06.09.2010 - 00:20
O vaqueiro e o coronel por Sizinho Junior
O vaqueiro e o coronel por Sizinho Junior
_Acuda filho querido
Coronel gritou mentindo
Ele é um pistoleiro
O rapaz já foi agindo
Atirou no velho homem
Que em seus braços foi caindo.
Enquanto ele agonizava
O coronel trapaceiro
Achando ter se livrado
Com um plano bem certeiro
Enterrando para sempre
O assunto verdadeiro.
Mas o velho e bom vaqueiro
Na hora de sua morte
Nos braços daquele jovem
Contou com a própria sorte
Passou a mão em seu rosto
E disse não muito forte.
_Esperei por muito tempo
Por essa oportunidade
Você é o meu filhinho
Tomado em perversidade
E o coroné criou-lhe
Escondendo a verdade.
Na mesma hora morreu
O rapaz ali chorou
Não se sabe bem ao certo
Como foi que terminou
Eu só sei que o vaqueiro
De destino traiçoeiro
Nessa hora se findou.
-08- Fim
A família do vaqueiro
Sem rumo e humilhada
Caiu no mundo afora
Em desgraça planejada
Deixando pro coronel
Sua cria abençoada.
E o tempo se passou
O menino foi crescendo
O coronel dos Furtados
Para ele ia dizendo
Você é o filho meu
A história foi fazendo.
Passado uns vinte anos
Muita coisa aconteceu
O coronel o criou
A verdade sempre escondeu
Ensinou o que sabia
O menino claro aprendeu.
Mas algo sempre fazia
O coronel se preocupar
Deu nome tudo que tinha
Sem a verdade contar
Com medo que o rapaz
Fosse lhe abandonar.
O medo passava disso
Pois ele tinha, porém
Um pavor só em pensar
Na riqueza ir também
E morrer pobre sozinho
Esmolando por um vintém.
-06-
1ª edição
Autor: Sizinho Júnior
O vaqueiro e o coronel
Seu moço peço licença
Pra contar com precisão
A saga de um vaqueiro
Que viveu La no sertão
Nascido no pé da serra
Criado por seu patrão.
Gerado meio a pobreza
Mas com destino traçado
Da presença de seus pais
Muito jovem foi levado
Pelo dono da fazenda
Coronel Mario Furtado.
O coronel da fazenda
A muito que já sofria
Pois não gerava menino
A vida se estendia
Sobre a riqueza que tinha
E a vida que vivia.
-01-
A notícia correu logo
Nas veredas do sertão
Correndo de boca em boca
Em galopes de alazão
Rastejando na caatinga
Feito cobra pelo chão.
Em menos de uma hora
O coronel ficou sabendo
A inveja lhe consumiu
Ficou todo remoendo
Trincou os dentes com força
Que o sangue foi escorrendo.
Traçou um plano macabro
Com grande perversidade
De tudo que ele fizera
Essa foi pior maldade
E chamou o pobre homem
Na sua propriedade.
O vaqueiro pobre coitado
Saiu de casa achando
O coronel ta sabendo
Por isso ta me chamando
Vai bem me dar um agrado
As coisas tão melhorando.
O coronel seu patrão
Tava todo programado
O vaqueiro vindo aqui
Do jeito que ele é lesado
Compro o menino a ele
E crio como um Furtado.
-03-
Era homem rancoroso
Por todos era temido
Se alguém discordasse dele
Ligeiro era contido
Sua palavra era lei
Tava dito resolvido
Naquela mesma fazenda
Um bom vaqueiro morava
Pois há mais de vinte anos
Ao coronel se dedicava
Lidando com muito zelo
Da fazenda que cuidava
O coronel por sua vez
Era cabra falso covarde
Não pensava duas vezes
Pra fazer qualquer maldade
Humilhava e dava fim
Ditando sua vontade
O vaqueiro que ele tinha
Morava ali bem perto
Dedicado a sua lida
Cuidando do que é certo
Recebia qualquer um
Tendo ele peito aberto
Bem cedo numa manhã
Hô! Meu Deus que alegria
A mulher do bom vaqueiro
A notícia lhe traria
Que naquela ocasião
Mas um filho lhe daria
-02-
O que ele não sabia
Que não se deve brincar
Com as coisas do divino
Que não se pode mudar
O que Deus dar com amor
Ninguém pode lhe tomar
O dinheiro e o poder
A loucura o levou
Assim que o vaqueiro chega
Ele logo lhe mostrou
Um pacote de dinheiro
E o assunto adiantou
Esse aqui é o meu preço
Espero que seja o seu
Quero comprar seu filho
O mais novo que nasceu
Pra viver aqui comigo
Pensando ser filho meu
O vaqueiro tava em pé
Segurou pra não cair
Tomado pela emoção
Do assunto a discutir
Pediu força a Deus na hora
Começou a refletir
De todas as provações
Essa foi a mais pesada
Melhor tivesse morrido
Antes daqui minha chegada
Mas Deus escreve certo
Na linha enviesada
-04-
Mas o que ele temia
Acabou acontecendo
Um dia um velho homem
Sua porta foi batendo
Chamou pelo coronel
E foi logo lhes dizendo
_Eu não sou nenhum mendigo
Nem tão pouco sou ladrão
Há muito criei coragem
Para essa ocasião
Faz tempo quero fazer
A grande revelação
O coronel interrompeu
Com forte ignorância
_Diga logo o assunto
Achando sem importância
_E continue seu caminho
Não quero importunância.
O velho foi mais além
_Tive a vida desgraçada
Nas mãos de um coroné
De família deserdada
Venho aqui trazer verdade
A história maquiada
O coronel puxou a arma
O velho o agarrou
E em luta corporal
Sob o chão continuou
Nessa hora o rapaz chega
E tudo presenciou.
-07-
_Recuso sua oferta
Não posso lhe ajudar
Meu filho não ta a venda
Pra homi nenhum comprar
Procure outra pessoa
Pro senhor negociar
O coronel trincou o queixo
O vaqueiro lacrimejou
Deixando-o pensar sozinho
Ali mesmo se ausentou
Montou-se em seu cavalo
E pra casa galopou
De toda perversidade
Que assisti até então
Nunca ei de esquecer
Aquela sem coração
Do coronel desumano
Cutucado pelo cão
O coronel planejado
Juntou a artilharia
Pra correr com o vaqueiro
A ordem dele seria
Matem se julgar preciso
Se revidar com valentia
traga o menino novo
Que ele é filho meu
O resto pode tratar
Como bicho que já morreu
E sacudam na desgraça
Que ele mesmo escolheu
-05- Fim