Café Colombo

Um cara com cara de menino e mandato de deputado

sábado, junho 13th, 2009

Joca Souza Leão fez uma boa transição da publicidade para a crônica. E, quase sempre, levanta temas importantes, como foi o caso da desconfiguração urbana do bairro das Graças. Dessa vez, ele vai na fonte de outra questão:

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Quem é otário

Publicado em 13.06.2009

Joca Souza Leão

jocasouzaleao@gmail.com

Um cara com cara de menino e mandato de deputado tirou o maior sarro da cara de Ricardo Teixeira, da CBF, e Joseph Blatter, da Fifa. O cara foi pra televisão dizer que era graças a ele que Pernambuco estava entre as subsedes da Copa de 2014.

Ricardo Teixeira e Joseph Blatter fizeram a maior quizumba para escolher as 12 subsedes da Copa. Visitaram os 17 Estados que se autoproclamaram candidatos e foram recebidos como reis, com todas as honras e galhardias. Puxa-saquismo cinco estrelas.

Os estados gastaram uma grana preta. Deslocamentos, obviamente, por helicóptero, que ninguém era doido de correr risco. Já pensou, os ilustres visitantes presos num engarrafamento? E se, pra completar, fossem assaltados? Todo mundo sabe que Joseph Blatter é suíço, não ia usar relógio japonês, né?: “E aí, gringo, passa o Rolex.”.

As exigências da Fifa eram grandes. Para algumas cidades, como o Recife, coitada, não eram grandes, não, eram enormes. Nem estádio a gente tinha pra mostrar. Tivemos que investir num projeto e jurar de pés juntos que tínhamos dinheiro – temos? – pra construir. O aeroporto, que foi construído outro dia, já não dá conta do recado, tem que ser ampliado. E o que dizer de novos hotéis, iluminação pública, acessos rodoviários, malha viária e transporte público, incluindo metrô?

Saneamento contava ponto? Não sei. Mas se contava, os gringos não devem ter ficado sabendo que o Recife tá boiando no cocô. Literalmente, não é metáfora, não. E limpeza urbana? Escapamos por um triz, se os caras tivessem baixado por aqui há três semanas, quando a prefeitura tava brigando com a empresa responsável pela coleta, a desgraça tava feita. Adeus, Copa. O que dizer dos alagamentos no inverno? E não esqueçam que a época da Copa, junho/julho, é época da dengue tá solta na buraqueira. Olha só que manchete arretada: Brasil derruba Argentina. De dengue.

E segurança? O que será que disseram aos caras? “Tolerância zero”, imagino. Tudo bem, vai ver que conseguem. Durante a competição, zero de assalto, assassinato, sequestro e por aí afora. Depois já sabe, né? Volta tudo à tragédia de sempre. Carnificina geral.

Teixeira e Blatter fizeram o maior segredo das cidades escolhidas. Segredo de polichinelo. Mas fizeram. Marcaram a proclamação dos nomes para o domingo 31 de maio em Nassau, nas Bahamas, com transmissão via satélite pra todo o planeta.

Mas, pelo menos aqui no Recife, o cara com cara de menino e mandato de deputado cortou o barato deles. Uma semana antes, ocupou o espaço gratuito da Justiça Eleitoral (pode?) na televisão, pra botar a boca no trombone. O que ele disse, com outras palavras, foi que o Recife foi escolhido graças à amizade dele com Ricardo Teixeira. Mas que ele, humildemente, não considerava aquilo uma conquista pessoal, mas de todo o povo pernambucano, que ele aproveitava para parabenizar: “Podem contar comigo”. Dá pra tu, jaburu?

Quer dizer, a ser verdade o que diz o cara com cara de menino e mandato de deputado, o presidente da CBF deve uma, não, deve cinco explicações, bem explicadinhas, às cinco cidades que investiram, acreditaram na isenção do processo de escolha e foram excluídas. Se não for verdade o que disse o cara com cara de menino e mandato de deputado, aí Ricardo Teixeira deve, além de dar explicações, passar um carão no menino.

Mas esse negócio tá mesmo é com pinta do seguinte: o cara com cara de menino e mandato de deputado teve apenas a informação privilegiada e deu com a língua nos dentes, imaginando que nós, os otários, iríamos acreditar que graças a ele é que Pernambuco seria subsede da Copa. E assim, na próxima eleição, “todos vão votar em mim”.

Sabe quando a gente vai ficar sabendo quem é o otário dessa história? Em outubro do ano que vem, nas próximas eleições.

Em tempo: todas as vezes – e não são poucas – em que a Justiça condena a Celpe a reduzir os aumentos abusivos no preço de energia, o cara com cara de menino e mandato de deputado manda fazer um outdoor com a foto dele: “Olha aí, gente, fui eu que consegui, na eleição, vote em mim.”

» Joca Souza Leão é publicitário e cronista

Mais do que um jogo de bola. A Copa Paulo Francis 2009

quinta-feira, junho 11th, 2009

Uma Copa, uma história. O sucesso da Paulo Francis
por Renato Lima

Há alguns anos, participei, junto com um animado grupo de colegas, da organização da Copa Paulo Francis, um evento futebolístico congregando os períodos de jornalismo da UFPE. De só se ver nos corredores ou assembléias de Diretório Acadêmico ou das greves da universidade, fomos para o enfrentamento no campo. No início havia um certo ceticismo. Diziam que os estudantes de jornalismo eram apenas perronhas (com exceções claro) e os que soubessem jogar não iriam se juntar para o empreendimento. Mas com a ajuda de visionários, pessoas como meu colega Benjamim ou o primeiro presidente da Copa, Felipe Salgado, levamos a Paulo Francis à frente e foi um sucesso. A escolha do nome também teve decisiva influência da nossa turma e, depois de uma apertada votação entre Carlos Lacerda e Paulo Francis, ganhou Francis.

O primeiro palco dos jogos foi o Clube Português. Nosso time venceu todas as etapas, até chegar à final emocionante. O nosso 7º período (MSN) venceu a turma veterana do 9º (IMP), em jogo gravado com filmagem digital pela colega Maria Eduarda Andrade, que depois seguiu exitosa carreira de cinema na Inglaterra. Eduardo Maia foi o artilheiro e força do time, contando com um paredão no gol (esse que vos escreve…). Não deu outra, vencemos. E com destaque para Leonardo Rabello, Dudu Surf, Arthur Gomes e Carlos. Esse “Dream Team” do jornalismo só não conseguiu ser reagrupado porque, como todo time bom, as peças já estão espalhadas pelo mundo. Isso inclui Austrália, Rio de Janeiro, Salvador entre outras praças.

A Paulo Francis fez e continua a fazer história. E motivou o surgimento de uma versão feminina da Copa, a Patrícia Poeta.

Formação vencedora da 1ª Paulo Francis

Sábado passado conferi a final da Paulo Francis, que também homenageou dois grandes professores do jornalismo: José Mário Austregésilo e Fernando Menezes, carinhosamente chamado no JC como vovô Fernando. Deu gosto de ver como a organização cresceu. Eu e Felipe Salgado também falamos sobre o início da copa e entregamos algumas medalhas. E tivemos a grande felicidade de ver algo que surgiu com a nossa iniciativa e a participação de outros notáveis colegas crescer tanto e se tornar num grande evento (de tanto comemorarem, a turma foi expulsa de um edifício em Boa Viagem!). Teve eleição de tudo quanto era destaque, num clima de grande amizade e alegria. Como explicou Cazuza no blog da Paulo Francis:

7 semanas, 6 rodadas, mais de 20 jogos. O fim é triste até para os que venceram… Vocês podem tentar mentir para si mesmos. Outro dia ouvi Gustavo comentando: “Caramba, quero que essa Copa acabe logo! Não agüento mais esse blog…” Ah, meu querido Gustavo! Que atire a primeira pedra aquele que nunca fingiu desejar estar longe do seu amor. Meros fingimentos. Sei que as duas medalhas que você ganhou não só curaram a sua mágoa fingida como também já deixaram em você um sabor de ansiedade pela Copa Paulo Francis 2010. O porquê de tudo isso? Não sei explicar, mas durante quase dois meses grande parte dos alunos de Jornalismo da UFPE tiveram apenas um amor: a Copa Paulo Francis. Cada um tinha seus motivos e seus segredos. Cada um aguardava ansiosamente chegar o sábado…

Alguns queriam se vingar do jogo perdido na semana retrasada ou no ano passado, outros queriam fazer o primeiro gol de sua vida, outros queriam tirar fotos, outros queriam beber, outros queriam rir, e outros – claro que nas entrelinhas de cada qual – queriam cruzar olhares com alguém especial (ou com alguém que estava começando a se tornar especial). A Paulo Francis é isso. Ela mexe com aquilo que temos de mais humano: o sentimento.

Leia texto completo no Blog da Copa Paulo Francis

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