Café Colombo

Dicas de sites – viagens, economia e cultura

terça-feira, julho 7th, 2009

Viagens

Aquela Passagem – Dicas de promoções, novas rotas e muita, mas muita informações sobre milhas e toda as formas de ganhá-las, como os melhores cartões de crédito. Agora mesmo há uma informação sobre uma possível parceria entre GOL e American Airlines de união do programa fidelidade, o que é uma mão na roda para quem vai morar fora (e Varig/Gol não mais faz vôos para os EUA ou Europa).

Economia

Blog de José Carlos Cavalcanti – Professor da UFPE e ex-secretário adjunto de ciência e tecnologia, JCC (como é conhecido) traz sempre artigos interessantes, principalmente sobre economia e mídias digitais. Ele também escreve newsletter sobre tecnologia no site Creativante.

Cultura e filosofia

Blog do filósofo Ricardo Vélez Rodriguez – Colombiano radicado no Brasil, Ricardo é professor universitário e pesquisador na área de histórias das idéias e filosofia política. Já foi entrevistado aqui no Café Colombo para falar do livro “Patrimonialismo e a realidade latino-americana”. No seu blog, artigos e comentários acadêmicos.

(Renato Lima)

Agricultura orgânica e mercado de nicho

quinta-feira, julho 2nd, 2009

Há cerca de duas semanas, trabalhei na produção de duas reportagens com uma equipe de TV da Rússia, mais exatamente do canal Russia Today, que transmite em inglês e árabe. A equipe veio para cá com o objetivo de retratar o Brasil de modo geral,  especialmente por causa do maior interesse despertado pela sigla BRICS, criada por um economista da Goldman Sachs e que reúne os principais emergentes econômicos, Brasil, Rússia, Índia e China. Fizeram matérias em São Paulo, Rio de Janeiro e acompanhei o trabalho em Pernambuco, onde vieram abordar a violência no Recife e programas sociais, como o Bolsa-Família.

Na parte de violência, conversamos com Eduardo Machado, do PE Body Count e Demetrius Demétrio, do Comunidade dos Pequenos Profetas. Para a matéria de políticas sociais, viajamos até Pombos, mais exatamente o Assentamento Chico Mendes. Lá, e essa é a razão deste post, nos encontramos com uma figura maravilhosa, chamada Mariano da Silva. É um pequeno agricultor, com 10 hectares, que há sete anos mudou o cultivo das suas terras para agricultura orgânica. Isso significa deixar de utilizar agrotóxicos e adotar toda uma técnica para que as pragas não avancem sobre as hortaliças. Para tanto, é necessário criar um tapete verde sobre as culturas, de forma que as pragas ataquem outras gramas e preservem a cultura principal. Dá mais trabalho, mas se tem a certeza de comer algo mais saudável, que não foi empoçado de veneno.

Produtos orgânicos chegam às gôndolas dos supermercados com preço, pelo menos, 30% mais caro. Mas comprando direto do produtor na feira sai ainda mais barato do que uma hortaliça tradicional em uma grande rede. Seu Mariano vende os alfaces – liso, americano ou francês – por R$ 0,70, enquanto um alface americano pode custar o dobro disso num ponto de venda tradicional. Ao migrar para a produção orgânica, Mariano teve um considerável ganho econômico – ele hoje consegue vender com preços até 50% mais caros do que antes – e também de consciência. Dizia o pequeno produtor que agora sabe tratar melhor da sua própria terra, rotacionando culturas, deixando o solo descansar e tratando de forma natural, sem veneno.

Os orgânicos atendem um nicho de mercado em crescimento. E o sucesso de Mariano como produtor veio de atender a essa demanda, e não fruto de um plano mirabolante surgido de um técnico governamental. E o Bolsa-Família, na sua casa, é bem empregado. “Não deixo a menina pegar na terra. É para ela estudar, pois recebe o Bolsa-Família”, disse.

Ah, e quem quiser comprar a produção de seu Mariano ou de outros produtores similares é só visitar a feira de orgânicos próximo à Praça de Casa Forte. Mas tem que chegar cedo. A feirinha começa às 5h da manhã e em poucas horas toda a produção se esgota.

Como diria Tyler Cowen, a força dos mercados (que estão em toda parte). Ou, como Bastiat muitos anos antes, é a forma como Paris é alimentada.

(Renato Lima)

O prazo das políticas brasileiras

quarta-feira, julho 1st, 2009

Do meu artigo para o Ordem Livre:

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O prazo das políticas brasileiras
30 de Junho de 2009
por Renato Lima

O ministro Mangabeira Unger está de saída do governo Lula. Voltará para Harvard após comandar a estranhíssima Secretaria de Longo Prazo, criada apenas para abrigá-lo, não para fazer qualquer coisa. Mais do que um fato isolado, é revelador do Estado brasileiro, pleno de anúncios e raso de avaliações.

Entrevistei três vezes Mangabeira como ministro. Na última acompanhei uma palestra sua para integrantes de um governo estadual. Após ouvir pacientemente as perorações de Mangabeira, foi aberto um debate para diversos secretários comentarem as propostas do ministro. Após ouvir alguns elogios protocolares, também recebeu críticas pertinentes ao que havia falado, à sua interpretação do desenvolvimento do Nordeste. Anotei umas dez perguntas/críticas que ele teria de responder, algumas delas interessantes, que poderiam dar um lead para a minha matéria. Pois bem, Mangabeira retoma o microfone e diz: “Envieeem por e-mail essas observaçõeees”. Obviamente, uma frustração geral. Mangabeira veio para falar e não para ouvir. E ainda impondo ao contribuinte o custo das passagens aéreas, dele e da equipe, hotel, e o tempo de todos os presentes.

Antes de assumir o poder, o presidente Lula dizia que o Ministério do Planejamento seria muito mais forte do que o da Fazenda, justamente uma demonstração da retomada do “Estado desenvolvimentista e planejador”. O que se viu é que forte mesmo ficou a Casa Civil, por motivos meramente eleitorais. O histórico da Ministra Dilma Rousseff no governo é de ter criado um modelo energético que poluiu e encareceu a matriz brasileira – ao estimular as térmicas de óleo combustível no sistema elétrico -, quase levou a um apagão em 2007 e depois foi comandar um pacote de obras que… não sai do canto. Para ficar em apenas duas, Transposição e Transnordestina, são dois projetos estruturadores do primeiro mandato de Lula que não ficaram prontos nem no segundo. De 50 anos em 5 adotamos o 2 em 8.

Esse mesmo governo lançou, por duas vezes, uma Nova Política Industrial. A primeira, em 2004, elegeu “atividades portadoras de futuro”, como fármacos, semicondutores, software e bens de capital. Na época, o ministro de Ciência e Tecnologia era Eduardo Campos, atualmente governador de Pernambuco. Ele propagava uma meta de que em 2007 o Brasil estaria exportando US$ 2 bilhões em softwares – o que já se dizia ser muito difícil. Perguntado, Eduardo Campos dizia que era uma meta “ousada”, mas que seria cumprida. Pois bem, segundo o que apurei com fontes do setor, não chegamos nem a US$ 500 milhões; na melhor das alternativas, tivemos US$ 450 milhões. Dá para depreender que quando um ministro fala em meta “ousada” quer dizer mesmo virtual.

Em todos esses casos, vê-se que improvisam soluções, fazem grandes anúncios e esquecem o plano de trabalho. Nem a mais básica ferramenta de administração, a metodologia PDCA (Plan, Do, Check, Act) é utilizada. Paramos no PD… ou só no P. Por que as tais novas políticas industriais não atingiram seus objetivos? Por que se criou uma dispendiosa TV estatal (TV Brasil) que é assistida por quase ninguém? São exemplos de atividades que deveriam passar por avaliação e correção. Como não avaliamos os erros do passado, estamos sempre os cometendo novamente, pois são embalados em marketing e esperança, não em realidade e mérito.

Dificilmente uma empresa teria sucesso com tantos gastos de recursos de forma ineficiente, como o caso de ter mais de 40 diretores/ministros. Mas nosso governo vive de popularidade – conseguido com propaganda e apoios políticos como os amigões de Lula José Sarney e Renan Calheiros – e não de gastar bem o dinheiro extraído do nosso trabalho. Esse dinheiro todo jogado fora é péssimo para o país, mas beneficia aqueles que só pensam verdadeiramente num único prazo: o da próxima eleição.


349 – Contas públicas e o papel da fiscalização externa por Valdecir Pascoal – 2

segunda-feira, junho 8th, 2009

Valdecir Pascoal, conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE), fala ao Café Colombo sobre Lei de Responsabilidade Fiscal, corrupção, papel dos tribunais de contas e gestão pública. Esses temas são debatidos em seu mais recente livro, “Palavras, textos e contextos” (Editora Bagaço). Será que o nosso dinheiro está sendo bem cuidado? Escute a entrevista!

 
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A democracia de Tocqueville e a nossa

quarta-feira, maio 20th, 2009

Do meu artigo ao Ordem Livre:

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A democracia de Tocqueville e a nossa
20 de Maio de 2009
por Renato Lima

Não só pelo tema, Democracia na América, de Alexis de Tocqueville, é um livro fabuloso. Às reflexões profundas o francês acrescentou também um estilo belo, cativante de ler. Entretanto, o prazer que se sente com suas observações pode ser superado pela decepção da comparação com o Brasil de hoje. Tem-se a estranha sensação de que quase tudo o que é apontado como risco para a democracia e o bom governo é assunto corriqueiro no Brasil. Especialmente agora, quando estamos na véspera de um ano eleitoral.

No Brasil temos um executivo fortíssimo, que comanda uma arrecadação próxima a 40% do PIB, capaz de, em uma única canetada, alterar completamente leis e criar novas (através das Medidas Provisórias). Com uma imensa máquina administrativa, só de ministros são quase quatro dezenas, acompanhado de outros milhares de cargos de confiança e gratificações a serem distribuídas por todo o Brasil.

Nesse estado de coisas, o Congresso é muito fraco. Raramente pauta discussões e mesmo os legisladores que propõem algo têm o seu projeto substituído por algum do interesse (e iniciativa) do governo. O orçamento, que seria uma prerrogativa do Congresso, é feito pelo Executivo, negociado com o Congresso e gasto, da forma que convier, pelo Executivo, que tem o poder de contingenciar os gastos. A força de um parlamentar está em ter prestígio no governo para conseguir liberar verbas e indicar apadrinhados para cargos.

O judiciário é o poder mais rico. Possui média salarial de R$ 16,8 mil (contra R$ 6.691 do Executivo e R$ 12,5 mil do Legislativo). Tem operador de máquina de fotocópia ganhando mais do que engenheiro. Possui também as melhores instalações físicas de trabalho. Mas simplesmente não funciona. É lento, perdulário, corrupto e incerto.

Mas vejamos o que dizia o francês Tocqueville, visitando os EUA no século XIX. O poder executivo era dividido, com total princípio de subsidiariedade. A cidadania se construía na base, especialmente nos municípios, onde a maior parte das coisas eram decididas. Como o poder do presidente da União era limitado, ele podia conviver tranquilamente com um Congresso oposicionista. “Ninguém, até o momento, foi encontrado para arriscar a sua honra e vida para se transformar em presidente dos Estados Unidos, pois o presidente tem apenas um poder temporário, limitado e dependente”, notava.

E continua: “A razão para isso é simples: chegando ao topo da administração, ele não pode distribuir aos amigos nem muito poder nem muita riqueza ou glória, e sua influência sobre o Estado é muito tênue para as facções acharem sucesso ou ruína em sua ascensão ao poder.”

Por aqui, nada mais distante (e, infelizmente, os próprios Estados Unidos também já não são assim, embora num grau deveras menor do que o Brasil). Com a ascensão do PT ao governo, o que era feito de forma ocasional e envergonhada foi elevado à prática curricular. Este é o caso do loteamento total de cargos e comandos, de estatais a fundos de pensão. Vejamos o exemplo mais recente. Para barrar a CPI da Petrobras – mais do que necessária, diga-se de passagem – uma tropa de choque do fisiologismo foi acionada, comandada pelo ministro das Relações Institucionais (que bem poderia se chamar de Ministério do Toma-Lá-Dá-Cá) José Múcio Monteiro (PTB-PE). Ele não escondeu que detonou uma série de ligações para os senadores que colocaram a assinatura mas lamentou ter conseguido reverter apenas dois nomes. Em outros momentos ele foi mais persuasivo ($$).

No governo anterior foram noticiados caso semelhante na tentativa de barrar CPIs, o que rendeu manchete dos principais jornais e negativas do governo (pouco críveis) – acompanhada por rígida fiscalização da imprensa das liberações de emendas orçamentárias. Agora, isso não causou nenhum espanto nem recriminação. É como chegar à casa de um conhecido pela primeira vez e fazer xixi de porta aberta, com toda a família presente. Os maus modos não escondem nem mais a aparência. É de dar muito medo perguntar quais outras práticas serão entronizadas.

E o que dizia Tocqueville de uma nação se aproximando de uma eleição e com possibilidade de distribuição de cargos e favores por alguém que deseja se reeleger? “Negociações, como leis, viram apenas esquemas eleitorais; cargos se tornam recompensas por serviços prestados, não à nação, mas ao chefe do governo. Apesar de atos do governo nem sempre serem contrários ao País, eles não serviriam, a todo caso, à nação”, advertia.

A impressão é que nossos poderes estão dissociados da sociedade. Como já exprimiu um deputado, estão se lixando para a opinião pública.


A poupança e a queda nos juros

domingo, maio 10th, 2009

A rentabilidade da poupança deve cair, mas não por um mau motivo. Finalmente, em termos de juros, estamos nos igualando a países normais, com estabilidade (baixa inflação) e juros de um dígito, como escrevo no JC deste domingo. Na comparação com os demais países, “só” falta ter segurança pública igual, educação igual, sistema sanitário igual, incentivo ao empreendedorismo igual…

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A poupança e a queda nos juros

Publicado em 10.05.2009

Renato Lima
“Afinal, devo tirar ou não o meu dinheiro da poupança?” Essa pergunta já me foi feita diversas vezes, e reflete a desconfiança do brasileiro nas ações do governo, tão acostumado a rasgar contratos, mesmo com pequenos poupadores. É fato, o governo vai mexer nas regras da poupança e a rentabilidade vai cair. A mensagem é curta, mas o presidente Lula não quis dizer isso claramente, o que deu margem para desconfiança. Se fosse sincero, diria claramente que a renda da poupança vai mesmo cair, mas no fundo por um bom motivo: é um sintoma de um País com estabilidade.

Nos anos 80, o Brasil conseguiu manter a sua moeda própria ainda funcionando (e não dolarizada na prática) por causa do mecanismo da correção monetária. O dinheiro todo dia perdia valor, exceto para aqueles que tinham acesso ao sistema bancário e deixavam o dinheiro aplicado no overnight. Com a correção, também era possível fechar contratos, pois sobre o valor nominal existiam os inúmeros índices que corrigiam o que o papel moeda perdia todo dia.

Com o Plano Real, os mecanismos de indexação foram quase todos eliminados. Mas, para conter um excesso de consumo – que poderia provocar inflação de demanda – os juros altos foram usados para manter a estabilidade recém conquistada. Além disso, a remuneração elevada em títulos do governo ajudava na âncora cambial – a captação de dólares de fora para manter o real valorizado. Em 1999, quando aconteceu a maxidesvalorização, os juros chegaram a 45% ao ano, com o objetivo de evitar fuga de capitais e repasse da desvalorização aos preços.

Em nível menor, mas ainda calibrados de forma elevada, os juros seguiram dessa forma nos últimos dez anos. Mas, agora, a tendência é de queda acentuada e a última decisão do Copom determinou a taxa Selic em 10,25%, com previsão de encerrar o ano em 9%. Comparativamente, a poupança começou a ter rendimento elevado e se vai cair é porque o restante da economia está com juros em queda e inflação controlada.

Inflação baixa e juros civilizados implicarão em maior crescimento econômico. Poderia ter sido mais cedo? Muito provavelmente, principalmente se a parte fiscal, a dos gastos do governo, tivesse colaborado.

Juros altos não são um fim em si mesmo, mas um instrumento para perseguir outro objetivo, no caso, inflação baixa. Hoje, é possível dispensar essa muleta, mas não dá para esquecer que só se andou até aqui por causa dela. Disse o sir Isaac Newton: “Se vi mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes.” Mesmo um gênio (ou, por isso mesmo) reconhecia que o conhecimento é cumulativo, que para avançar é preciso se apoiar nas milhares de descobertas e instrumentos que o precederam. Os verdadeiramente grandes são sinceros. É um ganho para o país poder agora reduzir a rentabilidade da poupança se isso representar acesso a crédito mais barato, especialmente o imobiliário.

341 – A cabeça do brasileiro – 2

domingo, abril 12th, 2009

O sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida fala ao Café Colombo sobre duas de suas obras: o livro “A cabeça do brasileiro” e “A cabeça do eleitor”. Alberto empreendeu ampla pesquisa quantitativa sobre o que pensa o brasileiro em diversos temas como economia, comportamento sexual, preconceito entre outros.


 
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Problemas da estatística II – paradoxos

sábado, abril 11th, 2009

Mais um comentário derivado da leitura de David Salsburg, e o seu “Uma senhora toma chá…. como a estatística revolucionou a ciência no século XX” (Editora Jorge Zahar). Já falamos sobre os problemas gerados em utilizar métodos estatísticos sem conhecer suas limitações. Agora, dois problemas filosóficos do próprio uso da estatística, proposto por L. Jonathan Cohen, da Universidade de Oxford.

Concordamos que podemos decidir rejeitar uma hipótese sobre a realidade se a probabilidade associada a esse hipótese for muito pequena. Para sermos específicos, estabeleçamos 0,0001 como probabilidade muito pequena. Organizemos agora uma rifa com 10 mil bilhetes numerados. Consideremos a hipótese de que o bilhete número 1 ganhará a loteria. A probabilidade disso é 0,0001. Rejeitamos essa hipótese. Consideremos que o bilhete número 2 ganhará a loteria. Também podemos rejeitar essa hipótese. Podemos rejeitar hipóteses similares para qualquer bilhete numerado específico. Pelas leis da lógica, se A não é verdadeiro, e B não é verdadeiro, e C não é verdadeiro, então (A ou B ou C) não é verdadeiro. Isto é, pelas leis da lógica, se cada bilhete específico não deverá ganhar a loteria, então nenhum bilhete o fará.

“Em livro anterior, The probable and the provable, L.J. Cohen propôs uma variante desse paradoxo embasada na prática legal comum.Na lei comum, um queixoso de um caso civil ganha se sua reclamação parecer verdadeira sobre a base da `preponderância´ da evidência. Para os tribunais, isso significa que a probabilidade de a reclamação do queixoso ser verdadeira é superior a 50%. Cohem propõe o paradoxo dos penetras. Suponhamos que exista um concerto de rock em um teatro com mil assentos. O promotor vende entradas para 499 assentos, mas, quando o concerto começa, todos os mil assentos estão ocupados. Pela lei inglesa, o promotor do espetáculo tem direito de cobrar de cada uma das mil pessoas no concerto, já que a probabilidade de que qualquer um deles seja um penetra é de 50,1%. Assim, o promotor cobrará 1.499 entradas para uma sala que só tem capacidade para mil.”

O livro é bom, mas de modo algum simples e totalmente acessível. Vale destacar que a história do percurso de como saímos de um mundo determinista de Newton e Kepler para um probabilístico é bastante interessante.

(Renato Lima)

Se eu estivesse em São Paulo… faria esse curso de psicologia econômica

sexta-feira, abril 10th, 2009

A professora Vera Rita me envia informações sobre novo curso “Temas de psicologia econômica e economia comportamental” na Fipecafi, USP. Infelizmente, não estarei lá para conferir, mas gostaria muito. Todos que alguma vez já se interessaram pelo joquinho ultimatum poderão descobrir muitos novos insights de economia comportalmental e entender porque os livros textos não dizem exatamente como as pessoas agem…

Já que não poderei estar, vai a minha sugestão de que as aulas sejam gravadas, ou como podcast ou como DVD. Uma das melhores descrições sobre o tema tive nesta aula de Dan Ariely, professor do MIT, em palestra na London School of Economics.

Mais informações sobre o curso abaixo.

(Renato Lima)

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A FIPECAFI-FUNDAÇAO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTABEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS eh uma fundaçao ligada ao depto. de contabeis da USP – fica, atualmente, na rua maestro cardim – 1170, no predio onde era o IBMEC, ao lado da entrada do estacionamento do shopping paulista;

- o curso serah coordenado pelos profs. Geraldo Barbieri, da FIPECAFI, Vera Rita de Mello Ferreira, atualmente tambem na FIPECAFI, e Fabiano Calil, do IBCPF e da FIPECAFI;

- ele serah oferecido de forma compacta, em 7 modulos de 4hs cada um, aas 6as.fs. e sabados do mes de maio proximo;

- os professores sao pesquisadores da area:
- Flavia Possas e Bruno Vio, mestres em psicologia economica pela universidade de exeter, na inglaterra;
- Bernardo Nunes, de porto alegre, mestre em finanças comportamentais e professor da PUC-RS e UFRGS;
- Roberta Muramatsu, doutora em economia comportamental pela universidade de erasmus, holanda, e professora do mackenzie e IBMEC;
- Patricia Fonseca, economista, pesquisadora e orientanda da Roberta;
- Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia economica pela PUC-SP, professora da FIPECAFI, representante no Brasil da IAREP-International Association for Research in Economic Psychology e autora dos 1os. livros sobre psic. econ. no pais [PSICOLOGIA ECONOMICA - ESTUDO DO COMPORTAMENTO ECONOMICO E DA TOMADA DE DECISAO, campus/elsevier, coleçao expomoney, e DECISOES ECONOMICAS - VOCE JA PAROU PARA PENSAR?, saraiva, de divulgaçao cientifica];

- os temas abordados em cada módulo incluem: modelo de tomada de decisao fundamentado nas emoções e agenda para apliaçao da psic. econ. no brasil [Vera Rita de Mello Ferreira]; economia comportamental e neuroeconomia [Roberta Muramatsu]; escolha intertemporal [Patricia Fonseca]; finanças comportamentais [Bernardo Nunes]; previsao de sentimentos e seus vieses [Flavia Possas]; escolhas economicas e credito [Bruno Vio];

- vejam outras informaçoes aqui – http://www.fipecafi.org/extensao/extensao-psicologia-economica-economi a-comportamental.aspx

- e se quiserem saber mais, entrem em contato;
- um abraço – vera rita m. ferreira

Dra. Vera Rita de Mello Ferreira
Representante no Brasil da IAREP-International Association for Research in Economic Psychology
www.verarita.psc.br

Um lado bom para a crise

quinta-feira, abril 2nd, 2009

Artigo do nosso empreendedor do agreste e poeta, Bruno Bezerra:

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Um lado bom para a crise

Por Bruno Bezerra*

Toda essa balbúrdia da crise internacional, no final das contas, precisa servir para algo verdadeiramente produtivo, é aquela velha história do lado bom que toda (ou quase toda) situação ruim tem. Pois bem, estou na torcida para que a crise internacional sirva para levantar o debate das relações do trabalho no Brasil, e que o país acorde de uma vez por todas desse pesadelo para o desenvolvimento que representa a patogênica legislação trabalhista brasileira.

E quando o assunto é legislação trabalhista brasileira, o professor José Pastore é uma sumidade. Pra quem não conhece a fera, o professor Pastore é Doutor Honoris Causa em Ciência e Ph. D. em sociologia pela University of Wisconsin (EUA). É professor titular da Faculdade de Economia e Administração e da Fundação Instituto de Administração, ambas da Universidade de São Paulo. É pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e consultor em relações do trabalho e recursos humanos.

Com 35 livros e mais de 500 artigos publicados, o professor José Pastore em um artigo escrito no começo de março de 2009, consegue dar uma aula extraordinária das relações do trabalho no Brasil com apenas um dos parágrafos do artigo, parágrafo que termina com uma pergunta que deve ser bem refletida. Vejamos o que o professor Pastore diz:

“Os parlamentares de Brasília têm uma verdadeira paixão pela área trabalhista. Há mais de dois mil projetos de lei tramitando no Congresso Nacional. A esmagadora maioria visa apenas gerar direitos sem a menor preocupação com os deveres, com as despesas e com a competitividade. Basta observar que na Constituição Federal, a palavra “direito” aparece 76 vezes enquanto que a palavra “dever” aparece apenas quatro vezes. As palavras “produtividade” e “eficiência” aparecem duas e uma vez, respectivamente. O que fazer com um país que tem 76 direitos, quatro deveres, duas produtividades e uma eficiência?”

Mais do que a crise americana, mais do que a crise dos países ricos, mais do que a crise do desemprego, espero que no futuro a crise internacional seja lembrada como a crise que ajudou a modernizar a patogênica legislação trabalhista brasileira, uma legislação que sabota o desenvolvimento.

Se pensarmos a legislação trabalhista brasileira como de fato ela é, ou seja, uma legislação que faz com que os empreendedores tenham receio (e até medo) de empregar, não será difícil perceber que estamos diante de uma legislação trabalhista que desemprega mais do que qualquer crise planetária.

* Bruno Bezerra é diretor de desenvolvimento e empreendedorismo da CDL Santa Cruz do Capibaribe – PE. Na internet mantém o blog Atitude Empreendedora (www.brunobezerra.blogspot.com).

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