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26.07.2008 - 16:17

Na ponta do poema

Enviado por Máua Levi de Santana

A gente cresce, sente, pensa e chora. Entorpece.
Ainda tenta, luta, mas cansa e colga na esperança.
Descobre a espera que apodrece, irrita e rouba,
e fica o medo, sobra raiva, e não descansa.
Vem da revolta a ida à luta, a busca às armas;
pensão ensina o soldo a soletrar a rebeldia.
Ao pé da letra, condão explode com as paixões
e no afresco da utopia: a tinta contra a hipocrisia.

A Pena, a tinta, o papel, a pátria em mente
para estancar o alvoroço e o luxo ao arrepio;
cessar a páscoa no bordel do sujeito oculto,
os regozijos, a abstração no viés que infesta.
O status quo outorga ao réu insólita franquia
e é infausto pleito apor substantivo à locução.
Nas orações subordinadas, aberração descritiva
de estado assindético: o teor que a casa empesta.

No castelo do gentio não habita o pecado
- inocência é imputável ao que jaz sem saber -
abre a janela, avista o lago - nem acredita! -
mas é o saber que retira o perdão de ser.
Se no altar do usual, ou nos braços da fama,
no quorum da lama, ou no voto contado,
fizer a cama e rachar dobrado, existe o pecado
e expiar o pecado, é um direito que clama.

No ecoar das mentiras toda excelência é virtual.
Virtude é barrada nas casas e no comportamento.
Perversa e medonha fúria no corpo do regimento.

Se o dilema é gente, justiça é cena, o que vaza é mal;
a celebridade é um caos, achaques e só faz-de-conta,
o fim do poder plenário no voto da pena: a ponta.

30.11.2007 - 08:55

A Fitinha

Enviado por Carlito Lima

Noaldo Dantas, paraibano, jornalista e poeta publicou o texto: “O DIA EM QUE DEUS CRIOU ALAGOAS”, tornou-se um hino, um poema de nossa terra.

“Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro era alagoano. Em verdade não se cria um Estado com tantas belezas, sem cumplicidade. Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas: “Ô São Pedro pegue o estoque de azul mais puro e jogue dentro das manhãs encharcadas de sol, faça do mar um espelho do céu, polvilhando de jangadas brancas; quero os entardeceres sangrentos no horizonte, e aquelas lagoas e rios que estávamos guardando para uso particular, coloque-as nesse paraíso…”

Leia o texto completo

18.11.2007 - 10:34

Apipucos

Por Bruno Bezerra

Sonhei caminhando num arco-íris
Onde pareciam milhões
As suas sete cores…

Era um arco-íris modesto
Enfeitado com árvores e flores
Plantadas na praça e nas calçadas
Onde passarinhos diversos
Orquestravam a trilha sonora
Em acordes que lembravam versos
Com direito ao sol das sete horas
E a doce sombra de outrora.

Mas quando acordara do sonho
Notei que sonhara acordado
Um sonho mimado
Que nascera naquele mesmo instante
Do encantamento de minhas visões.

Mas eu não estava maluco
Eu estava em Apipucos
Deslumbrado com a alma das cores…
De seus ilustres casarões.

17.11.2007 - 10:33

Lugar Encantado

Por Bruno Bezerra

(Poeminha da contemplação urbana I)

É no Poço da Panela que eu passo
Passo e não disfarço
Passo com alegria…
De quem marca o passo.

Passo devagar
Passo maravilhado
Passo pelo poço
Da panela que é do homem
- Dizem, veio do barro…

Passo no Poço da Panela
Um lugar simples
E simplesmente encantado…

Onde a beleza é mais Forte

(Poeminha da contemplação urbana II)

Num sonho desperto
Quando em Recife
A beleza procurou morada.

Como um cavalheiro boquiaberto
O charme… lhe ofereceu suporte
Dando-lhe as boas-vindas
De braços abertos
No coração da praça…
de Casa Forte.

16.11.2007 - 10:33

Agreste azul e alaranjado

por Bruno Bezerra

Paz de espírito e clima de Agreste
Com vento bom de fazenda
Num alpendre celeste
E uma rede de renda.

Passarinho assobiando
Junto com o sol de fim de tarde
E o vento perambulando
Desprovido de vaidade.

O vento do Agreste é afetivo
Como carinho de avô
Aquele carinho sem motivo
Ou melhor, o único motivo é o amor.

E o cheiro de mato verde
Correndo solto na campina
Aprisionado pelo vento
E pelo perfume… Daquela menina.

E um gosto alegre de milho verde
Assado e cozinhado
E mesmo sendo do céu
O sabor é um pecado.

E o som da poesia
Musicada com a alegria
Do xote e do baião
Do forró e do xaxado.

E o céu… O céu do Agreste
Cenário azul e alaranjado
Onde a tarde beija a noite
E o sol dorme enluarado.

Eita!… Que saudade do Agreste
Do Agreste que vive em mim
E esse… Esse nunca terá fim!…

15.07.2007 - 22:21

Soneto da Autenticidade

Enviado por Bruno Bezerra

Expoente muito mais do que digno
Da alma e da autêntica cultura nordestina.
Autor duma obra que traz um brio condigno
Expresso em livros e no abrir das cortinas.

Professor… Escritor… Igualou-se aos gênios
E fez da aula, um nobre espetáculo
Multiplicando o valor de cada vocábulo
Como se todos tivessem algum irmão gêmeo.

De vigorosa identidade e analogia cultural
Porque Mateus, todavia preferiu os seus
Tal qual na história do Movimento Armorial.

Notável dramaturgo, mundialmente paraibano
Que o Nordeste há tempos vem atiçando
E o Brasil reverencia como Mestre Ariano.

(para o mestre Ariano Suassuna)

05.07.2007 - 08:03

Soneto para Bruno Tolentino

Enviado por Astier Basílio

Bruno Tolentino no caminho de Beatriz
aos teus pés se apresenta o último círculo.
A capela em que entram é uma neblina.
Há rumores com túnicas, onde os livros
são escritos à mão. O chão que pisas
não permite sandálias, nem recibos.
Nenhuma réplica, ali não há galeria
as imagens são seu espelho e mito,
são vivos os vitrais nesta Sistina
onde a idéia se faz em pedra e signo.
Entre incensos os pés de Deus caminham
como um vento a chamar cada escolhido.
Uma porta se sabe, outra adivinha-se.
Cumprimentas os anjos em sua língua.
O teu nome é chamado. E o resto é abismo.

03.06.2007 - 12:52

Cada Macaco no seu Galho (crônica só pra quem faz crítica)

Por Adilson Guimarães Jardim

Outro dia, um professor de faculdade anunciou uma descoberta singularíssima. A essas descobertas, que se dão a cada semestre, chamemos aqui de sigmunds. Nesse caso, o sigmund do professor era, na verdade, um objeto de especulação antiga (primata), que visa colocar o autor do texto literário para dentro do texto literário.

Voltaram as estórias da carochinha e do biografismo mais safado. São os tempos modernos, ou melhor, pós-modernos, ou ainda pós-modernistas, que é a coisa dentro da outra, uma suruba terminológica, mas sem direito ao cigarrinho final. A onda são os Estudos Culturais, esse que pega o freudismo (o sigmund do professor) e diz – com os dedos indicador e polegar formando um “l” sob o queixo, como dizem uns amigos meus e, estridente, ou entre - dentes: “é claro que é relevante você analisar uma obra literária, sabendo que o autor daquele texto é uma mulher, é um gay, é um negro, é os cambaus!” Se não aceitar esse fato, você está sendo um estruturalista (leia-se, ignorantes “extemporâneos”, escola es-truturalista). Vide também dicionário para as palavras “extemporâneos” e “vide”.

Leia o texto completo

01.04.2007 - 06:21

O canalha

por Anacreonte Sordano

No paraíso, a onde os canalhas
Se alimentam com voracidade
Dos sentimentos da humanidade
Onde disputam todas as migalhas.

E assim irrompem todas as batalhas
E camuflados de sinceridade
Os torpes vermes da canalhidade
jamais admitiram suas falhas.

Eis o canalha - um verme sujo
Um apedeuta infeliz, e cujo
Não logrará jamais um só momento.

Em que se apegue, a um ar sincero
Um nobre sentimento, dele não espero
Se não as farpas do seu pensamento.

25.03.2007 - 08:19

O fanfarrão

por Anacreonte Sordano

O próprio bobo da corte, o ignora
Toda plêiade de vermes, são seus pares
Vive a provocar o riso nos altares
Só enxerga o que não ver, a toda hora.

Se busca ter ciência, logo aflora
Os dons da estupidez, seus ufanares
E intrépido, arrota pelos ares
Petardos de asneiras, e vai-se embora.

Por onde ele passa, o rastro fica
Pois a todos, ele julga e critica
Nem o joio do trigo, ele separa.

O fanfarrão, este ser inconsequente
Nunca diz a verdade, sempre mente
E mentir a humanidade é sua tara.

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