Mano Ferreira - 31 de maio de 2015 às 15H 00M

É possível agilizar compras do governo sem aumentar a corrupção?

marcelo correia

Marcelo Correia é secretário executivo especial de mobilidade do governo do estado de Pernambuco. Em outras palavras, o homem responsável por tentar melhorar a nossa infra-estrutura de trânsito.

Antes de chegar ao cargo, trilhou uma sólida trajetória acadêmica. É bacharel em Direito pela UFPE e doutor em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

Não poderíamos deixar de destacar uma outra informação de extrema relevância: é produtor emérito deste Café Colombo, do qual foi um dos membros-fundadores e grande colaborador durante anos.

Marcelo Correia acaba de lançar o livro RDC: Comentários ao Regime Diferenciado de Contratações – Lei 12.462/11 – uma perspectiva gerencial, em co-autoria com José Antônio Pessoa Neto.

Na entrevista, conversamos de forma bem didática sobre os problemas de contratação no setor público e formas alternativas de licitação, como o RDC, que foi originalmente criado para as obras da copa do mundo.

Por trás da iniciativa, há um grande e espinhoso debate sobre os níveis de eficiência e agilidade do setor público relacionados aos problemas de corrupção e transparência das contas.

“A discussão não é simples. A grande questão é que tipo de resposta você deve dar para aprimorar o controle sobre o gestor público.

Num determinado momento se fez uma aposta de que a melhor forma de exercer esse controle seria detalhando minuciosamente os processos. Isso inibiu bastante a capacidade inovadora do gestor para modelar licitações e contratos, mas também para buscar o compartilhamento de boas experiências com o setor privado.

Foi uma escolha que, para aprimorar o controle, cobrou um custo em termos de eficiência e custos de transação em contratos. O grande questionamento que se faz é se isso realmente levou a um controle melhor: será que as licitações feitas sob a lei 8.666 entregam de fato esse nível de controle, segurança de preços e prazos que se promete?

Há várias dúvidas sobre isso.

Por outro lado, quando você confere maior discricionaridade para o gestor público e permite esse nível de compartilhamento de experiências com o setor privado também não quer dizer que não se tenha que ter preocupações.

A contrapartida dessa flexibilização que o RDC representa tem que ser um ganho grande de transparência de motivação. Deve ser tentar melhorar os mecanismos de controle e a transparência do processo”.

Confira a íntegra desta entrevista conduzida por Renato Lima com Marcelo Correia originalmente veiculada em 31 de maio de 2015 na edição #601 do Café Colombo na Rádio Universitária 99,9 FM.

Mano Ferreira

Editor deste site, integra o Café Colombo desde 2012. Jornalista formado pela UFPE, trabalhou nos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco, onde atuou na Revista Aurora. É colunista do Mercado Popular e foi co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade no Brasil.

Comentários

desenvolvido por Shamá