Mano Ferreira - 25 de março de 2015 às 17H 41M

Livro de contos celebra aniversário do Rio de Janeiro

alexandre kostoliasNo ano em que a cidade do Rio de Janeiro comemora 450 anos, o escritor carioca Alexandre Kostolias lança Rio em seis tempos, pela Editora Jaguatirica, que reúne seis contos em celebração ao estilo carioca de viver. Com humor sarcástico e crítico, Kostolias revela um Rio através dos tempos, com histórias que retratam a cidade e personagens que nela vivem ou viveram. O lançamento acontece amanhã, 26, na Livraria da Travessa de Botafogo, às 19h.

As narrativas são compostas pelas maravilhas e infortúnios de um mesmo Rio. Em 1785, em pleno período colonial, o alfaiate Alexandre Bartholomeu Gusmão de Sá, personagem do primeiro conto, tenta a sorte de ser atendido pelo vice-rei, a quem pretende solicitar autorização para abrir uma pequena indústria de confecção. Embora hoje pareça surreal, essa já foi uma atividade proibida em todo o território nacional pela rainha Dona Maria, “a Louca”.

O segundo e terceiro contos entrelaçam histórias de dois personagens que se apaixonam pela cidade. Depois de receber ajuda da Princesa Isabel, que permanecia exilada do Brasil na Normandia, Colette, uma francesa em fuga da Primeira Guerra Mundial, resolve conhecer o país de onde vinha gente tão generosa. Para o maestro italiano Giacomo, que ocupou durante anos o cargo de primeiro violoncelista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, a escolha pelo Rio era simples: era o único lugar no mundo onde se podia andar de bermuda!

O quarto conto é protagonizado por Graça, uma heroína feminista do Cordovil que não se rende aos assédios do patrão enfeitiçado por sua beleza. Morena de corpo escultural e valente, a moça enfrenta situações perigosas na cidade que cresceu e se tornou refém da violência.

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Alexandre Kostolias

Como muitos outros portugueses que vieram para o Brasil, Manuel Gonçalves das Neves, camponês do Minho e personagem do quinto conto, passou a vida inteira trabalhando em sua singela padaria no bairro de São Cristovão. O que nínguem imaginava, inclusive seu único herdeiro, Apolinário das Neves, era que, embora tivessem vivido como pobres, o pai escondia um enorme patrimônio.

No conto de encerramento, o autor antevê um Rio futurístico como cenário de seu primeiro sci-fi, ambientado em 2065, ano do Quinto Centenário da cidade. O Aeroporto Internacional e Estação Espacial Tom Jobim (EETJ) tem como destino principal o planeta Marte, já habitado e “desenvolvido”, e São Paulo e Rio de Janeiro são uma única megalópole – Riosp –, ligadas por um trem de altíssima velocidade que fará o trajeto em exatos 34 minutos.

O escritor Alexandre Kostolias nasceu no Rio de Janeiro em 1949. Filho de mãe carioca e pai grego, graduou-se em Relações Internacionais pela San Francisco State University e pela University of California, Berkeley. Publicou o infantil Meu avô grego (Panda Books, 2010) e o romance Um breve suicídio em Viena (Oito e Meio, 2012).

Confira um trecho do livro

“O Paço ficará descaracterizado, mas um dia será restaurado e transformado em centro cultural. Exibirá mostras de arte contemporânea que em nada retratarão a época em que a história do Brazil, ou Brasil (como então se escreverá), se fazia neste edifício. Ao invés, exibirá o que se entenderá por arte de um futuro que ocorrerá daqui a mais de dois séculos.  E como é que eu sei de isso tudo? É porque tenho a capacidade inata de prever o futuro.

Sou Alexandre Bartholomeu Gusmão de Sá, seu criado, natural desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Por ofício, sou mestre alfaiate. Faço também às vezes de aprendiz de oráculo dedicado a prognosticar o porvir. Não posso revelar o nome do meu mestre na arte da profecia, a quem tanto devo, para o seu próprio bem. Faço cá minhas previsões, mas não sou feiticeiro e é inútil me denunciar à Santíssima Inquisição, de nada adiantará. Tenho amigos muito influentes.”

Com informações da assessoria.

Mano Ferreira

Editor deste site, integra o Café Colombo desde 2012. Jornalista formado pela UFPE, trabalhou nos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco, onde atuou na Revista Aurora. É colunista do Mercado Popular e foi co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade no Brasil.

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