Edson Nery da Fonseca dá um show na Flip
segunda-feira, julho 6th, 2009É o que nos conta Schneider Carpeggiani em matéria do JC de hoje. Quem quiser conhecer mais sobre Edson escute esta entrevista que ele deu ao Café Colombo.
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Edson Nery é aplaudido de pé
Publicado em 06.07.2009
Escritor, que dividiu mesa com Zuenir Ventura, recitou Evocação do Recife, em homenagem a Manuel Bandeira
Paraty – Edson Nery da Fonseca foi aplaudido de pé ao recitar Evocação do Recife, na mesa Antologia Pessoal, que fechou o ciclo de homenagens para Manuel Bandeira, no último dia da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), domingo. Com o título Antologia pessoal, o pernambucano e o jornalista Zuenir Ventura dividiram as lembranças da convivência travada com o poeta.
“Eu não escrevo poesia, só consigo me expressar, bem ou mal, a partir da prosa. Sou um prosador. São as pessoas que não escrevem poesia, que mais têm necessidade de ler poesia”, definiu Edson. Quando foi morar no Rio de Janeiro, na década de 1940, o bibliotecário enviou uma carta de apresentação para Bandeira. Tinha algumas dúvidas de leitor para esclarecer. “Eu queria tirar algumas dúvidas em relação à sua poesia. Por exemplo, eu queria saber por que ele falava, no poema A balada das três mulheres do sabonete Araxá, que essas mulheres estavam prontas às 4h da tarde. Eu perguntava Bandeira, por que não às 2h ou às 3h da tarde? Ele dizia que o Jaime Ovalle, que entendia muito de mulher, dizia que, pela manhã, a mulher não estaria pronta, porque estava com cheiro de sabonete. Só às 4h, é que a mulher estaria com o cheiro ideal para o amor”.
Edson Nery conheceu Bandeira por intermédio de Gilberto Freyre. “Gilberto conheceu Bandeira quando ligou encomendando um poema para o Livro do Nordeste, que estava organizando. Bandeira disse que poema não era bolo, que não se encomendava. Mas acabou seguindo as indicações de Freyre e fez Evocação do Recife”. O pernambucano contestou a autoria do poema Cópula. “Esse texto de Bandeira está presente numa antologia de poemas eróticos, organizada por Alexei Bueno. Só que não acredito que seja dele. Nem é um poema pornográfico, é um poema porco.”
Zuenir Ventura foi aluno de Bandeira na década de 1950, quando estudava na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio. “Ele queria ser fotografado, queria ser lembrado. Não fazia uma aula-show, como as pessoas precisam fazer agora. Mas era um servidor público com a noção de que um servidor público precisa servir ao público. Bandeira nunca faltava às aulas e era um homem humilde. Nessa época, ele já era considerado grande.”
ENCERRAMENTO
Como é de costume, a Flip foi encerrada com alguns dos autores convidados lendo trechos dos seus livros de cabeceira. Este ano, a mesa reuniu Anne Enright (Os mortos, de James Joyce), Rodrigo Lacerda (Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro), Tatiana Salem Levy (Escrever, de Marguerite Duras), Sophie Calle (“Vou ler um trecho dele e provar que não tenho mais mágoa”, disse, ao ler O convidado misterioso, de Grégoire Bouillier, seu ex-namorado), Mario Bellatin (Apátridas, de Julio Ramon Ribeyro) e James Salter (The enormous room, de E.E. Cummings). Rodrigo Lacerda mudou de última hora seu texto após os elogios que Lobo Antunes fez para João Ubaldo Ribeiro, durante sua participação na Flip, no dia anterior. “Como João Ubaldo Ribeiro nunca participou da festa por um erro de comunicação, eu estou aqui para vender o peixe dele”, disse.
