Eduardo Cesar Maia - 12 de dezembro de 2015 às 11H 53M

Wilson Martins: o individualismo crítico contra as modas teóricas

Wilson Martins: individualidade crítica superior a qualquer modismo teórico

Wilson Martins: individualidade crítica superior aos modismos teóricos

Em seu A crítica literária no Brasil (1983), Wilson Martins faz um panorama extenso e detalhado das correntes críticas e dos principais críticos literários brasileiros. A obra, em dois volumes (1.176 págs.), apesar das limitações naturais inerentes a um livro tão ambicioso em extensão, tem o mérito de superar uma simples visão catalográfica e lograr uma unidade que se configura na perspectiva crítica do próprio autor, um dos nossos últimos grandes críticos humanistas, e assumidamente um “impressionista”, com toda a problemática que o termo carrega.

Martins, que não fugia de polêmicas, foi um corajoso antagonista dos modismos teóricos assumidos acriticamente por grande parte dos estudiosos da literatura vinculados à academia. Talvez por isso tenha traçado um caminho intelectual tão particular, cultivando sua perspectiva com tanta autonomia, livre de rígidos compromissos teóricos e/ou ideológicos.

Um dos teóricos da literatura mais influentes do País, Afrânio Coutinho – importador e vulgarizador dos ideais da Nova Crítica norte-americana no Brasil –, por exemplo, foi um dos críticos mais duramente examinados por Martins, que via na “obsessão pelo método” nada além de uma fraqueza do espírito crítico.

Luiz Costa Lima

Luiz Costa Lima foi duramente criticado por Martins: “Ele vive da revisão ininterrupta de si mesmo, da apressada irreflexão”

O maranhense Luiz Costa Lima – talvez o teórico de literatura de maior reconhecimento hoje no Brasil – também recebeu forte reprovação. Wilson Martins rebatia em Costa Lima justamente o tom dogmático com que expunha e defendia as teorias – ou mais bem modismos teóricos estrangeiros – às que ia aderindo “de forma deslumbrada, acrítica e mimética”. O crítico paraense falecido em 2010 ridicularizava “a rapidez vertiginosa com que (Costa Lima) passa de uma posição teórica, veementemente afirmada, a posições contrárias ou diversas, afirmadas com veemência não menor. Ele vive da ‘revisão’ ininterrupta de si mesmo, inquietude que evidencia, pelo menos, a apressada irreflexão com que sucessivamente as adotou”.

A dupla exigência de Wilson Martins continua válida e atual: em primeiro lugar, um pouco mais de, digamos, ceticismo crítico frente a modismos teóricos, importados ou não; e, não menos importante, a não abdicação das posturas e opiniões individuais no ato crítico… A crítica brasileira anda carente, principalmente, acredito eu, de personalidade, de individualidades fortes, e isso não há método ou teoria que possa oferecer.

Eduardo Cesar Maia

Editor da revista Café Colombo e professor de comunicação na UFPE, Eduardo Cesar Maia é jornalista, mestre em filosofia pela Universidade de Salamanca e doutor em Teoria da Literatura. Trabalhou na revista Continente.

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