mesa-redonda, quais seriam eles e qual seria o tema da palestra?
RCB – Sinto-me feliz por estar ao lado de Antonio Carlos Viana, um autor que eu já conhecia e admirava. Nunca havia lido João Filho. Por conta do nosso encontro, li Encarniçado, o livro que ele publicou pela editora Baleia. Confesso que fiquei sem fôlego com a narrativa de João. É chocante. Para outro evento, eu convidaria Alberto Mussa, Marco Lucchesi e Raimundo Carrero, e conversaríamos sobre o trágico e o épico na literatura brasileira.
JC – O que significa a participação na Flip para você?
RCB – Eu fiquei muito honrado e feliz com o convite. Ele coincide com o lançamento de Livro dos Homens, meu terceiro livro com a Cosac & Naify. Agora, lhe confesso que foi uma verdadeira consagração ser convidado para a última mesa, e poder sentar ao lado de Beatriz Sarlo, Jeanete Winterson, David Grossman, Enrique Vila-Matas, Gonçalo M. Tavares, Michael Ondaatje e Salman Rushidie. Você não acha que vai ser uma farra? Pena que eu não bebo nem licor.
JC – Este é o ano da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, se você pudesse escolher: quais seriam os principais temas da feira e que autores de fora do Estado você convidaria?
RCB – Em 2003, a convite de Rogério Robalinho e Rubem Valença, organizadores do evento, eu montei com a turma do Café Colombo um evento chamado Livro aberto. Foram oito noites dedicadas a autores pernambucanos. Foi um grande sucesso. Acho que o evento poderia repetir-se. Também organizei duas mesas sobre jornalismo literário e editoração. São temas sempre atuais.
Sem crítica e sem suplementos nenhuma literatura sobrevive. E também não sobrevive sem mercado e editores que invistam em novos talentos. Acho que a Bienal precisa equilibrar-se entre eventos puramente literários, para novos e antigos autores, e muita discussão sobre estratégias de mercado. Afinal, trata-se de uma feira para vender livros. Eu convidaria muita gente para a Bienal de Pernambuco: Rodrigo Lacerda, Milton Hatoum, Davi Arrigucci e Luiz Ruffato, de São Paulo, Alberto Mussa e Marco Lucchesi, do Rio de janeiro, Luiz Giffoni e Francisco Morais Mendes, de Minas Gerais, Pedro Salgueiro e Jorge Pieiro, do Ceará, José Nêumanne Pinto, da Paraíba, José Inácio Vieira de Melo e Mayrant Gallo, da Bahia, e vários jornalistas de suplementos culturais, como Antonio Gonçalves Filho, do Estadão, Rogério Pereira, do jornal Rascunho.