Café Colombo

China e a briga com os uiguris, no Instituto Millenium

sábado, julho 11th, 2009

O sempre interessante site do Instituto Millenium traz um artigo de Claudio Mafra sobre a China. Quem imaginava que por ter olho puxado eram todos iguais, pode tomar um susto ao saber que há 56 etnias na China e um potencial explosivo. Mafra começa com um deliciosa descrição da conversa com um diplomata brasileiro, num estilo país totalitário, em que se fala para para as paredes, teto, chão… Onde tiver um microfone. O autor prevê que possa acontecer na China o mesmo que ocorreu com outra potência totalitária, a URSS. “Existe muita gente ansiosa por ver a China ultrapassar os Estados Unidos e se transformar na primeira potência mundial. Pode não ser bem assim. No momento  da democratização é possivel que comecem a pipocar movimentos separatistas, e o território chinês, com 56 etnias,  vir a ser desmembrado em alguns pedaços, da mesma maneira que a parte asiática do império soviético.”

O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria

domingo, junho 28th, 2009

Gaspari na edição de hoje:

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ELIO GASPARI

O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria

O assalto à bolsa da Viúva conseguiu o que 21 anos de perseguições não conseguiram, avacalhou a velha esquerda

SE ALGUÉM QUISESSE produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.
Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.
O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes. No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 “pessoas comuns” que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.
O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.
É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.
No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.
Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é “uma pessoa comum”, ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)
O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.
Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: “Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?”

Escola sem partido

sexta-feira, abril 10th, 2009

Pode a escola fazer proselitismo político em sala de aula? Deve o aluno ser constrangido a concordar com o professor, mesmo quando ele diz que Che Guevara é um santo como São Francisco de Assis? Muitos diriam que não, mas poucos teriam a coragem de bater de frente com essa deseducação, como é o caso de Miguel Nagib, coordenador do movimento Escola Sem Partido.

O Café Colombo conversou com Nagib sobre sua iniciativa. “As escolas passaram a ser utilizadas como se fossem palanques eleitorais para promover ideologias, políticos e partidos políticos”, reclama. Conheça mais sobre o Escola Sem Partido ouvindo essa entrevista e visitando o site.


Sobre Stálin e o valor humano

terça-feira, março 24th, 2009
Josef Stálin antes da Revolução de 1917

Josef Stálin antes da Revolução de 1917

Stálin, num de seus exílios na Sibéria no período pré-revolucionário, passou quase 4 anos numa pequena aldeia chamada Kureika. A princípio, ele vivia obcecado em voltar para a agitação revolucionária, mas com o tempo ele se adaptou muito bem à vida rude, ao frio intenso e aos hábitos quase primitivos dos habitantes (os tungues) do local. Um dos costumes que ele adquiriu foi a pescaria, que funcionava, como nos desenhos animados, fazendo-se um furo no gelo para se alcançar a água. Outro hábito era sair para pescar e caçar em grupo, numa expedição que podia durar dias e era bastante perigosa devido às tempestades de neve. Numa dessas caçadas, um dos nativos ficou para trás e provavelmente morreu sem auxílio dos demais. Stálin, que no princípio estranhou a indiferença do grupo, perguntou se era normal deixar um amigo abandonado à morte. A explicação dos tungues foi racional e pragmática (e tão fria quanto o inverno siberiano): “Por que deveríamos ter pena dos homens? Sempre podemos fazer mais deles; mas um cavalo, tente fazer um cavalo!”.

Stálin aprendeu muito bem a lição e a levaria ao extremo no período de 30 anos em que esteve no poder.

Essa e outras história que compreendem o período de infância e juventude do Czar vermelho estão no livro O jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore.

(Eduardo Cesar Maia)

A formação de um líder assassino e totalitário

segunda-feira, março 23rd, 2009

Eduardo Maia comenta o livro “O jovem Stálin” de Simon Sebag Montefiori. Nesta obra, com acesso a documentos inéditos, Montefiori traça um perfil de Stálin e sua formação, com o período na Sibéria e os estudos de grego e latim no seminário. Ao contrário da imagem traçada por Trotsky, Stálin era inteligente e poeta refinado, o que, claro, não muda o seu caráter totalitário e assassino.

Marcelo Abreu fala ao Café Colombo sobre viagem à Coréia do Norte

domingo, agosto 4th, 2002

O professor e jornalista Marcelo Abreu fala sobre sua viagem a Coréia do Norte, país da mais fechada ditadura comunista e que agora produz bomba atômica. Primeira entrevista do Café Colombo, veiculada em 04 de agosto de 2002.

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