Carlos Eduardo Amaral - 27 de abril de 2016 às 11H 00M

Audições Brasileiras #13 entrevista Kismara Pessatti

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Na décima terceira edição do podcast Audições Brasileiras, nosso bate-papo é com a cantora lírica Kismara Pessatti, primeira intérprete de ópera convidada de nosso programa, que falou da miríade de cores e possibilidades do registro de contralto nos diversos gêneros vocais ao longo dos últimos 500 anos. Logo do início da conversa, o desafio inicial lançado para Kismara foi o de defender a voz de contralto contra todos os chavões do senso comum, até mesmo do público operístico, que associa a mais grave das vozes femininas a personagens de vilãs e matronas quando ela pode ter uma tessitura mais extensa e uma articulação mais ágil que a de muitos sopranos.

A contralto paranaense residente na Suíça falou sobre isso e muito mais, à medida que ia comentando as peças selecionadas para a playlist do dia, que você pode ouvir online ou baixar para conferir quando quiser (todas as gravações com Kismara neste podcast são ao vivo, e impecáveis). Nelas, pode-se perceber a total versatilidade com que a intérprete demonstra tanto ao imprimir o senso de estilo devido a cada obra, do protobarroco ao contemporâneo, quanto ao dar a emoção que cada trecho requer.

O repertório foi apresentado nesta sequência, em três momentos diferentes do bate-papo:

  • Uma das árias de Penélope em Il ritorno d’Ulisse in patria, de Monteverdi, “um compositor absolutamente emocional”.
  • Der Sonnensystem, uma ária do oratório Die Evolution, concebido pelo musicólogo e maestro catarinense – também radicado na Suíça – Luiz Alves da Silva, sobre temas dos quartetos de cordas de Haydn, com recitativos baseados, por sua vez, nas óperas do compositor austríaco.
  • Uma ária de uma adaptação para balé da ópera Romeo e Julieta, de Berlioz.
  • Duas das Canções Wesendonk, de Wagner: Der Engel e Stehe still!.
  • A Canción del amor dolido, do balé El amor brujo, de Manuel de Falla.
  • O quarto movimento da Sinfonia n° 1 do compositor alemão Karl Amadeus Hartmann, Tränen.

A entrevista foi gravada em 10 de abril, quando Kismara chegou ao Brasil para se preparar para as três performances da estreia mundial de Cecília – obra do compositor paulista residente em Paris Maury Buchala escrita para contralto solista e grande orquestra – entre os dias 14 e 16 seguintes. Na parte final da gravação, durante o pingue-pongue de sempre, uma das melhores surpresas foi a de saber da admiração da cantora a Rossini, “um cara de bem com a vida”, e a Mahler, “pela profundidade”, e que o maior incentivo que recebeu veio do falecido maestro e musicólogo Nikolaus Harnoncourt. As outras revelações, vocês estão convidados a descobrir.

Boa audição!

Carlos Eduardo Amaral

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