Mano Ferreira - 29 de abril de 2015 às 11H 54M

E se existisse pena de morte no Brasil? Ela existe.

Brasileiro Rodrigo Gularte foi executado na Indonésia pelo crime de tráfico de drogas

Brasileiro Rodrigo Gularte foi executado na Indonésia pelo crime de tráfico de drogas

Em janeiro, o Estado da Indonésia fuzilou o brasileiro Marco Archer e outras cinco pessoas, sendo uma da Holanda, do Malawi, da Nigéria, do Vietnã e da própria Indonésia. Todos condenados à pena capital pelo crime de tráfico de drogas. Ontem a história se repetiu, dessa vez com o brasileiro Rodrigo Gularte e outros sete condenados. Como era de se esperar, a história tem causado comoção mundo afora. Houve intensa pressão internacional pela revisão da pena não apenas do Brasil, mas também da Austrália, da Noruega e de outros países que têm seus cidadãos entre os condenados, além da Anistia Internacional e das Nações Unidas.

A pena de morte é considerada uma selvageria pela maior parte das pessoas – ainda mais quando aplicada para um crime sem vítima, como é o caso do comércio de drogas, onde pessoas adultas estão apenas trocando dinheiro por mercadorias voluntariamente. Para se ter uma perspectiva da desproporcionalidade da questão, na própria Indonésia um terrorista responsável por um atentado em uma boate que causou a morte de 202 pessoas foi condenado a 20 anos de prisão – e manteve sua vida, portanto. Apesar disso, vale destacar: os traficantes executados na Indonésia responderam a processo judicial e as mortes foram resultado de um rito relativamente civilizado. No Brasil, como destaca a excelente reportagem de Camila Almeida na revista Superinteressante, agentes do Estado executam a pena de morte sem nenhuma cerimônia:

A polícia brasileira é uma das mais letais do mundo. Seis pessoas morrem, todos os dias, pela ação de policiais. Só em 2013, foram 2.212 cidadãos executados pelo Estado. Em cinco anos, nossa polícia matou tanto quanto a dos americanos num período de 30 anos. É o que escancaram os dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Já a pesquisa Desigualdade Racial e Segurança Pública em São Paulo, desenvolvida por pesquisadoras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aponta que os jovens negros são maioria nas mortes. Das vítimas mortas por policiais entre 2009 e 2011, 61% eram negras. Mais da metade tinha menos de 24 anos.

Confira a reportagem completa.

Mano Ferreira

Editor deste site, integra o Café Colombo desde 2012. Jornalista formado pela UFPE, trabalhou nos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco, onde atuou na Revista Aurora. É colunista do Mercado Popular e foi co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade no Brasil.

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