Mano Ferreira - 22 de maio de 2015 às 15H 15M

Entre arte e ecologia: o impacto do modernismo nas cidades brasileiras

brasilia

“Tratar de uma cidade, ou mesmo de um bairro, como se fosse um grande problema arquitetônico, capaz de ser resolvido através de um trabalho disciplinado de arte, é cometer o erro de tentar substituir a vida pela arte”.

A frase da urbanista Jane Jacobs é fundamental para pensarmos a qualidade de vida nas cidades de hoje. A mediação das diversas visões de mundo que se encontram no espaço urbano é uma questão tão espinhosa que ainda parecemos estar longe de um consenso a respeito de qual deve ser a preocupação central em todo esse debate: será a tecnologia, o transporte, a paisagem?

Essa complexa trama de interesses que guia o planejamento das cidades brasileiras é o tema da nossa conversa com o arquiteto e urbanista Anthony Ling, editor-geral do portal Caos Planejado, um espaço dedicado à crítica urbanística.

Graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Anthony realiza pesquisas independentes em urbanismo desde 2010 e também ministra aulas e palestras sobre mobilidade e forma urbana.

caos planejadoJane Jacobs foi muito influente na história do urbanismo justamente porque quebrou com uma versão modernista de planejamento das cidades que surgiu na metade do século XX.

As cidades tinham crescido muito e muito rápido, e os modernistas entendiam que tinham a capacidade técnica de resolver todos os problemas a partir de um grande plano, desenhando uma grande obra.

Disso resultou cidades como Brasília. Brasília é uma cidade que segue muito fielmente esses conceitos modernistas de planejamento. Ela é tratada como se fosse uma obra de arte. Ela é um desenho de um planejador que olha para uma folha de papel e decide onde vão estar as funções da cidade, como as pessoas vão se locomover e ainda atribui aspectos estéticos, aspectos monumentais, para que essa cidade funcione – ou não funcione, no caso.

A Jane Jacobs, observando o desenvolvimento da cidade de Nova Iorque, como as pessoas se relacionavam e a diversidade de usos e atividades que tinham nas ruas e edificações, basicamente chegou à conclusão de que a vida na cidade não pode ser comparada com uma obra de arte.

A gente tem que ter a visão de que o que importa numa cidade são as pessoas na cidade, e não necessariamente as edificações.

Confira a íntegra desta entrevista conduzida por Mano Ferreira e Eduardo Cesar Maia com o arquiteto e urbanista Anthony Ling veiculada originalmente em 22 de maio de 2015, na edição #600 do Café Colombo na Rádio Universitária 99,9 FM.

 

Mano Ferreira

Editor deste site, integra o Café Colombo desde 2012. Jornalista formado pela UFPE, trabalhou nos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco, onde atuou na Revista Aurora. É colunista do Mercado Popular e foi co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade no Brasil.

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