Carlos Eduardo Amaral - 25 de maio de 2016 às 11H 00M

Audições Brasileiras #14 entrevista Henrique Autran Dourado

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Filho do célebre escritor [Waldomiro Freitas] Autran Dourado, agraciado com o Prêmio Camões em 2000, Henrique Autran Dourado atraiu-se pelo violão na infância (vendo a irmã ter aulas com Dilermando Reis), mas depois escolheu o contrabaixo como seu instrumento de ofício e, com ele, teve a chance de tocar em diversas orquestras, sob regência de grandes maestros brasileiros, como Eleazar de Carvalho (1912-1996), de quem tornou-se amigo pessoal. Paralelamente à carreira de instrumentista sinfônico, Henrique atuou durante vários anos como compositor e professor, antes de assumir a direção do maior conservatório da América Latina, em 2008.

Nesta edição do podcast Audições Brasileiras, Henrique fala, na primeira metade da conversa, sobre sua trajetória de contrabaixista e compositor – hoje em dia, um compositor bissexto; ao contrário dos anos 1980, quando estudava nos Estados Unidos e circulava num vasto nicho de músicos incessantemente interessados por tocar coisas novas. E fala ainda de seus problemas auditivos causados pela rotina de trabalho em orquestras: a PAIR (“perda auditiva por indução de ruído”, ou “induzida por ruído”) e o tinnitus, fenômenos de estresse laboral dos quais boa parte da própria classe musical no Brasil ainda não é consciente.

Na segunda metade, o tema foi, naturalmente, o Conservatório de Tatuí, fundado em 1954 e hoje o principal polo de formação artística de uma cidade interiorana brasileira, seguido por municípios como Londrina, Juiz de Fora e Campinas. O Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos (nome oficial da instituição) possui mais de 3 mil alunos e funcionários, dois campi (Tatuí e São José do Rio Pardo) e 50 grupos pedagógico-artísticos, além do próprio selo de discos, que já lançou cerca de três dezenas de títulos, alguns dos quais fornecedores das peças que ilustram o programa de hoje:

  • Logo antes da entrevista, vocês podem conferir a Orquestra de Sopros Brasileira executando o segundo e quarto movimentos da suíte Estados d’alma, de Edmundo Villani-Côrtes: Pretensioso e Audacioso.
  • Dividindo as duas metades da conversa, a Orquestra de Câmara Tatuí interpreta o Ponteio de Cláudio Santoro; e a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, o quinto movimento da Suíte Guanabara de Osvaldo Lacerda, Marcha de rancho.
  • E perto do encerramento, cortando ao meio o tradicional pingue-pongue de cada edição, temos uma sequência em dose tripla de música popular: Moacir Santos, de Lupa Santiago, com arranjo de Paulo Flores e participação do Jazz Combo do Conservatório de Tatuí; Conversa Ribeira interpretando Coração violeiro, de Alvarenga e Ranchinho, no CD da 4a. Mostra Instrumental do conservatório; e o guitarrista Demma K, e grupo, tocando seu Frevendo no Pacaembu.

Desde já, um aviso de despedida: em junho teremos a última edição do podcast (ao menos por tempo bem indeterminado), pois, mesmo tendo passado de uma periodicidade quinzenal para mensal, a produção de cada edição consome pelo menos dois dias, nas horas livres – um período de tempo que será precioso até meados do ano que vem devido aos novos desafios pessoais e profissionais que encarei em 2016. O bom é que esse esforço será revertido em mais notícias bacanas para a música pernambucana. Aguardem e, por enquanto, boa audição.

Carlos Eduardo Amaral

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