Carlos Eduardo Amaral - 24 de fevereiro de 2016 às 11H 00M

Audições Brasileiras #11 entrevista Harry Crowl

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Harry Crowl é um dos mais destacados compositores contemporâneos brasileiros, com um catálogo de cerca de 150 obras, executadas regularmente por orquestras e grupos de câmara das Américas, da Europa e da Ásia. Suas preocupações e denúncias de cunho social e ecológico permeiam parte significativa de sua produção composicional e se somam à sofisticação no desenho sonoro de painéis abstratos de diversas densidades.

Como professor e musicólogo, um dos trabalhos mais significativos de Harry Crowl foi a coordenação da segunda gravação mundial do Te Deum, do pernambucano Luís Álvares Pinto (1719-1789), revisando uma partitura editada pelo padre Jaime Diniz (1924-1989), com quem teve contato por algumas vezes em congressos de musicologia nos anos 1980. Na conversa desta décima primeira edição do podcast Audições Brasileiras, Harry fala desse episódio e também relembra a importância musical de Gilberto Mendes (1922-2016), compositor referencial da vanguarda brasileira falecido há pouco mais de um mês.

Entrecortando o diálogo, vamos escutar três peças orquestrais de Harry Crowl Antipodae brasilienses, em dois movimentos, interpretada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob direção de Ernani Aguiar; De fluminibus, com a Orquestra de Câmara da Rádio Romena e condução de Cristian Brancusi; e Enquanto uma grande cidade dorme, com a Orquestra Filarmônica Estatal do Cazaquistão e a Academia de Solistas de Astana, sob regência de Daniel Bortholossi.

Antipodae brasilienses é, nas palavras do próprio autor, um “díptico sonoro” que retrata o percurso do rio Parnaíba “Do Sertão ao Delta”, no Piauí, e a “Paisagem de inverno” das matas paranaenses. De fluminibus (“a respeito de rios”, “sobre os rios”, em latim) lança sua carga dramática para a degradação fluvial no país, causada pelas incontroláveis e irresponsáveis intervenções humanas sobre suas águas. E Enquanto uma grande cidade dorme nasce e toma vulto a partir dos misteriosos burburinhos da madrugada da capital paulista, que emergem quando todo o agito humano da megalópole se esvai.

Antes da entrevista confira também alguns avisos, sobre: a próxima edição do Virtuosi de Gravatá, que abriu inscrições para oficinas de coralistas; a carta aberta do Opera Studio do Recife, contestando a redução da verba para projetos de capacitação em ópera no edital do Funcultura; e a parceria entre a Cepe e a livraria Blooks, que permitirá aos livros da editora e à revista Continente serem comprados no eixo RJ-SP. E não perca o tradicional pingue-pongue antes do encerramento.

Vamos também fazer uma modesta homenagem a Gilberto Mendes finalizando o programa com sua peça coral mais famosa, o Motet em ré menor (Beba Coca-Cola), sobre poema concretista de Décio Pignatari, interpretado pelo Coro de Câmara da Universidade Humboldt de Berlim. Escute agora ou faça o download do podcast para ouvi-lo quando quiser. Boa audição.

Carlos Eduardo Amaral

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