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30.06.2010 - 12:21

Despertar por Janett Morais

Não sabia que um dia, eu desabrocharia
para esta bela arte de fazer poesias.
Nos meus momentos de solidão, navegava
na minha fértil imaginação, tentando encontrar
uma forma de ocupação para minha vida de
insatisfação.
Sem grandes pretensões, comecei um caderno
rabiscar,
todas as angustias que a minha alma inquieta
tentava sufocar.
Para mim foi uma feliz surpresa, pois eu não
entendia
ver escrito no papel, toda magoa que eu sentia
em forma de poesia.
Daí em diante não mais parei, escrever para
mim, virava lei.
Sentia de coração, que pelo menos uma frase
por dia, fazer… Era minha obrigação.
Foi então que descobri, sozinha não mais
estava…
Tinha ali dentro de mim, a companhia que me
bastava.
Anulei ansiedades libertei-me dos temores.
Aquela solidão de horrores,
eu não tinha tempo de alimentar.
Pois agora tinha comigo, um lindo Eu para me
acompanhar.
Me ensinando coisas lindas para no papel
colocar.
Foi então que surgiu a idéia , deste livro
publicar.
Dividindo com o mundo o que dentro de mim
vivia a guardar,
quando pensava que era tarde, porque não
tinha mais idade
para a alguma coisa me dedicar.
Estou apaixonada, por este meu eu profundo,
ele é verdadeiro, me mostrando um novo
mundo.
Do qual eu tinha medo, sempre me
resguardando
deixando de ser autentica, pra agradar gregos e troianos.
Hoje posso dizer, sou livre de verdade
Pois nunca mais deixarei, tirarem minha
liberdade
de ser quem eu sou
para viver uma vaidade, de mostrar para
alguem
uma falsa personalidade, tentando agradar
a quem não me ama de verdade.
Simplesmente descobri que para viver não tem
idade.

Janett Morais

19.06.2010 - 10:20

O sensualismo de “E agora” de Julie Philippe Santos

E agora?

por Julie Philippe Santos

Doces pulsos elétricos me percorrem o corpo pra não me deixar esquecer que foi muito bom. Eles também me lembram que o verbo por ora é no passado e que, por causa deles mesmos, não pude fazer muito para que volte a ser dito no presente.

Os arrepios gelados escorrem pelas pernas, braços, espinha abaixo. Entre as omoplatas, onde as mãos não chegam para espantá-los, depois dançam sobre meus cabelos onde um toque tão leve deixou uma cicatriz igualmente fria.

Mas mais do que machuca, o gelo me arranca a realidade. Errada aquela percepção de verdade, paixão e delícia, o que poderei dar por certo? Que sonho se fará possível diante de uma realidade que vi desfazer-se na neblina úmida?

As cores, os cheiros, os arrepios quentes e a luz que inundava as veias como fogo, leve como o riso, agora oscilam entre o caminho do branco e preto que alivia e o apego que me impede de esquecer. O lembrar ainda é sentir. As coisas boas primeiro, depois as últimas notícias. Me recrimino por ter dirigido tão rápido para casa. Deveria ter vindo mais devagar, saboreando aquele sonho tão frágil e tão mágico que me fazia cantar a plenos pulmões pelo caminho.

O lado ruim de provar quase todas as cores ao lado de alguém é que depois não há qualquer lugar seguro. O escuro traz os arrepios mais dolorosos, fantasmas dos abraços trocados, dos braços que se atrapalham, da vontade de dormir pra sempre, do pijama curto, do cobertor muito quente. O livro de receitas, a medalhinha de ouro no pescoço dele. O vinho, o braço do violão, o disco da Marisa Monte, o cara com a meia que não combina que vi na rua hoje.

Claudinho e Bochecha, Norah Jones, Guilherme Arantes, David Gilmour. O trabalho, o sobrenome da melhor amiga, cafuné e ovos mexidos de manhã cedo. Um SMS que chega, os sapatos baixos, os brincos de flores coloridas. Meus vestidos, o perfume que traz todas as lembranças feito gás venenoso.

O toque no pescoço e no cabelo, a lembrança de uma voz que agora machuca como um grito, a lembrança doce de um beijo na palma da mão que agora queima como uma chaga. A faixa que não consigo mais colocar no cabelo, o cardigã florido. Tanto de mim que se desfaz em saudade e lembrança, pedaços do passado e do presente que trazem consigo um sonho tão bom que chega a doer, justamente por ter sido sempre sonho.

Assim como dói olhar no espelho e procurar a beleza que teria sido suficiente.
Como dói cantar e procurar as notas que teriam completado a mágica, a doçura que teria viciado os lábios, o sorriso que apertaria o coração numa saudade que agora já sei que não existe. Doem as coisas que não disse, as bobagens que deixei escapar. Os beijos que não roubei, os segundos que desperdicei olhando para a lua.

Arde a vontade de entrar num avião e ir até Madrid pedir mais um beijo ciente de tudo isso, pra descobrir se a mágica esteve aqui dentro o tempo todo ou se chegou a cintilar entre nossos lábios. E se era de nós dois, onde está agora? Teria se perdido no mar?

17.05.2010 - 07:47

Filosofia por Valmir Viana

Filosofia

Mindi of way
house fluid,
look first.

Logos voa no canto Elísios sem ardil, compõe abstracão,sublimidade de bivias luzeiros via láctea transcendente circular sonhos etéreo.

Epigrama de uma intuição
objetivo um haicai há existir,
condores em abóbada os montes
reverência o estandarte cancioneiro.

Subjetiva voz do ínsito vate
filosofia plasmada na aura,
sabedoria, extasiaste criação
fremente orvalhar da razão cintilar.

Valmir Viana.
poeta

04.05.2010 - 09:37

Epifania por Antônio De Vitto

Epifania

por Antônio De Vitto

Eu estou sozinho. O ar que eu respiro é a única coisa que me resta. Já são três horas da madrugada, e eu estou sentado, num banco de praça, olhando ao redor, com a esperança de que ninguém me ache. A minha vida tem sido um inferno nos últimos sete dias. Eu perdi as duas únicas coisas que mais me importavam nesta vida: a minha casa e a minha namorada. E eu queria saber o por quê. Aliás, no fundo, eu devo saber, só que ainda há um sentimento dentro de mim, que não quer que a verdade se revele, um sentimento perfeccionista, um orgulho que prefere se manter intacto à revelar algo que possa ferí-lo.
O vento sopra. A árvore balança. Uma folha cai em minha cabeça. Mas eu não quero tirá-la dali. Estou poupando todos movimentos desnecessários. Aliás, estou poupando todos os movimentos. Eu nunca senti algo tão forte assim… Ser expulso de casa é horrivel. Uma terrível sensação de rejeição, ódio, raiva, amargura e amor, tudo ao mesmo tempo. É como se seu coração fosse um liquidificador, você pegasse tudo isso e batesse. Você se sente tonto, perdido. Não tem noção de onde está. Não sabe o que vai fazer, não sabe se quer viver, não sabe se quer pular da ponte mais próxima e se jogar, não sabe se quando for assaltado, gritará para o bandido: “Mate-me, por favor!”.
E aqui, eu penso…todo este tempo, o qual eu morei com os meus pais, em casa, eu fui um bom filho. Nunca tiveram do que reclamar. Eu sempre fazia o que me pediam, ainda acho que eu era muito bonzinho. Sempre brinquei, sempre fui divertido, bem-humorado, nunca causei mal algum para ninguém. Sempre permanecia quieto. No meu canto, deitado num sofá, do lado de uma lareira, que me aquecia em todas as noites frias e solitárias. A última coisa que eu fiz, antes de ouvir o julgamento final de meu pai, “Saia daqui”, e alguns empurrões em direção à rua, foi deitar do lado daquela lareira. Naquela hora, estava pensando sobre minha namorada. Ah, o meu doce amor… Como eu amava aquela cachorra. Tivemos loucas noites junto, era um amor insaciável, aventureiro… Mas, aquela cachorra me traiu. Eu não sabia se aquela porra de amor que eu sentia era recíproco. Eu não sabia se ela realmente me amava também ou estava lá só para me trair. Mas agora eu sei. Ela está lá agora, comendo do bom e do melhor, sentada num aconchegante sofá azul-piscina, pago em dez prestações, sendo confortada por dois proletariados de classe média, meus antigos pais. Eu ainda não sei porque os chamo de pais. Nunca cuidaram bem de mim. Eu não sei o que fiz para merecer isso tudo.
Sabe, pode até parecer clichê, mas é uma das frases que mais me conforta agora: “ Tempo é remédio “. E espero que assim seja. Eu digo “Foda-se”, bem alto, ecoando pelas ruas ( mesmo que ainda ninguém me entenda ), pulo daquele banco e sigo em alguma direção, a direção que, agora, é o rumo de minha vida… Ela é… o norte. O norte. Não sei o que me espera, nem o que vai acontecer. Eu aprendi que a vida é apenas uma aventura sem propósito, na qual nos fodemos o tempo todo. A felicidade é apenas algo momentâneo, por isso, tenho que aprender a conviver com a dor. Nada mais é importante para mim, além de mim mesmo.
E aqui vou eu, ó grande mundo que me aguarda! Eu vos digo, não é fácil ser um cachorro de estimação…

04.05.2010 - 09:29

A Zona Eleitoral, por Arthur Maciel

A Zona Eleitoral

por Arthur Maciel
- Povo da minha terra, que me ouve agora, aqui, neste exato momento deste dia de hoje! – grita pleonasticamente ao microfone o candidato a vereador de uma pequena cidade ao introduzir sua fala. É manhã de sábado e povo passa para a feira em meio aos cavalos, porcos e galinhas. Não àqueles que se esgoelam nos palanques, mas entre os animais de verdade, que estão à venda. Se bem que os cavalos, porcos e galinhas que falam ao povo também estão à venda. Pelo menos é o que parece. Eles se autopromovem para um pequeno grupo de gatos pingados, trazidos por eles mesmos de seus redutos, e para os transeuntes que aparentam se interessar muito mais pelos cavalos, porcos e galinhas da feira do que por aqueles que relincham, grunhem e cacarejam do alto do palco armado na praça.

O locutor diz os nomes e os números dos candidatos como quem lista os preços dos produtos do mercado: Zé do Açougue 35222, Pescoço bovino 1.99 o quilo. A carne é de terceira e os políticos, de quinta! Os discursos, se é que assim podem ser chamados, seguem um mesmo roteiro: votem em mim / sou honesto / votem em mim. Um ou outro mais falante foge à regra e faz diferente: promete coisas que até ele mesmo duvida que possa realizar! Mas ninguém questiona, só aplaude. Em política, ajoelhou tem que rezar…para que eles não sejam eleitos, suponho.

A opção de um eleitor por um candidato é de uma lógica muito simplória, quase franciscana! Por aqui, fatores econômicos e emocionais é que pesam na hora da decisão. Se o postulante dá dinheiro mas não agrada, ele torra seus bens e não vence a disputa. Do mesmo modo, se ele faz o coração feliz mas deixa o bolso triste, continua passível de derrota. Não importa se é cavalo, se é porco ou se é galinha. Sendo simpático e gastador ele tem vitória quase certa, ainda que depois o sorriso desapareça e a gastança continue, mas com o dinheiro de outros animais: das antas e dos burros que o elegeram!

A democracia, iluminada pela esperança e aquecida pela fé, como dizia o talvez ingênuo Ulysses Guimarães, é consumada com a apuração dos votos. Tarde da noite, segue uma carreata pelas ruas da cidade composta rigorosamente de um carro-de-som, uma caminhonete com o prefeito eleito em cima e o povo que, correndo eufórico na frente, mostra que foi feita a sua vontade. Onde a festa acaba? Para o candidato vitorioso, em um almoço no dia seguinte com as autoridades locais. Para o povo, em uma ressaca daquelas e numa brusca retomada da dura rotina que havia sido deixada de lado com a empolgação da campanha. As pessoas acabam esquecendo das obrigações do dia-a-dia devido ao calor da eleição e depois não lembram de cobrar as promessas da eleição por causa das agitações do dia-a-dia!

A lógica franciscana da campanha eleitoral é a mesma nos quatro anos de mandato dos eleitos. Mas a relação deles com os eleitores vai ficando cada vez menos santa, afinal eles não precisam de votos, pelos menos por enquanto, e então passam pelo que eu chamo de Síndrome da Inculpabilidade: o político começa a transferir para os outros a responsabilidade sobre sua pífia atuação. É aquela velha estória (com “e” mesmo) do Legislativo que sempre depende do Executivo para ter seus projetos executados…e assim eles vão saindo pela tangente, pelo seno e pelo cosseno com a mesma desculpa! É como se as “excelências pouco excelentes” combinassem, além das benevolências recíprocas, as justificativas furadas que vão dar à sociedade.

A cena final e mais marcante deste filme, que o leitor tem a estranha sensação de já ter visto um dia, é que aqueles que corriam eufóricos na dianteira das carreatas depois parecem continuar correndo, mas de medo do tal “sistema democrático” que descasca, usa e então joga fora. A política virou um instrumento de prostituição da cidadania. O Brasil é uma gigantesca ZONA eleitoral no seu mais lamentável sentido.

17.04.2010 - 13:01

A Feira de Trocas, por Vinícius Antunes da Silva

A Feira de Trocas

Peguei esta estória antiga na feira de trocas, se ao leitor não couber, troque-a por outra:
Seu José Pedro chegou às 4 da manhã na Praça XV, as barracas estavam de pé antes do sol. Ia o velho, levando no colo uma boneca de pano feita pela esposa há 10 anos, coisa rara e bem feita, sem valor nenhum financeiro, mas lotada de cifrões afetivos. Na primeira barraca que lhe interessou viu um lustre bonito que serviria para alumbrar todo quarto, quis trocar a boneca por ele, mas o vendedor lhe perguntou de que serviria aquela porcaria. Andou mais um pouco resfriado pelo sereno da madrugada e viu uma jaqueta feita de couro e teias de aranha. Disse ao moço das roupas que a trocasse pela boneca, mas este lhe disse que era cedo para piadas. Andou até parar pela terceira vez, ao avistar um canivete inglês, e o vendedor lhe disse que não lhe interessavam joguetes. Quando já estava a desistir, avistou uma caixa de ferramentas seminova numa tenda dum homem de barbas brancas. Zé Pedro envergonhado lhe ofereceu a boneca e, na mesma hora, o homem barbudo aceitou. Os amigos encarnaram ao feirante que se desfizera dos utensílios para tomar um brinquedo pra si. De noite, com as ferramentas, Zé Pedro dava novo jeito a sua casa, num raro momento de alegria e, Marcelinha, a filhinha do homem barbudo, tinha a noite mais feliz de sua vida, ao dormir abraçadinha com a nova boneca que um dia havia sido da filha de Zé Pedro que morrera de tuberculose.

Antunes

05.03.2010 - 18:29

Samuel Costa e o mundo de Felisberto

O mundo de Felisberto

-Vamos ‘’na’’ praia mulher? A pergunta retórica e, em tom de desespero, não abalou a mulher sentada no sofá, a tricotar uma toalhinha branca.

- “Tas’’ doido homem, ir pra praia, com um tempo desses, vê senão amola! Eulália sequer levantou os olhos para encarar o marido ao proferir essas palavras. A ‘’espanhola’’, bem sabia que os rompantes do marido, não iam parar por ali.

-Vê se cria juízo homem! Foi só comprar essa ‘’lata velha’’, pra tu ficar todo assanhado…- e de fato, após se aposentar, Felisberto enfim tirou sua ‘’carta’’ de motorista, e comprou um Fusca 68. O ‘’Fusca’’ era um sonho a muito sonhado, e só agora realizado. E o mundo de Felisberto, outrora, tão pequeno em relação de tempo e espaço, agora ganhara limites nunca antes imaginados. E esse ‘’novo mundo’’, tão vasto de possibilidades, já não cabia a espanhola. E Felisberto, de repente, pensa nas coisas que ela teve que passar para casar com ele, um simples operário, pobre e negro. E uma olhada para a decoração da casa, Felisberto se sente estranho, só agora parece notar os ‘’excessos’’ da mesma. E diz de si para si mesmo: – Droga de casa, por mim botava tudo abaixo.

-To indo pra praia mulher, se ‘’que’’ ficar, então fica…não ‘’to’’ nem ai pra ti mulher! E assim se deram as coisas, um conforto que ‘’Lola’’, a espanhola, renunciara há décadas, seu marido descobrira na velhice. E após muitas idas e vindas com o Fusca 68, Felisberto enfim pede o divórcio.

Por Samuel Costa contista em Itajaí SC

02.03.2010 - 02:32

Ode ao Egberto Gismonti

Ode ao Egberto Gismonti

“Hão-de chegar-me pouco a pouco os bens do mundo”

Antes que sopre o rexio,
Haverá um viajante que cansado
Do mundo inteiro, em pedaços
De nada,
Pedirá um pouco mais de descanso,
Um pouco mais de além, um pouco mais
De caminho, margem onde as águas
Gastas das jornadas das suas nuvens
Acrobáticas,
Descansam de seu longo transbordo
Da sua via líquida e láctea, dizem os transeuntes
Do lugar leucoceleste
Límpido e fugaz,
De estrelas que se escondem nos
Telescópios do cansado navegante
Viajante do atalho cansado,
Caminho arredado
De luares e luares de luas cheias,
Quase vazias,
Quartos crescentes e fogos simples,
Pertença unívoca
Do caminhante viajante cansado,
Devoluto caminho da
Primeira e última matiz da anacruse,
A nota, a intermédia nota e pertença
Da coronária celeste, que ao cismontano
Encantador de estrelas e romances,
Adormecem, descansam
Na noite antes da madrugada.
E se espalham espelham vagam
Num sítio longe além, no espaço
Duma noite antes da madrugada,
Dum dia e noite, espaço constante
Onde habitam os pedaços de gelo
Coronários, cadentes, primordiais.
Nos arredores do caminho das estrelas.

Das estrelas e do seu rasto risco no céu
Descrição breve, não resta nada
Que olho humano veja
Nesta noite de carregada nuvem negra
De negra escuridão, o céu inteiro abóbada
Um tecto em vão, que
Nos apontamentos vagos e quase
Invisíveis, senso ou sorte ou destino
Restos do pó de sonhos de quem
Caminha entre o luminoso plasma,
Que de há tanto terem adormecido
Se adormeceram na noite cerrada.

Rectas e riscos e céu sem fronteira
Celeste
Adormecem nas margens do mais
Atlântico ribeiro, que dista daqui
Um pouco mais de nada
Um pouco mais de espaço nado
No sonho do viajante
Arquitecto, sedutor amante das estrelas
E das notas que a compõem,
Da esfera harmonia madrugada de noite infinda
Infindo dia.

“O resto foi o que eu não quis
Perseguição, procura, enlace
Esse retrato feito a giz
Pra que não mais eu me encontrasse.”

Descansa
Na pulsão nocturna do dia
Descansa nesse retrato de giz
Intemporal, nessa nascente que alimenta
A nuvem interior dos ribeiros regatos,
Descansa
No pulmão perene da poesia
Nota e harmonia, quase infinita
Quanto infinda a letra mais breve.

O resto é giz
O resto é rasgo
O resto é poeira na estrela,
Que brilha no expoente
À hora do meio-dia.
O resto é cruz
O resto é mundo, o resto
Infindo, descansa
Enquanto a casula sacerdotisa
Rebola-se no ar do caos
Que o sonho de homem comum alimenta.
Descansa adormece vence
Inventa esta matriz do vento
Que sopra nas cordas duma viola,
Que lamenta e corre o giz nesse ventre
Desta esfera armilar, irmã gémea
Da estrela mais longínqua do sistema solar.

Tudo é grande
Tudo é nada,
Tudo é estrada de sonho
Que adormece no colo terreno
Do homem giesta, retama
Amarela e branca, que dança
No homem vigilante nocturno,
Vigia vigilante de sonhos do mundo
E encantador das estrelas
Que o espantam.

“Era uma folha pousada
No cotovelo do vento”

Do vento
Que adormecia adormecendo
Debaixo da abóbada de céu furado
De ponto branco,
De ponto cardeal e cruz,
De ponto morto, de partida
De ponto de vista e solstício,
Que não se não pertencesse a um deus abandonado,
Haveria de navegar no timbre
Da viola do arco do céu, que o homem
No seu descanso tomaria
Por ponto apenas, signo breve da jornada.

Do interior dos tempos, o nada
Do interior do nada, a estrela que procura
Aquele que sonha, o seu encantador, não
De serpentes, não
De encantamentos, nada!
O viajante adormece no dia
Que sobrou da madrugada.
O viajante adormece na luz
Luzidia duma viola que aguarda o dedo
Em supinação, em pronação feliz,
Que toca no mais distante e distinto
Arco do universo, aquele, além
O interior da maternidade das estrelas
Dos céus. Dos altos
Mares e oceanos estelares
Dos ribeiros cadinhos, torre sineira
Dos ventos que arcam o mundo inteiro,
Em pedaços
Interiores de cristais e cristais baços,
De vento rexio, um vento gelado
Que se abandona no dia e noite
Do viajante que à luz das velas
Dum mundo suspenso no dedo feliz
Que amansa um piano e guitarra.

E como tudo é grande,
O finito e infinito trespassa,
Na mais árdua tarefa, depois da que coube ser deus:
Acendam as estrelas,
Está a acordar o seu mestre
Está a acordar o seu encantador.

E contudo, tudo se move
E para o homem que sonha,
O tudo, é possível!

Castelo Rodrigo, 10 de Novembro

Leonardo B.

|aparte breve: as citações intermédias pertencem a David Mourão-Ferreira|

01.03.2010 - 22:25

Eu sinto, por Luiz Andrey Aires Elias da Silva

Eu sinto

Sinto saudades…
dos bons momentos
do teu sorriso
e do teu talento
em perder o juízo

Sinto saudades
de ter te beijado
vendo contigo o amanhecer
deitado ao teu lado,
da paixão ao anoitecer

Sinto saudades
das tuas caretas
das tuas bobeiras
de brincar contigo
de ser teu amigo…

Só não sinto saudades
de te ver chorando
e às vezes pensando,
que por pura vaidade
estou te amando.

Sinto vontade
de te beijar
de te cheirar
de te abraçar
de te amar

Sinto vontade
de ser engraçado
de ser despojado
de ter a felicidade
de estar ao teu lado

Sinto vontade de ser teu príncipe
já que és minha princesa,
de ter a certeza
de servir à vossa alteza.

Só não sinto vontade
de te machucar, de te magoar
de forma alguma te fazer chorar,
de pensar que sem você
minha vida possa acabar.

Luiz Andrey Aires Elias da Silva

01.03.2010 - 22:14

Vem, por Eriberto Henrique da Silva

Vem

Esperando pra dizer te amo!
Esperando pra dizer que você é especial,
Guardando teu lugar do meu lado
E imaginando teu sorriso!
Já sinto a sua presença,
Tua alma carinhosa que me olha profundo,
Vou te ensinar com o meu amor
E te fazer ensinar amando também.
Você é um sonho que nasceu nos raios do sol,
Uma borboleta ainda no casulo louca pra voar.
A nova razão do meu viver,
Que já mora em meu coração.
Assim digo,
Que te amo,
Que você é especial,
Que você vai nascer pra mim,
Como eu nasci pra você!

Eriberto Henrique 14/02/10

DEDICADO AO MEU FILHO.

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